27.11.15

MÁSCARAS

MIRANDA SÁ -

“A máscara, metáfora do anonimato, impede o olhar social que reconhece e amarra cada um ao seu próprio lugar, à sua própria identidade e ao que dela se espera”. (Claudia Cruz Lanzarin)


A máscara tem origem antiquíssima. Pode-se dizer, com base científica, que o seu uso nasceu no início do processo civilizatório da humanidade. De madeira, metal ou tecido, representando animais ou seres fantásticos, disfarçaram feiticeiros e xamãs em rituais mágico-religiosos.

Os museus, pelo mundo afora, exibem ornamentos belíssimos dos astecas, da China, do antigo Egito, dos incas e dos maias. Nossos pagés, tupis e tapuias, exibiam maravilhosas plumagens.

Adivinhos charlatães e falsos médiuns até hoje abusam do uso de máscara, cuja palavra vem do latim mascus, “fantasma” e do árabe maskharah, “homem disfarçado”. Além do Teatro, onde o uso é freqüente, encontramos nas festas tradicionais como carnavais e Halloween, as pessoas se mascarando para manter o anonimato.

Freud estudou a representação que os indivíduos criam psiquicamente para si próprios, escondendo o verdadeiro ‘eu’ diante da sociedade; mas nem o pai da psicanálise nem o seu discípulo rebelde Jung – criador do arquétipo “persona” -, explicaram porque esse disfarce pretende, na maioria das vezes, esconder verdades e propósitos escusos.

O discurso político é uma máscara. Desde os primeiros tempos, a eloqüência, muita vez, ocultou intenções e projetos, como a História registra na atuação oratória do grego Demóstenes e dos romanos Catão e Cícero; e, modernamente em plano internacional, tivemos Gandhi, Hitler, Mussolini, Churchill,  e mais recentemente Martim Luther King.

Distinguiram-se no Brasil, o padre Antônio Vieira, Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, Antonio Vieira de Melo e Ulysses Guimarães.

É inesquecível o “Último Discurso” do filme “O Grande Ditador”, com Chaplin fazendo uma sátira em plena tirania nazista, imitando Hitler e ao contrário deste, defendendo os direitos humanos ao realçar: “Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos…”

A persuasão discursiva real ou demagógica, nesses tempos paupérrimos em oradores, é suplantada pelo disfarce, com lobos vestindo a pele de cordeiro. Quem não se enganou com a fisionomia de Demóstenes Torres, irascível com a corrupção e mergulhado nela?

E agora, com Delcídio Amaral, cuja fisionomia e lhaneza nos enganaram por tanto tempo? A revelação do gangsterismo dele gravadas pelo ator Bernardo Cerveró é chocante. Nas suas intervenções malignas só faltou sugerir o assassinato do juiz Moro, como projetou o articulista Vinicius Torres Freire.

Para os lulo-petistas, que cultuam os criminosos do partido presos por assaltos ao patrimônio público, esse comportamento deve ser um arrebatamento de heroísmo. É o que se deduz na exaltação de bandidos pela juventude petista, um dos focos metastáticos do câncer da corrupção que corrói o organismo nacional.

Na análise das máscaras que impedem o olhar social como metáfora, como estudou nossa epigrafada, professora Claudia Cruz Lanzarin, cabe uma pergunta: Os petistas honestos (ainda os deve haver) reconhecem que foram enganados por João Paulo Cunha, Delúbio, Dirceu, Genuíno e Vaccari?

Será que há alguém neste País que honestamente acredita que os hierarcas do PT roubaram dinheiro público em nome de um ideal? Será que a subtração de valores nas verbas ministeriais e o recebimento de propinas foram feitos pelo bem do Brasil?

O certo é que se popularizou no País a sentença reconhecendo que quem apóia um bandido, não o faz ideologicamente, mas se acumplicia com ele.