17.12.15

OPORTUNIDADE PERDIDA

CARLOS CHAGAS -


Vai ficando claro porque o PMDB, apesar de ainda o maior partido nacional, não ter apresentado candidato presidencial desde 1994, quando Orestes Quércia perdeu para Fernando Henrique. Foi por falta de unidade, empenhado apenas em atrelar-se à mais favorável hipótese de alcançar o poder, mesmo periférico, que a legenda despencou numa palavra, esquecendo-se de que o objetivo maior de um partido político de sua densidade seria disputar a medalha de ouro, ainda que arriscado a não receber sequer a de bronze. A causa desse recuo, além da falta de coragem é a divisão permanente do PMDB em grupos tão egoístas quanto conflitantes. Um aglomerado de discordâncias, carente do amalgama que poderia levá-lo ao comando do país. Tem prevalecido a acomodação, para que cada segmento consiga o máximo de benesses e benefícios, mesmo às custas da realização de propósitos gerais.

O resultado aí está: o PMDB continua rachado, ainda que diante de uma possibilidade única em duas décadas, a ocupação do poder. Com seu último patrão, o PT, hoje posto em frangalhos, a legenda do dr. Ulysses e de Tancredo Neves não consegue unir-se para a vitória. Desunida, marcha para a derrota.

Melhor evidência disso inexiste quando metade de seus integrantes sustenta a necessidade de permanecer onde está, atrelada ao falido governo Dilma, ao tempo em que a outra metade sabe que, sozinha, não chegará a lugar algum.

Há meses que o PMDB deveria ter saltado de banda, tanto faz se com educação ou com truculência. Os companheiros do PT fracassaram, a hora seria de os peemedebistas construírem a alternativa. Importa menos verificar que não dispõem de um candidato capaz de empolgar o eleitorado. Na falta de alguém de peso, porém, Michel Temer mesmo serviria, até porque, nos demais partidos, a safra é mais magra ainda.

A consequência está na desmoralização. Ainda esta semana a Polícia Federal e o Ministério Público invadiram o PMDB, humilhando dois ministros, senadores, deputados e o chefe da meia rebelião, Eduardo Cunha, e nada aconteceu. O partido continua dividido: parte disposta a tirar os últimos proveitos de um conluio em extinção, parte sem saber quando romper com Madame. Só que o tempo passará e, mais uma vez, a oportunidade também. Se era para desligar-se dos escombros do PT, dando adeus à aliança fracassada, já deveriam ter realizado sua convenção e selado a separação, mesmo abrindo mão de seis ministérios inúteis. Fora daí será assistir a transformação em desimportante agremiação que caminha para as profundeza.