27.12.15

É A VIDA!

GERALDO PEREIRA - De Sarandi, Paraná -


Quem vive muito tem muitas histórias para contar. Algumas boas, outras regulares, sofríveis a maioria.

Há uns 18 ou 20 anos, mais ou menos, venho ao Paraná no Natal, nessa cidade de Sarandi, já totalmente ligada à majestosa Maringá, cujo progresso material e cultural, muito me impressiona. Dos seiscentos e vinte quilômetros da cidade de Itapevi-SP onde resido, a Sarandi-PR, onde me hospedo na casa da dona Alvina, que me deu de presente Josefina, e desta já recebi Laura.

Porto seguro, na travessia para a viagem sem retorno e a plena convicção de que ambas já colocaram sobre seus ombros, a tarefa de me acompanhar na encosta da vida onde me encontro.

Tendo vivido intensamente a fase da chegada, e com a consciência plena de que vivo a fase da partida. Partida que todos os seres humanos terão que obedecer quando a força que desconhecemos nos chamar, para dizermos que o nivelamento de todos os seres humanos terá que ser feito com a vida. Uma vez que todos são irmãos e não podem esquecer que são filhos da natureza, e que devem conviver em Paz, todos nivelados, pois esse nivelamento se fará em vida ou com a morte.

Daí os bens matérias pelos quais os homens se matam em disputas onde vale todos os lances, para comprarem a cobertura diante da praia, os carrões importados na garagem com motoristas, depois é a fazenda para alguns fins de semana, fazenda que se vai de helicóptero. É a lancha, o avião, tudo obtido explorando miseravelmente os seus empregados, passando para trás seus sócios, antes seus amigos. Contratando sábios advogados, bem relacionados com os meios jurídicos, para os acertos de praxe. Morto, não leva nada, a morte nivela a todos.

Essa decadência moral, também os leva com certeza absoluta, para a corrupção. E nesse campo a dinheirama é de tal ordem que se faz necessário abrir firmas, tantas, contas e mais contas nos paraísos fiscais, mais tarde transformados em paraíso da infelicidade, e neles, em atos de profunda falta de respeito, esses corruptos colocam as esposas, filhas, filhos, irmãos, genros, noras e amigos.

O negócio é alimentar o estomago da corrupção, sem querer tomar conhecimento de que a sua fome é insaciável.

Os ladrões da Petrobras, aí estão. O Paulo Roberto Costa, pelas fotos publicadas constantemente na imprensa diária, nos parece uma pessoa simpática, há pouco, numa entrevista para a Folha, ele afirmou que “estava se sentindo um leproso”. E outro parceiro seu, o Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Estatal, conheceu o lobista Julio Faerma, representante comercial da SBM, se oferecendo para acompanha-lo em viagem aos Estados Unidos, a fim de submeter-se a um tratamento médico realizado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

A Petrobras estava no apogeu, construindo plataformas e navios, desenvolvia o navio Plataforma na Bacia de Campos, e foi esse projeto, segundo Barusco, responsável pelo seu primeiro ato de corrupção, recebendo comissão da SBM, em 1998, no período em que FHC era presidente. E passando a receber, desde então, US$ 5 mil mensais pelo período de sete anos. Daí por diante, o que é natural os corrompidos e corruptores passaram a ter uma relação fraterna, e nessas relações, nem mesmo os entes queridos dos corrompidos, não tiveram nem sequer o zelo pelos mesmos. Muitos deles hoje, sofrendo a vergonha de ser pai, mãe, filho, irmãos, genro, noras, amigos, enfim a família jogada no lamaçal próprio do regime capitalista, que provoca as necessidades superfulas. Barusco já se comprometeu a devolver 97 milhões de dólares a União.

É a vida. Luiz Carlos Prestes, “Um homem acima de qualquer suspeita”, como muito bem escreveu mestre Helio Fernandes, nas páginas da TRIBUNA DA IMPRENSA, no dia da sua morte. Lembro-me que na missa de 7º dia do saudoso colega Edmar Morel, rezada na Capela de Bonsucesso, na Santa Casa de Misericórdia, sentei-me ao lado de Prestes, logo após perguntei-lhe se tinha medo da morte, ele me respondeu que não, pois a morte nivela a todos, mas não queria dar trabalho a ninguém.

Os ladrões da Petrobras estão presos e condenados, os privilegiados estão passando o Natal com tornozeleiras, dependendo o seu futuro, da ampliação das suas delações, delações que satisfaçam ao juiz Moro.

É a vida!