21.12.15

LAPINHA

MIRANDA SÁ -

“Eu já entro na lapinha (bis)/ Pois não me posso conter (bis)/ Que a sua formosura/ Enche de gozo e prazer (bis)” (Folclore)


Chegando ao período das festas natalinas, queiramos ou não, por religiosidade ou encantamento pelo folclore, vivemos o período dos presépios, sua devoção e a teatralidade das populares “lapinhas”.

A linda apresentação das lapinhas tem origem nos antigos “autos” portugueses representados em homenagem ao nascimento de Jesus; chegaram ao Brasil como “pastoris”, trazido pelos emigrantes dos Açores, Cabo Verde e Ilha da Madeira.

O grande (em tudo) Câmara Cascudo trouxe nas suas pesquisas o porquê do nome lapinha, denominação regional nordestina. Lapinha, pequena lapa, sinônimo de gruta, mitologicamente escolhida por José e Maria para o nascimento do Cristo.

A encenação consiste na atuação de dois grupos de moças diferenciadas pela vestimenta azul ou encarnada, cores dos mantos de Nossa Senhora e Nosso Senhor. Os cordões louvam uma ou a outra entidade santa.

Na apresentação desses dramas litúrgicos há um coro formado por várias pastoras e personagens que cantam em solo os motes da cantoria. Há variantes, mas os figurantes mais conhecidos são Mestra, Contra Mestra, Diana, Cigana, Anjinho, Camponesa, Estrela e Borboleta.

Os temas sacros apresentados na exibição teatral trazem muitas vezes improvisações com desafios ao contendor semelhante do outro cordão, que responde no mesmo tom. Conforme os aplausos e as contribuições em dinheiro para um ou outro fazem hastear a bandeira do vencedor.

Por isso, a competição cria grande rivalidade entre os torcedores… Ouvi a tempos em Guarabira, capital do Brejo Paraibano, a curiosa passagem (não sei se verdadeira ou invenção) de um rapaz chamado Dedé que vendeu uma propriedade para ir estudar em São Paulo.

Na noite anterior à viagem, Dedé foi assistir uma Lapinha para torcer pela Diana do cordão azul por quem era apaixonado. Lá pras tantas, a Diana do cordão encarnado fez um verso humilhante à rival do cordão azul. Dedé ficou furioso; gritou incentivando a sua predileta e deu a ela um dote vultoso para época, o total recebido pela venda do sítio… E viu-a sorrir durante toda noite com a bandeira azul no alto…

O Brasil virou uma grande lapinha com o fim do idealismo e o desprezo dos partidos pela ideologia. Aqui não se estuda nem se vota por princípios ou programas, a opção é entre o cordão azul ou encarnado.

Alguns idiotas – devem ser aqueles “trabalhadores” que não trabalham ou “estudantes” que não estudam – fazem questão de nos apontar como tucanos quando denunciamos e combatemos a corrupção dos pelegos lulo-petistas. Para eles não há outras alternativas: ou se é do PT ou do PSDB. Na sua estreiteza, pensam que tal polarização lhes favorece.

Imagina-se que há certas táticas encucadas na pequena, mas fanatizada militância petista. É uma lavagem cerebral do aderente lumpemproletariado com o conceito do “dividir para reinar”, tema, aliás, estudado na sociologia e nas ciências políticas.

Trata-se de ações para romper estruturas na base social e impedir que frações diferentes se aproximem para exercer o poder graças à divisão e à discórdia das bases políticas e sociais.

Fazem isto usando indevidamente o “politicamente correto”. Atiçam ódio nas igrejas evangélicas contra o catolicismo, e usam padres ideologizados para investir contra o protestantismo; conseguiram criar um racismo primário jogando pretos contra brancos e vice-versa; chegaram ao cúmulo de criar divergência entre nordestinos e sulistas…

Parece que estando em guerra, seguem o estrategista chinês Sun Tzu ou, na política, lembram o pensador florentino Nicolau Maquiavel… Que nada! São analfabetos. São pelegos corruptos; mas justiça se lhes faça, hábeis no manobrismo que turva a mente dos inexperientes e encobre os seus propósitos dos desavisados.

É preciso tomar cuidado com eles. Agora tramam a volta do famigerado imposto do cheque para engordar o caixa 2 do PT. Chega!