INFORMAÇÃO LIVRE

23.7.14

IBOPE OU SENSUS NADA MODIFICA A FISIONOMIA DE UMA CANDIDATURA REJEITADA ENTRE SEUS PRÓPRIOS PARES. PT BOQUINHA LIGA O SINAL VERMELHO E CLAMA POR LULA-LÁ. COMPOSIÇÕES REGIONAIS DESMANCHAM ACORDOS DAS CÚPULAS PARTIDÁRIAS. DESMANCHE PETISTA/ALIADOS JÁ É EVIDENTE

ROBERTO MONTEIRO PINHO -

Quando falei aqui sobre a rejeição da comandanta Dilma, os petistas boquinhas fizeram beicinho, alguns a ponto de dizer que eu não entendia coisa alguma de eleição. Ocorre que não é preciso entender de eleição, basta apenas estar antenado com a voz da sociedade, e por outro, saber avaliar o quanto esse governo está a dever para os brasileiros, quando se preocupa apenas na manutenção  do status de seus correligionários. O projeto de poder do PT naufragou, não apenas por causa das eleições, mas devido à audácia de querer manipular a sociedade através de mecanismo políticos, uma grosseira cópia tupiniquim do modelo leninista.

Em coma induzido por conta da recente pesquisa do Instituto Sensus, com o registro da alta rejeição da comandanta Dilma no país, com 42,4% de rejeição, à frente de Aécio, com 25,3% e de Eduardo Campos, com 25,2%. Já a Pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, apontou que os eleitores que rejeitam a presidente em todo país somam 35%. No Estado de São Paulo, esse percentual sobe para 47%, enquanto na capital, a rejeição à presidente atinge 49%.

São Paulo é principal colégio eleitoral do País, com mais de 30 milhões de eleitores. (22,4% dos eleitores brasileiros), próximo de um quarto do eleitorado, e isso é um problema, que a meu ver, sequer Lula-lá poderá reverter. 

Acordos convencionais se desmancham diante da nova realidade 

Embora tenham opinião dividida, os boquinhas do PT e aliados ainda apostam suas fichas na campanha na TV, que inicia no dia 19 de agosto, sendo que a aliança em torno da candidata tenha o maior tempo de TV, com 12 minutos e 22 segundo.

Sinceramente não vejo a menor possibilidade de Lula-lá, reverter à alta taxa de rejeição de Dilma, já que a comandanta a meu ver é o retrato dessa realidade junto ao eleitorado. O PT errou? Teria que fechar questão na candidatura de Lula no lugar da pesadona Dilma? O fato é que já existem sinais de desânimo nas fileiras do PT, detectados de forma visível nas composições regionais, onde os partidos da aliança estão desmanchando acordos convencionais e na pratica fazem campanha da forma que mais lhes convier, desde que não percam o poder, mesmo sendo regional, é importante vencer, ou seja: “vão-se os anéis, mas ficam os dedos”.

Para quem não sabe, em São Paulo, a candidatura do petista Alexandre Padilha ao governo é dilacerante e por isso nas pesquisas alcança cerca de 4% das intenções de voto. Lula-lá vive “seu inferno astral”, não que não conheça essa realidade, eis que disputou por quatro vezes a sua eleição, mas dessa vez o fardo é diferente, ele não carrega o próprio peso, e sim os pesadões do PT boquinha.

Um dos pontos altos da campanha petista será no dia 31 de julho, (quinta-feira) quando Lula e Dilma participarão da plenária da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo. Na semana seguinte, Dilma participará, ao lado de Lula, de outro grande comício reunindo mais quatro centrais sindicais: UGT, CGTB, UST e CTB. A associação da candidatura da comandanta Dilma, tendo Lula-lá ao seu lado, num terreno em que apenas o ex-presidente e dirigente sindical conhece, me parece outro “tiro no pé”, já que essas centrais, não estão totalmente afinadas com a candidatura de Dilma, ao contrário, são elas as que mais vetaram a presidenta. 

No perde e ganha nos Estados Dilma está em desvantagem 

Há quem avalie que a comandanta Rousseff não repetirá os resultados obtidos na eleição de 2010 em seis Estados, quando deixou José Serra (PSDB) no retrovisor. Se em São Paulo, (com 22,4% dos eleitores), o quadro é desalentador, diante de diferenças que de longe podem superar 1,8 milhões de votos.

