3.12.15

O EFEITO MACRI E A “MAGREZA” NAS FUTURAS RELAÇÕES LATINO-AMERICANAS

Por JOUBERT DE SOUZA -

A esquerda América Latina assiste estupefata à uma rala vitória de um candidato  medíocre para a representar a presidência da importante Argentina, nos cenários local e internacional, de nome Maurício Macri. O “Efeito-Macri”, ex-prefeito de Buenos aires e do time de futebol argentino, o Boca Junior é um político de 56 anos, filho de um imigrante italiano é também empresário milionário, num claro  indício que vai governar para os empresários(na luta de classes, por pertencer à essa classe econômica) e não para o povo, algo que serve de lição para o Brasil e também fazendo os governos latino-americanos, pró-arrochos neoliberais à repensarem e muito seus valores.

O candidato Daniel Scioli não estava comprometido de corpo e alma na campanha das conquistas kichneristas e peronistas dos últimos 14 anos, representando assim uma ala moderada que pendia facilmente em uma guinada à direita representando interesses do “Império” como é o caso da política de austeridade de Joaquim Levy, no Brasil, e  apostando na popularidade dos Kichner (e pasmém! Se afastando de sua política e da atual Presidente), aliado à um tremendo de um “salto alto” na campanha eleitoral, amargaram um resultado inesperadíssimo no primeiro turno, constando uma pequena margem de 2,1% dos votos, quando tudo indicavam que faria facilmente uma vitória dos 40% exigidos pela legislação argentina para eleger-se no primeiro e ,destarte, algo inédito na política porteña: uma eleição ir para o segundo turno, onde o povo optou  por aquele que saiu em desvantagem (como numa partida de futebol) e sem mesmo o apoio do terceiro colocado,

Sérgio Massa, que como dissidente do Governo de Cristina Kichner, por não aceitar o advento de Daniel Scioli, mesmo sendo do campo de esquerda, resolveu não dar apoio. E de forma desorganizada o Peronismo, em todas as suas vertentes tentou juntar os cacos, no que resultou na derrota eleitoral.

As pesquisas eleitorais mais que nunca se mostraram mentirosas, tanto no primeiro turno, quanto no segundo turno, à favor de um candidato direitista, fazendo dominar o medo, e a desesperança que tudo já estava perdido (diferente da empolgante campanha na Venezuela onde elegeu-se Nicolás Maduro por cerca de 1% dos votos e em outros países latino-americanos como El Salvador por exemplo) onde até de governos de esquerda democráticos vizinhos como o Brasil algo que os militantes não precisarão fazer no caso de eleições futuras latino-americanas, constando assim, para nós de esquerda, a única “meia-derrota do ano”: a eleição presidencial da Argentina, mas, independente de golpismos, como foram os casos de Honduras e Paraguai, aceitando a derrota e se reorganizando, fazendo crescer a democracia nesse país. Se soubesse disso certamente o Papa viria a fazer campanha, pois indicavam os tais institutos de pesquisas uma diferença de cerca de 10 % diferença quando na realidade foi apenas cerca de 2%:12.997.937 -51,34% para Maurício Macri x   12.317.330-48,66% para Daniel Scioli (afastamento do kichnerismo, como ala mais moderada tenderá a desaparecer).[89% de margem de erro!?!]

Trata-se na verdade, de um  Governo fadado ao fracasso. Sem maioria no Congresso Argentino, não aprovará nada que venha valer ao ajuste e rigor fiscal proposto e decantado em versos pelo neoliberalismo e que possa causar o empobrecimento do povo argentino, além das perdas de suas conquistas e sem as resistências das ruas, que, literalmente jogou um já jogou um presidente no olho da rua: o FERNANDO DE LA RUA. Será um governo sem força política, pois não têm maioria no Congresso Argentino, tudo só poderá passar com muito jogo de cintura, onde os parlamentos hispano-americanos são muito mais valorosos em ética que no fisiológico Parlamento Brasileiro, fincarão uma oposição para derrubá-lo e aprovar políticas que interessem ao povo, isso é algo que todos nós torcemos e desejamos boa sorte aos hermanos!

Certamente os verdadeiros grupos de esquerda se fortalecerão, o peronismo de esquerda se sobreporá à ala de direita depois dessa derrota fatídica, podendo indicar um curto e derrotado governo, não terá forças nem para aprovar leis devido a oposição interna em seu país, onde será também oposição a maioria das Províncias Argentinas vencidas pela oposição, dirás ainda sem maioria no Parlamento do Mercosul e sem a maioria de consenso para tentar expulsar a Venezuela, como foi no caso do Paraguai e com críticas severas de países vizinhos importantes economicamente como Brasil e Venezuela-que faz a parte da OPEP, como recentes declarações de seus presidentes, Dilma Roussef e Nicolás Maduro, onde o futuro governante argentino que tomará posse no dia 10/12 desse ano,tenta claramente influenciar grupos oposicionistas para derrubá-los, o que o fará ficar mesmo no ”olho de um furacão”, sem precedentes na história argentina!

Usa de uma “apolítica” externa provocatória típica de caudilhos gaúchos conservadores, na clara intenção de ganhar a simpatia dos rentistas ligados ao Império Yankee, no episódio que ficou conhecido como os “Fundos Abutres” que sangram a economia dos países periféricos e foram competentemente depenados por Cristina Kichner numa “moratória branca”(não declarada),mas não deixando um tribunal de um outro país intervir nos assuntos internos argentinos, como foi o caso de um tribunal de Nova York-EUA, garantindo sua soberania econômica e financeira, o que fará as penas e as garras deles crescerem novamente, tentando se alinhar aos países que formaram a famigerada  Parceria Transpacífico-TPP da América Latina onde infelizmente governos ditos de esquerda como Chile e Peru o assinaram, além do México e do próprio EUA e Canadá, na América do Norte ,o que poderá enfraquecer nossas economias locais,já que,se vier com proposta de acabar com o Mercosul o próprio empresariado argentino trata de depô-lo de seu cargo.

E o que significa em “apolítica interna” que equilibrar orçamentos, déficit, inflação, arrocho e finalmente desemprego, algo que governos verdadeiramente de esquerda não gostam de fazer, e sim fazer investimentos em políticas sociais e de desenvolvimento que poderão desaparecer. A conclusão que se chega é que o EFEITO MACRI nada mais é que um acaso na história de luta pela autodeterminação dos povos da América Latina, A tendência é a política argentina seguir os passos da política chilena, onde o Presidente de Centro-Direita Sebastían Piñera não foi unanimidade e Michele Bachelet, voltou ao poder. Será que a bela e ainda atual presidente Cristina Kichner poderá voltar ao poder como sua colega chilena?Tudo dependerá da “magreza” da política MACRI de governar!!!

*Joubert de Souza é  jornalista e colabora com a Tribuna da Imprensa Online.