11.5.14

LIÇÕES PARA AÉCIO E EDUARDO

SEBASTIÃO NERY -

Logo depois do suicídio de Getúlio em 24 de agosto de 1954, Nereu Ramos, presidente da Câmara dos Deputados e do PSD de Santa Catarina, chamou Juscelino, governador de Minas, ao Rio, para uma reunião no PSD.

Lá estava o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, do PSD.

Etelvino propôs o adiamento das eleições para o Senado, a Câmara e as Assembleias, que iriam realizar-se em 3 de outubro.

Alegava que uma eleição ainda sob o impacto do suicídio de Vargas daria ao PTB uma votação em massa, que provocaria uma reação dos militares.

Com a tese de Etelvino concordaram Nereu Ramos, Benedito Valadares presidente do PSD de Minas, Lucas Garcez, governador de São Paulo, e outros.

Lacerda, da UDN, e Raul Pila, do PL, também queriam o adiamento. Juscelino foi totalmente contra. Sabia que aquele era o ovo da serpente para adiar também as eleições presidenciais do ano seguinte.

Mesmo assim Nereu, Etelvino e Lucas Garcez foram a Café Filho, vice de Getúlio, que tinha assumido a presidência e virado udenista desde criancinha e propuseram o adiamento.

Juscelino declarou que “como governador de Minas, lançaria mão de todo o poder que lhe conferia o cargo para impedir que o calendário eleitoral fosse alterado”.

JUSCELINO

Recuaram. Houve as eleições e não aconteceu nada do que eles diziam.

O PSD tinha 112 deputados e passou para 114, a UDN com 84 caiu para 74 e o PTB com 51 subiu só para 56.

JK começava a ganhar a briga. Mas Benedito, presidente do PSD de Minas, com pavor dos militares, não queria Juscelino de jeito nenhum. Juscelino teve de derrotá-lo na executiva estadual.

Depois de horas trancados lá dentro, numa reunião dramática, até a madrugada, a porta se abriu e vimos Juscelino sair com um sorriso de arco-íris.

Até os olhos presos arregalaram. Ganhou por um voto.

Benedito, cabeça baixa, pálido, pela primeira vez derrotado numa reunião política do partido.

No dia 19 de novembro de 54, todos os diretórios do PSD de Minas mandaram telegramas a Benedito encarregando-o de indicar Juscelino à direção nacional.

No dia 25, o diretório nacional do PSD, presidido por Amaral Peixoto, contra a oposição de Benedito, Nereu e Etelvino, e do PSD do Rio Grande do Sul e outros apavorados, aprovou Juscelino por 123 a 36 votos.

Afinal, no dia 10 de fevereiro de 1955, dos 1925 delegados da convenção nacional, 1646 lançaram Juscelino.

Os diretórios de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e 160 da Bahia e 26 do Rio ficaram contra.
 
ETELVINO

A grande imprensa do Rio e São Paulo, quase toda anti-getulista, procurava convencer a opinião pública de que o país atravessava uma situação de extrema gravidade, que só tenderia a aumentar com a disputa eleitoral.

Etelvino propôs a Milton Campos, ex-governador de Minas, para propor à UDN, uma lista tríplice (Juscelino, Gustavo Capanema e Lucas Lopes, todos do PSD) para uma candidatura interpartidária, com apoio do PSD, UDN, PL e outros penduricalhos.

Juscelino não topou. Era contra ele. Fez uma visita aos ministros militares e comunicou que seria candidato.

E saiu pelo país visitando o PSD. Desceu na Bahia. Antonio Balbino, governador do PTB, ainda estava em duvida:

- Juscelino, qual a verdadeira posição do Café?

- Qual deles, Balbino? O vegetal ou o animal?

DILMA

JK foi para Pernambuco. Etelvino insistia na “união nacional”.

- Etelvino, já sei que você está contra mim. Quando fala em união nacional está pensando em União Democrática Nacional. Candidato não faz união. Candidato disputa. Quem faz união é governo, depois da posse.

O chefe da Casa Militar da Presidência, Juarez Távora, depois candidato derrotado por JK, divulgou na “Voz do Brasil”, em 27 de janeiro, documento dizendo que “as altas autoridades militares apelavam para uma colaboração interpartidária, um candidato único e civil”. Juscelino respondeu com um discurso duro, escrito por Schmidt:

- “Deus me poupou o sentimento do medo”.

Conversando com os jornalistas, Juscelino ensinava:

- Em eleição, todo neutro é um adversário disfarçado.

As pesquisas mostram que Dilma cai, Aécio e Eduardo sobem. Hoje só há uma unidade nacional:

- O país não aguenta mais o PT.