25.11.15

SAMARCO É PUNIDA PELO DESASTRE

Por LÚCIO FLÁVIO PINTO -Via blog do autor -


Tanto o governo federal quanto o de Minas Gerais, controlados pelo PT, foram lenientes em relação às responsabilidades da Samarco e omissos quanto à participação da Vale e da BHP/Billiton, proprietárias da empresa de pelotização de ferro, no desastre de Mariana. Declarações reticentes e falta de firmeza nas atitudes por parte dos seus chefes ou representantes, a começar pela presidente Dilma Roussef e se estendendo a cardeais do PSDB. Mas a reação da agência internacional de risco Standard & Poor’s foi categórica.
Uma das mais respeitadas do mundo, a agência anunciou hoje que decidiu cortar a nota da Samarco, depois do rompimento da barragem de rejeitos. O motivo: as operações da empresa estão paralisadas por tempo indeterminado.
A paralisação na produção “aumenta os riscos de descumprimento de cláusulas contratuais restritivas (covenants) em 2016 em face da falta de geração de fluxo de caixa, enquanto valores imprevisíveis relativos a multas e passivos contingentes podem prejudicar a liquidez da empresa”, comunicou a agência.
A S&P argumentou ainda que o “atraso na retomada das operações” pode “aumentar os riscos de a empresa entrar em default em suas obrigações financeiras”. Ou seja: não poder pagar suas dívidas. Como a Samarco não opera no mercado de capitais, o único indicador seguro da sua situação é a sua dívida: seu tamanho e a capacidade de pagá-la.
Por causa do desastre, a Samarco foi rebaixada para o grau especulativo. A nota da empresa em escala global foi posta em revisão para um possível novo rebaixamento.
É porque até agora ninguém sabe dizer qual o valor – exato ou aproximado – das indenizações que a empresa terá que pagar. Eles constituem “a incógnita para o futuro financeiro”, admitiu a própria Vale, na semana passada.
Só o Ibama aplicou multa de 250 milhões de reais pelos danos ambientais, valor que deverá ser aumentado ainda, mas já é bastante superior à cobertura do seguro da empresa para esse tipo de caso.
A Samarco se antecipou a essa progressão e ainda firmou, com o Ministério Público de Minas Gerais. um termo de compromisso preliminar para o pagamento de R$ 1 bilhão por danos ambientais.
Com a entrada em cena do mundo financeiro internacional, a questão fica mais complicada. E se aproxima mais da realidade, sem as fantasias dos interessados