26.11.15

SENADO DECIDE POR 59X13 MANTER A PRISÃO DE DELCÍDIO AMARAL. GRAVAÇÃO É O PRIMEIRO PASSO DO ACORDO DE DELAÇÃO DE CERVERÓ

Por CLÁUDIO HUMBERTO - Via Diário do Poder -


O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado Federal, abriu com atraso de 45 minutos a sessão extraordinária especial que decidiu, por 59 a 13 votos, manter preso o senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo Dilma, preso em flagrante tramando obstruir a investigação sobre a compra superfaturada, pela Petrobras, da refinaria americana de Pasadena. Essa negociata está na origem das investigações sobre a gatunagem ocorrida na patroleira brasileiro.

Antes de colocar o caso em votação, Calheiros leu um parecer tentando descaracterizar o flagrante que determinou a prisão preventiva.

Foram votos vencidos, porque pretendiam a soltura de Delcídio, nove senadores do PT: Angela Portela (RR), Donizete Nogueira (TO), Gleisi Hoffmann (PR), Humberto Costa (PE), Jorge Viana (AC), Regina Souza (PI), José Pimentel (CE), Lidenbergh Farias (RJ), Paulo Rocha (PA). Acompanharam essa posição os senadores Telmário Mota (PDT-RR), Fernando Collor (PTB-AL), João Alberto Souza (PMDB-MA) e Roberto Rocha (PSB-MA). Edison Lobão (PMDB-MA) se absteve.

Delcídio Amaral se reuniu em um apartamento, no flat Gonden Tulip, para tramar a obstrução das investigações da Lava Jato, com o banqueiro André Esteves, o advogado Sergio Ribeiro e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. A reunião foi gravada por Bernardo, que se utilizou do próprio celular.

Durante a conversa, Delcídio deixa claras as suas propostas em troca do silêncio de Nestor Cerveró sobre sua participação na negociata de Pasadena, que lhe rendeu, segundo delação do lobista Fernando Baiano, uma propina no valor de US$ 1,5 milhão, correspondentes a R$ 5,7 milhões.

O senador se comprometeu a pagar uma mesada no valor de R$50 mil e sugeriu uma "rota de fuga" de Cerveró para a Espanha, num jato Falcon 50, passando pelo Paraguai, além de garantia que usaria seus contatos para pressionar ministros do Supremo Tribunal Federal a tomar decisões favorável ao ex-diretor, que está preso em Curitiba.

GRAVAÇÃO DE TRATATIVAS DE DELCÍDIO É ARMA PARA REDUÇÃO DA PENA

Ao entregar às autoridades a gravação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) tramando contra Operação Lava Jato, Bernardo Cerveró deu grande passo para diminuir a pena do pai, Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, preso em Curitiba. A gravação fez o Supremo Tribunal Federal mandar prender Delcídio, o banqueiro André Esteves e outros cúmplices é já é parte do acordo de delação premiada recém-assinado.

O que a gravação revela é que Cerveró negociava de fato um acordo de delação, mas os grampeados ainda não sabiam do acordo.

Impressiona, na conversa com Delcídio, André Esteves e o advogado Sergio Barros, o sangue frio de Bernardo Cerveró, que gravava tudo.

Na parte de amenidades da conversa da máfia, Bernardo conta com certa graça, e evidente amargura, a visita da sua filha ao avô na prisão.

“O governo Lula-Dilma, por si só, é um crime continuado”, afirmou Efraim Filho (DEM-PB), ironizando a prisão do líder do governo.