28.11.15

PETRÓLEO E PODER ECONÔMICO DO ESTADO ISLÂMICO. A RELAÇÃO OBSCURA ENTRE TERRORISMO E O SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL (PARTE II)

WLADMIR COELHO -



As sanções econômicas na origem das redes de contrabando. A culpa é do Saddam.

Os Estados Unidos apresentam de forma rotineira a punição comercial aos governantes que não atendem de forma satisfatória as suas determinações. A vitimas deste ato autoritário e imperialista constituem, via de regra, de países produtores de petróleo com limitado poder de defesa militar.

Não raramente segue-se ao bloqueio a formação de um “exército rebelde” que da noite para o dia apresenta-se bem armado dominando vastas áreas com potencial ou produtoras de petróleo.

Os casos mais recentes encontraremos na Líbia e Síria. No passado, não muito distante, O Iraque passou por um roteiro semelhante com consequências cruéis para a população civil.

Ao privar um país da comercialização de sua principal fonte de riqueza a consequência imediata foi a fome. Este fato escandalizou o mundo obrigando a criação pela ONU, como forma de “humanizar” o bloqueio dos Estados Unidos, o programa “petróleo por alimentos” permitindo o escambo do mineral por produtos alimentícios.

O resultado paralelo do bloqueio ao Iraque foi a criação de uma rede de contrabando base do atual modelo existente na fronteira com a Turquia conforme revela o anteriormente citado informe do The Washington Institute for Near East Policy: “A atual rede de contrabando de petróleo utilizada pelo Estado Islâmico é antiga e foi iniciada por Saddam Houssein em função do embargo comercial”.

O EI um inimigo dos Estados Unidos?

Desde julho de 2014 os Estados Unidos, detentor de um poderoso complexo de guerra, combatem diretamente o EI apresentando resultados pífios no campo militar e econômico.

A este respeito David S. Cohen, ex subsecretário para o terrorismo e inteligência financeira dos Estados Unidos, revelava em outubro de 2014: “Do mesmo modo como acontece com o resto da campanha [militar] contra o Estado Islâmico, nossos esforços para combater o seu financiamento vai levar tempo. Nós não temos nenhuma bala de prata, nenhuma arma secreta para esvaziar os cofres do Estado Islâmico da noite para o dia.”

Vejamos: O Estado mais poderoso do mundo do ponto de vista militar e inteligência que consegue espionar os dirigentes de países como a Alemanha, segundo um membro de seu governo, não possui informações suficientes para barrar no campo militar e econômico um grupo de terroristas constituído, em sua base, por adolescentes?

O EI não brotou de um poço de petróleo no Iraque em 2014 o grupo terrorista articula-se com outras forças desde 2004 existindo grande dificuldade para uma pessoa normal acreditar no desconhecimento dos Estados Unidos dos objetivos e atividades de seus membros.

A este respeito o professor Gunter Meyer – diretor do Centro de Pesquisa para o Mundo Árabe da Universidade de Mainz – apresenta uma interessante afirmativa publicada em junho de 2014 no site do Deutsche Welle: “A fonte inicial do financiamento do Estado Islâmico tem origem nos países do Golfo [Pérsico] principalmente a Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e os Emirados Árabes Unidos”.

E continua o professor Meyer ao explicar o apoio destes aliados de primeira hora dos Estados Unidos ao EI: “A motivação deste apoio é a luta contra o regime do presidente Bashar al Assad na Síria”.

Quanto a convivência ou conivência entre os Estados Unidos e EI o professor Meyer apresenta uma constatação demolidora: “Durante a conquista de Mosul [Iraque] os membros do Estado Islâmico ostentavam grande quantidade de armas e veículos estadunidenses”.

O controle de áreas produtoras de petróleo no Iraque desde 2013 possibilitou ao EI a produção de pelo menos 10 mil barris ao dia.

Armas e acesso facilitado ao sistema financeiro internacional constituem poderosos insumos ao fortalecimento do Estado Islâmico. A origem apresenta-se de forma cristalina.

Continua amanhã.