8.6.14

RABO DE CAVALO, CRESCENDO PARA BAIXO

SEBASTIÃO NERY -

O Galaxie azul parou na porta da casa do economista, barão e meu amigo Zito Souza Leão, em Recife, em 1974. Saltaram senhores sisudos, excessivamente preocupados. Trancaram-se numa sala. Duas horas depois, o Galaxie azul rolou para o aeroporto dos Guararapes. Cid Sampaio, Paulo Guerra e Nilo Coelho já podiam esperar em paz o senador Petrônio Portela, que chegava a Pernambuco para escolher o novo governador. Os três caciques tinham encontrado, afinal, uma fórmula de acordo.

Durante meses, cada um tinha trabalhado sua lista. Cid Sampaio: Paulo Maciel, Sebastião Barreto Campelo, Leal Sampaio. Paulo Guerra: Geraldo Magalhães, José do Rego Maciel, general Bandeira. Nilo Coelho : Marco Maciel, Roberto Magalhães, coronel Vilarinho. Na casa de Zito Souza Leão, tinham fundido as três listas numa só: Paulo Maciel, Marco Maciel, Roberto Magalhães. Sentiam-se invencíveis. 

MOURA 

No aeroporto, Arnaldo Maciel, ex-secretário de Cid Sampaio no governo, chama o governador Eraldo Gueiros a um canto:

- De Brasília, o ministro Costa Cavalcanti acaba de telefonar dizendo que o Planalto informa que o governador vai ser o Dr. Leal Sampaio.

- Se o Planalto informa isto, vou dizer ao Petrônio Portela que passe direto para a Paraíba.

O deputado Luís de Magalhães Melo cochichava:

- Preciso falar urgente com o Eraldo. O candidato quente hoje em Brasília é o Dr. José do Rego Maciel (pai de Marco Maciel). E infelizmente eu não tenho como denunciá-lo. Estou vendo se consigo uma certidão de nascimento para provar que ele tem mais de 70 anos.

Petrônio Portela chegou, “somou o consenso”: Moura Cavalcanti 46 votos; Paulo Maciel 22; Marco Maciel 20. Voltou para Brasília. Pernambuco soube que o governador era Marco Maciel. E era Moura Cavalcanti. 

DILMA 

Na ditadura era assim : nomeação. E Geisel nomeou Moura. Na democracia não adianta estrebuchar. Quem nomeia é o povo. Geisel ainda nomeou Figueiredo, que já não podia nomear Maluf. Ganhou Tancredo.

Lula e o PT acharam que poderiam nomear quem quisessem e para sempre. No governo, Lula nomeou Dilma e Haddad em São Paulo. E é o fracasso que se sabe. Fora do governo, Lula tenta nomear Alexandre Padilha e Dilma de novo. E é o desastre que se vê: Padilha não sai dos 3% e Dilma escorrega ladeira abaixo, mês a mês. Caiu 10% em dois meses.

Escandalosamente acobertada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o escritório eleitoral do PT, Dilma usa a Presidência da Republica como Comitê Central de campanha e faz dos palácios do Planalto e da Alvorada sede de convescotes e comícios internos diários. Os demais candidatos são proibidos pelo TSE de pronunciamentos eleitorais. Mas Dilma, como mico de cemitério, salta diariamente de televisão em televisão, dando entrevistas, fazendo campanha. E nem assim. A pesquisa dela cresce como rabo de cavalo. Para baixo. Chegou a 33. 

FUTEBOL 

Todo mundo fala em futebol. Falo eu também. Meu amigo Helio Duque, economista, professor, está preocupado com o outro lado da Copa.

1- O escritor Eduardo Galeano, no livro “Futebol ao Sol e à Sombra”, constata: “A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos expectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo. O futebol profissional não tem escrúpulos, porque integra um sistema de poder inescrupuloso”.

2. – Na Europa, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade oficial respeitada mundialmente, denunciou: “Os clubes de futebol são vistos por criminosos como veículos perfeitos para a lavagem de dinheiro. A lavagem de dinheiro no futebol se revela como sendo mais profunda e mais complexa do que se pensava antes".

3. – O jornalista Jamil Chade, de Genebra, atesta: “Apenas em 2011, a FIFA registrou mais de 5 mil vendas e compras de jogadores, com uma movimentação de US$ 2,3 bilhões. Segundo a Fifa, é apenas parte da história e 4 de cada 10 dólares negociados nunca aparecem nas contas”.