27.11.15

PETRÓLEO E PODER ECONÔMICO DO ESTADO ISLÂMICO. A RELAÇÃO OBSCURA ENTRE TERRORISMO E O SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL

WLADMIR COELHO -


O chamado Estado Islâmico (EI) controla um território calculado em 210 mil quilômetros quadrados envolvendo parte da Síria e do Iraque. O domínio desta vasta região possibilitou o acesso e exploração econômica de campos petrolíferos, mineração, agricultura, estações de rádio e televisão.

Os militantes do EI não convertem-se em operários, agricultores, funcionários públicos no momento da ocupação destas áreas preferindo estabelecer um sistema de tributação e no caso do petróleo aplicam a regra máxima do liberalismo garantindo à iniciativa privada a sua produção e comercialização.

As informações referentes ao volume de recursos a disposição do EI apresentam variações e os cálculos mais pessimistas mostravam, em dezembro de 2014, a existência de dois trilhões de dólares em ativos e um rendimento diário de três milhões de dólares somente com o contrabando de petróleo.

Naturalmente a movimentação destes valores financeiros necessita do apoio do sistema bancário internacional possibilitando, inclusive, o saque em caixas eletrônicos dos salários para os terroristas do grupo espalhados por diferentes pontos do planeta ou compra de armamentos e veículos, de luxo ou combate, da Toyota e outras marcas incluindo estadunidenses.

Como fonte de recursos financeiros o EI também atua em: tráfico de pessoas, venda de antiguidades, sequestro. Também recebem doações dos príncipes árabes e alguns pesquisadores ainda detectam a presença destes terroristas no mercado das drogas.

O poder econômico do EI fundamenta-se, principalmente, no controle de áreas produtoras de petróleo e nestas encontramos, inclusive, a existência e funcionamento de refinarias.

Apesar dos anunciados bombardeios às refinarias o EI revela a sua capacidade de sobrevivência ao importar as chamadas refinarias modulares ou mini refinarias que construídas em blocos e ligadas por tubos possuem a condição de transferência ou de rápido reparo das partes danificadas.

Para meditação: As fábricas destes modelos de refinarias encontram-se, em sua maior parte, nos Estados Unidos e na China. O pacote de venda inclui desde o estudo do tipo de petróleo a ser refinado a eventual manutenção.

Apesar de denominadas também de mini refinarias trata-se de uma estrutura de tamanho considerável percorrendo um longo caminho da fábrica até o seu comprador e não devemos esquecer que o negócio com os fabricantes dificilmente foi fechado em dinheiro vivo.

O Estado Islâmico e o petróleo roubado da Síria

Em fevereiro de 2015 o insuspeito The Washington Institute for Near East Policy informava que “o contrabando de petróleo bruto e derivados é fundamental a manutenção do Estado Islâmico”.

A este respeito torna-se necessário entender a importância do petróleo para economia da Síria. Sobre o tema o Congressional Research Service dos Estados Unidos em abril de 2015 comunicava aos senadores e deputados dos Estados Unidos que o petróleo até 2011, antes da guerra civil, representava para a Síria 25% de suas receitas e 45% de suas exportações.

Além do conflito armado, completava o informe oficial, as sansões dos Estados Unidos contra o governo Bashar al-Assad, contribuíram para a queda e impedimentos legais para a comercialização do petróleo sírio.

Assim não fica difícil concluir que o espaço comercial torna-se, inclusive em função do bloqueio comercial da Síria, aberto aos contrabandistas prontos para atender a qualquer interessado.

Retornando ao informe do Congresso dos Estados Unidos o controle das áreas produtoras de petróleo na Síria encontram-se controladas pelo EI enquanto as instalações de exportação continuam em poder do governo.

Ao que sabemos este fato não impediu o contrabando de petróleo por parte do EI considerando o conteúdo do citado informe do Congresso dos Estados Unidos: “O petróleo [controlado pelo EI] é enviado por caminhões à fronteira com a Turquia e vendido a corretores de petróleo”.


Neste sentido o informe do The Washington Institute for Near East Policy completa: “O contrabando de petróleo bruto e derivados é fundamental para a manutenção do Estado Islâmico (...) gerando entre dois e três milhões de dólares ao dia”.

Continua amanhã.