3.12.15

A EDUCAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ESTÁ PAGANDO PELA CRISE

DANIELA ABREU -

UERJ de portas fechada. Terceirizados sem pagamentos. Escolas sem limpezas. Funcionários Públicos com pagamentos ameaçados.


Em menos de uma semana o governo do Estado nocauteou o que restava da educação, em todos os setores, universitário, técnico e médio e fundamental.

O ataque à educação do Estado do Rio não começou este ano, mas sem dúvida os rumos de uma politica meritocrática e privatista que prioriza a verba pública para os setores privados, criando mecanismos para esse escoamento são tão provocadores desse processo de sucateamento quanto o corte violento da pasta da educação.

Foram mais de dez bilhões cortados na pasta ministerial da Educação no ano de 2015, impactando desde o início do ano as universidades federais e a educação das Redes Estaduais e Municipais. Um ano marcada por paralizações de funcionários terceirizados, greves das federais e ocupações por alunos das escolas estaduais em São Paulo.

A crise brasileira passa prioritariamente por uma crise de ordem politica, e o que chamam de crise financeira não é natural. A crise é uma opção política que visa servir o capital, nenhum grande empresário, dono do agronegócio ou banqueiro pode sofrer perdas e para de acumular suas mais-valias, dessa maneira quem paga com a crise são os setores sociais e essenciais para a existência de um bom IDH.

No Rio de Janeiro o governo acaba de anunciar que funcionários públicos da saúde e da educação terão seus salários parcelados, um anúncio terrorista para qualquer trabalhador no final do ano, quando já tem seus planos de confraternizações, presentes, viagens programadas. Perverso para quem elege este o momento de resolver dívidas e reorganizar a vida. A insegurança dos profissionais sobre o seu 13º trouxe o sentimento de revolta dentro das escolas.

A mais de um mês as escolas estaduais estão sem limpezas diárias, levando a uma situação semelhante a da UERJ que decretou condições insalubres de funcionamento. Funcionários terceirizados subjugados, amedrontados com a perda do emprego muitos aceitam dobrar o trabalho mesmo sem a remuneração justa.

O modelo político que vem se apropriando das escolas em todo país tem uma engrenagem que ao mesmo tempo precariza e apresenta mecanismos de maquiagem. Fórmulas milagrosas escamoteiam a realidade do ensino brasileiro. (Que mesmo com tudo planejado para dar resultado ainda assim consegue está 60º lugar no que tange a qualidade do ensino entre 76 países mais)

O IDEB (Índice de desenvolvimento da educação brasileira) é o resultado da aprovação com as notas das provas externas como SAERJ no Rio de Janeiro e SARESP em São Paulo. Aprovar passou a ser dever do professor e se ele não cumpre uma meta de 95% de aprovação, pagará por isso. Durante o ano no Estado do Rio de Janeiro professores que aplicam muitas notas vermelhas são obrigados a produzir relatórios de cada aluno justificando. Este ano passaram a exigir recuperação para cada avaliação bimestral, ou seja, uma sala de aula mecanizada e focada em números e resultados, mas para não parecer essa ausência da interatividade projetos, e as chamadas aulas pops são a prova que o governo necessita para dizer que aposta no conhecimento diferenciado.

Muitas empresas como a Fundação Roberto Marinho e Ayrton Senna tornam-se responsáveis por projetos milagrosos, de reforço escolar ou de ajustar a distorção idade série. Tudo muito bem pensado em como escoar verba pública para setores privados, sucatear as instituições públicas, lotar as salas de aula e garantir a aprovação de quase todos os alunos. Para tudo isso acontecer sem questionamentos é necessário combater qualquer forma real de organização dentro das escolas, tornando conselhos escolares uma extensão da direção que por sua vez é um gestor pronto a obedecer seus supervisores e garantir a política neoliberal orientada pelas secretarias de educação.

Os primórdios do governo Cabral buscou seduzir profissionais com programas dentro das escolas paralelos a educação formal, os que se envolviam nesses programas eram agraciados com gratificações e bolsas. Desta maneira no lugar de aumento real salarial tivemos verbas específicas para o reforço escolar, dando principalmente para os docentes de português e matemática a
possibilidade de tornarem-se uma elite dentro das escolas. Ao invés de liberar os profissionais para seus mestrados e doutorados, o governo criou parceria com determinadas pós visando uma formação continuada direcionada a sua política. Utilizou-se de verba pública para cooptar parte dos profissionais.

Vivemos o momento do esfacelamento do conto de fadas, com o corte orçamentário, e gastos priorizando tudo menos um investimento real na qualidade do ensino, a Educação do Estado do Rio de Janeiro entra em colapso e enfrenta seu pior momento.

Paralelo a toda crise, o Fies que teve mais de 13 bilhões este ano, acaba de receber mais 6,5% do total para os novos contratos, mostrando qual a prioridade que estes governos elencam para a educação.

O que ficam são indagações e indignação. Quando pensaríamos que uma universidade como a UERJ decretaria fechamento por insalubridade. Escolas chegam ao final do ano se arrastando, sem verba para nada, com a limpeza comprometida e com salários pela metade. Provavelmente uma boa tática para aprovar todo mundo, nesse caos o professor se desestimula, aprova todo mundo e na fórmula do sucesso subimos no IDEB e no ranking mundial.