29.11.15

PETRÓLEO E PODER ECONÔMICO DO ESTADO ISLÂMICO. A RELAÇÃO OBSCURA ENTRE TERRORISMO E O SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL (PARTE III)

WLADMIR COELHO -



Sistema financeiro internacional e terrorismo.

Enquanto o governo dos Estados Unidos revela a sua “surpresa” e “perplexidade” diante do poderio econômico e militar do EI um grupo de antigos combatentes feridos no Iraque após um ataque terrorista resolve processar os bancos Credit Suisse AG, HSBC, Standard Chatered, Royal Bank of Scotaland e Barclays PLC.

Estes veteranos de guerra e familiares dos militares mortos exigem, desde novembro de 2014, uma indenização de 150 milhões de dólares dos bancos, que segundo eles, possibilitaram a movimentação dos recursos financeiros do grupo terrorista responsável pelo atentado.

Observe: Uma associação de ex-combatentes conseguiu rastrear o movimento financeiro de um grupo terrorista envolvendo, pelo menos, cinco bancos internacionais. Enquanto isso o governo do país que controla um gigantesco sistema de espionagem afirma não possuir uma “bala de prata” para colocar fim no poder econômico do IE.

Talvez a arma secreta sonhada pelo antigo subsecretário David S. Cohen não seja tão secreta assim.

O The Financial Action Task Force (FATF), entidade intergovernamental responsável pelo combate a lavagem internacional de capitais financeiros, apresentou em seu relatório de fevereiro de 2015 um roteiro básico da movimentação financeira do EI.

Apesar de resaltar que “uma parcela significativa dos dados relacionados a este assunto é de natureza sensível tornando-se por isso restritos ao conhecimento público” o relatório da FATF confirma o petróleo como principal fonte de recursos do IE e revela a existência de um sistema bancário próprio deste grupo associado aos órgãos financeiros internacionais e foram detectados depósitos em numerário excessivos em contas nos Estados Unidos transferidos em seguida para áreas próximas daquelas controladas pelo EI.

Como forma de facilitar esta integração financeira somente no território iraquiano controlado pelo EI, principalmente em Mosul, existem 90 sucursais de bancos internacionais que continuam operando inclusive com serviço de caixas eletrônicos cuja estrutura parece imune aos bombardeios.

O EI quando o assunto é respeito a propriedade privada dos bancos atua de forma curiosa segundo o relatório do FAFT “o dinheiro existente em bancos estatais passa a ser propriedade do Estado Islâmico” enquanto aqueles encontrados nos bancos privados são religiosamente respeitados aplicando-se ao correntista “uma tributação no momento do saque”.

Com relação ao banco estatal do Iraque, continua o relatório do FAFT: “Estima-se que o Estado Islâmico passou a controlar meio bilhão de dólares de bancos estatais no Iraque”. O documento não apresenta com clareza como este recurso seria utilizado em transações internacionais considerando a necessidade de sua conversão em moeda estadunidense cuja abundancia na região do Golfo Pérsico é bastante conhecida.

A resposta para a forma de conversão dos dinares em dólares talvez encontremos a partir da liberação da “parte sensível” do relatório.
O escritório de advocacia Duhaime especializado em análise para grandes empresas, governos e corporações a respeito de atividades financeiras dos grupos terroristas é responsável pela elaboração de um documento muito acessado por interessados em compreender a movimentação dos recursos financeiros do EI.

Neste documento intitulado White Paper on Islamic State, lançado em maio de 2015, estranha-se que “Até a data do lançamento deste documento os setores públicos ou privados pouco realizaram para detectar ou prevenir o financiamento do Estado Islâmico” e completa com relação a movimentação dos recursos decorrentes da principal fonte de renda do EI: “Não é possível um comércio de petróleo sem o envolvimento e apoio de instituições financeiras de forma voluntária ou não”.

Vejam que a autora é delicada e oferece o beneficio da dúvida ao sistema financeiro internacional que é conhecido e reconhecido, desde a renascença, pela inocência e bondade de seus dirigentes.

Continuando: O documento ora em análise informa que o Banco Mosul continua operando, com gestores do EI, realizando normalmente suas operações de pagamento e transferências e portanto, ligado ao sistema financeiro mundial.

O mesmo, o funcionamento dos bancos, ocorre na região da Síria controlada pelo Estado Islâmico observando-se, reafirma-se, a manutenção dos caixas eletrônicos.

Termina amanhã.