Enquanto Minas Gerais e Pernambuco, onde Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) certamente terão votações expressivas, outros Estados, como Bahia, Ceará, Rio e Maranhão têm um quadro bastante diverso do que existia quatro anos atrás. Em 2010, a Bahia deu 2,7 milhões de votos de vantagem a Dilma. No Ceará, ela conseguiu outros 2,1 milhões. Pernambuco (1,97 milhão), Minas Gerais (1,75 milhão), Maranhão (1,63 milhão) e Rio de Janeiro (1 milhão) completaram o quadro, garantindo-lhe folga de 11,27 milhões de votos sobre o rival.

Nos outros quatro Estados, o principal problema hoje é a proximidade cada vez maior do PMDB com o PSDB. Na Bahia, a legenda articula uma frente de oposição a Dilma que inclui o DEM. Além disso, o PSB de Campos terá candidatura própria entre os baianos. No Rio, Sérgio Cabral (PMDB) deu palanque a Dilma em 2010, mas este ano, pesadíssimo, debilitado eleitoralmente e totalmente sem o mesmo prestígio da época, tenta fazer seu sucessor Pezão. O mesmo ocorre no Ceará, onde o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira quer ser candidato ao governo, mas sente-se preterido pelo PT. Assim, tenta também uma aliança ao menos informal com o PSDB de Tasso Jereissati.

No Maranhão, o PT tenta não melindrar o clã Sarney, que ainda está sem um nome forte para disputar a sucessão da governadora Roseana Sarney (PMDB). Mas o diretório regional do PT deve vetar uma aliança com o PMDB. 

Em 2010, a eleição foi ao segundo turno e Dilma venceu por 46,9% dos votos válidos, contra 32,6% de Serra. Com Aécio Neves, perde em Minas, São Paulo, Bahia e no Rio Grande do Sul, e a diferença, segundo avaliam os articuladores de campanha, já´estaria aqui com mais de 15 milhões de votos. Imagina-se que em Belo Horizonte, em 2010, a comandanta Dilma havia terminado à frente de Serra no primeiro turno, com 30,92% contra 27,73%. No segundo, surpreendentemente o tucano teve 50,39%, e a petista, 49,61%. 

Tempo de TV é “um tiro no pé

Há que aposte que se a comandanta dos boquinhas Dilma Rousseff ficar calada no horário gratuito (e faz sentido,) já que nos estádios por conta da Copa do Mundo, suas aparições mesmo no telão, foi recebida ao som de estridentes vais e longas vaias, poderá obter melhor resultado. E se não comparecer nos debates, melhor ainda, eu particularmente acho que a presidenta não terá o equilíbrio necessário a ponto de suportar a pressão de Cunha e Aécio, principalmente quanto às questões da economia, mensalão e escândalos via Pasadena. 

Tenho a nítida convicção de que da mesma forma que tentaram blindar e conseguiu por nove anos que o STF se arrastasse para julgar os envolvidos no mensalão, o caso Pasadena teve blindagem para proteger Dilma. Hoje a bem da verdade por mais que se queira ignorar é leviano pensar que a sociedade brasileira num todo, aceite argumentos não convincentes, para isentar políticos dos escândalos de sua administração, mormente se tratando do mais alto cargo do país, a Presidência da República.

Mas é pouco, eis que a peça principal nessas eleições tem um divisor, são as redes sociais, capazes de mobilizar milhões de pessoas, a exemplo das manifestações de julho de 2013. Mais a frente à realização de uma Copa do Mundo rejeitada e criticada não apenas pelo aspecto econômico e social, mas também pelo sarcasmo de uma entidade - a FIFA organizadora do evento, que tudo ganhou e nada deixou. Pergunto: o que vamos fazer com os Estádios?

Esse legado da Copa é um dos principais vetores negativos para a campanha da comandanta. Por isso digo e repito, os boquinhas do PT podem começar a contagem regressiva, o projeto de poder, se esvai, de tal forma, que a reeleição da comandanta, está cada dia mais distante. Quem vai explicar que a segurança da Copa já não mais existe, e que serviu apenas para dar segurança a estrangeiros enquanto a sociedade brasileira está realmente relegada ao abandono do Estado? Lula-lá com certeza nada sabe a respeito.