14.12.15

EM 23 ANOS, COLLOR PERDEU O PODER E A MEMÓRIA

HELIO FERNANDES -


Assim que li a excelente matéria da jornalista Maria Lima com o senador e agora ex-presidente Collor (a segunda seguida, a outra foi à revelação telefônica de Renan Calheiros, dizendo que Eduardo Cunha poderia ser preso) vi logo que ele estava desmentindo a Historia. Vivi esses tempos todos, antes e depois do impeachment, sabia que quando houve a derrubada, com 441 votos contra, Bernardo Cabral já não era mais Ministro ha quase 2 anos, pedira demissão irrevogável em 1990. Se ele fosse Ministro, mais do que evidente, não existiriam tantas traições e a montanha de votos pela derrubada.

Eu sabia que o Ministro era o coronel Passarinho, Collor viajou por uns dias, o vice Itamar assumiu e logo demitiu o Ministro. Collor voltou, readmitiu-o, os dois estavam certos.

Apesar de tudo, telefonei para Bernardo, ele já escrevera carta para a jornalista, chamando a afirmação de Collor de equivoco. Mas teve a gentileza de me mandar a copia. Como a jornalista já publicou, dou-lhe os parabéns e fico nos esclarecimentos, importantíssimos. E o próprio Bernardo, não precisava, mas apresenta um testemunho imprescindível: do general Agenor, Chefe da Casa Militar, notável personagem.

Pra não dizer que não falei de Temer

O vice e a presidente, confirmam o comentário do repórter a respeito do encontro entre eles, desnecessário, perdulário, de uma certa forma atrabiliário, não havia intenção de cumprir a palavra enviada para o cidadão, totalmente falsa e falsificada. E não demorou muito. Ele, cada vez mais ufanista e autossuficiente, considera sua carta um marco na historia do Brasil, concorda, "revolucionou e vai salvar o país".

E o Ministro Gilmar Mendes, falando como Ministro do Supremo, adianta de forma inesperada: "Temer seria um ótimo presidente". Como, se não existe eleição marcada? Para Temer assumir, teria que haver a “vitoria "da deslealdade, da ambição desenfreada, da traição generalizada.

Cunha estará em liberdade no fim da semana?

Essa não é a única pergunta, existe a segunda, complementar, permanência na presidência que cobre de lama (mais do que em Mariana) todo o congresso. Falam muito em "voz das ruas", exigência que vem das ruas como um rugido, mas não cumprem. Então, mais de 80 por cento dos pesquisados, corroborados de outras formas.

Os jornais fazem editoriais duríssimos contra Cunha, o de ontem tem este titulo magnífico: "Terminou o prazo de validade do presidente da Câmara". Renan adverte, "Eduardo Cunha pode estar perto de ser preso”. E o advogado João Renato Paulo  , num artigo admirável, "Os últimos dias de Eduardo Cunha", faz este comentário irrefutável :"È um homem  que vive momentos  de desgraça  pessoal. È um doente em estado terminal. Um prisioneiro na cela, esperando o enforcamento".

Tudo isso pode terminar amanhã, na oitava reunião da Comissão de falta de ética. Não acredito, Cunha continuará dominando e comandando tudo, apesar de ter 7 votos num total de 21.

O relevantissimo Supremo

No mesmo dia em que o corrupto mór enviou ao plenário, o pedido de impeachment contra a presidente Dilma, comentei: a participação do mais alto tribunal do país ganhou um superlativo. Pois a situação se tornou mais dramática, polemica e contraditória. E mais confusa e tumultuada pela vergonhosa e deprimente intromissão do (ainda) presidente da Câmara.

O Ministro Fachin fez intervenção quando a sessão estava quase na metade, com um espetáculo de baixaria e briga pessoal, jamais visto ou imaginado. Mas ele acreditava que a votação deveria ser aberta e transparente, e não secreta, como determinou o desvairado Cunha. Fachin não queria que prevalecesse sua decisão monocrática, recorreu para o plenário. Este se reúne dentro de 24 horas, quarta feira.

O Supremo, aparentemente com muitas duvidas, insiste num ponto: nenhum Ministro pedirá vista, atrasando a decisão. Isso é importante mas não fundamental. Crucial e decisivo, é o voto de cada Ministro, formando o total para um lado ou para o outro.

A opinião publica e os que analisam ou comentam os assuntos sensatamente e sem se deixarem contaminar pela subserviência e a tentativa de auto preservação de Cunha, defenderão o voto aberto.

Faltam apenas dois dias para o plenário se reunir e decidir, unicamente expectativa. Simbolicamente a maioria seria a favor do voto aberto. “Só que Gilmar Mendes tenta convencer os outros, é preciso cautela". Já se fala até em 5 a 5, o presidente desempataria. (Isso valeu para o também corrupto Jader Barbalho, enquadrado na ficha suja. O substituto de Joaquim Barbosa não fora nomeado, o presidente não quis cumprir sua obrigação, 1 mês, antes de se aposentar, no gabinete, a pedido da cúpula do PMDB, deu ganho de causa ao corrupto do Pará. Por 6 a 5, se transformou em ficha limpa).

Dow Chemical e o general Golbery

Está sendo anunciada no mundo, a fusão dessa tenebrosa empresa com a DuPont, criando a maior petroquímica do planeta. A Dow é uma assassina, milhões morreram por causa do seu produto venenoso, o Napalm. Seus lucros mais fabulosos vieram do Vietnã, pagos pelos mortos asfixiados com esse gás venenoso.

Atuou também na Alemanha nazista, os 6 milhões de judeus que morreram no Holocausto (fora os outros) foram vitimados pela Dow. Depois veio para o Brasil, criou aqui uma filial, durante a ditadura.

Entregou a presidência ao general Golbery, o articulador mais importante do sistema corrupto torturador. Montou para ele, uma chácara em Brasília, equipadíssima, e com tudo que era necessário para comandar as ações criminosas. Não saía de lá, quem precisava ia procura-lo. Na ativa só chegou a Tenente-Coronel, passou para a reserva como general. (Com medo da vingança de Costa e Silva, Geisel, com o mesmo pavor, era da ativa foi para o STM, Superior Tribunal Militar).

Quando em 1969 Costa e Silva teve o AVC mortal e ficou incapacitado, os dois se aposentaram imediatamente. Geisel chegou a "presidente", Golbery voltou para a chácara da Dow, foi o homem mais importante desses anos arbitrários.