30.11.15

PETRÓLEO E PODER ECONÔMICO DO ESTADO ISLÂMICO. A RELAÇÃO OBSCURA ENTRE TERRORISMO E O SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL (PARTE FINAL)

WLADMIR COELHO -


Turquia a sede econômica do ISIS?

Neste ponto resgatamos o Sr. David S. Cohen, ex subsecretário para o terrorismo e inteligência financeira dos Estados Unidos que revela em documento citado anteriormente neste texto: “Quem em última análise está comprando esse petróleo [comercializado pelo Estado Islâmico]? De acordo com nossas informações, desde o mês passado [setembro de 2014] o Estado Islâmico vende a baixo preço a uma variedade de intermediários incluindo alguns da Turquia (...) parece também que parte do petróleo foi vendido a curdos no Iraque e depois revendidos a Turquia.”.

As informações até aqui apresentadas em sua maioria originadas de instituições oficiais dos Estados Unidos revelam que a Turquia – um importante aliado dos Estados Unidos – apresenta um papel fundamental na comercialização da principal fonte financeira do Estado Islâmico.

Neste ponto o anteriormente citado White Paper on Islamic State aprofunda a questão revelando que: “Segundo informações da imprensa turca o Estado Islâmico possui um consulado em Ancara – de forma ostensiva – que emite vistos oficiais e administra grandes residências e automóveis blindados para seus líderes.”

Prossegue o documento afirmando que o uso do sistema bancário, neste caso, é facilitado através da criação de empresas na Turquia e utilização do sistema bancário internacional a partir deste país.

E oferecendo o beneficio da dúvida completa: “Empresas de serviços financeiros dos Estados Unidos também fornecem serviços aos membros do Estado Islâmico no Iraque, na Síria e também na Turquia e no Líbano sem dúvida de forma inconsciente”.

No território de um outro aliado dos Estados Unidos o beneficio da dúvida perde força e informa a autora em análise: “No Katar os terroristas do Estado Islâmico tornam-se clientes preferenciais ou VIPs e através dos bancos locais aplicam em qualquer parte do mundo incluindo em fundos internacionais”.

O sistema financeiro internacional condena a humanidade às trevas

A associação do poder econômico gerado a partir da exploração petrolífera aos totalmente desregulamentados bancos internacionais revela a crueldade de um sistema cujo único objetivo encontra-se no lucro.

Esta tenebrosa associação não ocorre apenas entre o EI e bancos revela-se de forma cristalina inclusive entre os detentores do oligopólio do petróleo cujo papel no modelo de sustentação econômica do EI necessita de uma análise cuidadosa.

Afinal quem garante o fornecimento de equipamentos de exploração, treinamento de mão de obra para o funcionamento dos campos petrolíferos controlados pelo EI?

Devemos ainda considerar que a queda na produção de petróleo no Iraque e a venda, através da Turquia, de petróleo contrabandeado a preços inferiores aos praticados no mercado, contribuem efetivamente para a manutenção da política deliberada que prejudica as economias de países como Venezuela, Rússia e Irã.

Esta prática também favorece a reserva de grandes quantidades de petróleo em áreas de fácil exploração enquanto os Estados Unidos utilizam-se do petróleo derivado do xisto reservando para o futuro o petróleo fruto destas regiões em conflito.

O capital mata para garantir a sua reprodução enquanto isso os detentores do monopólio da informação enganam os trabalhadores apresentando a farsa do noticiário no qual homens bons combatem homens maus. Na realidade associam-se de forma subterrânea aos assassinos.