30.12.15

PAPO DE BAR XII: AS NOTÍCIAS QUE A MÍDIA NÃO DÁ DESTAQUE

EMANUEL CANCELLA -

Bolsa Família


Uma lição de dignidade a tanta gente que a perdeu. Por Fernando Brito • 28/12/2015.

De Moisés Mendes, no Zero Hora de ontem:

“ A personagem do ano é a mulher que sai de casa arrastando chinelos e se dirige a uma repartição do município para dizer:

— Vim aqui devolver o cartão do Bolsa Família.

A cena repetiu-se durante todo o 2015 em prefeituras do sertão nordestino ou daqui mesmo, de Canguçu, de Rosário, de Cacequi. A mãe aprochega-se do balcão para anunciar uma decisão importante. Enfia a mão na bolsa em busca do cartão e puxa aquilo que é provisório em meio a outras coisas muito permanentes. E a moça do guichê pergunta:

— A senhora pode me dizer por que está devolvendo o cartão?

— Porque agora, e enquanto Deus desejar, não preciso mais disso.

Imagine a cena da mãe que sai de casa perfumada, com o melhor vestido floreado, não para pedir ajuda, mas para dizer que não precisa mais do amparo do governo para dar de comer aos filhos. Como a decisão foi tomada com o marido e a filharada, mesmo que a grande maioria nem marido tenha?

São as mulheres que fazem a gestão do benefício do Bolsa Família. Multiplicam os contadinhos. Mas, segundo alguns contrariados com tanta fartura, seriam o exemplo de povo viciado em esmolas. Uma mãe viciada em cento e poucos reais por mês.

Viciada em moedinhas que compram farinha de mandioca, do mesmo jeito que alguns empresários se tornaram viciados em subsídios, isenção de impostos, financiamentos com juro baixo, esquemas de proteção de mercado e outras mumunhas. Enquanto, claro, falam mal do Estado.

Uma mãe assim deveria dar curso de bons modos aos que atacam o Bolsa Família como distorção que não faz bem ao povo e ao país. O povo deveria entregar-se aos milagres do livre mercado, que muitos dos detratores do Bolsa Família defendem só nas teorias.

E também juízes, promotores e procuradores beneficiados com auxílio-moradia e auxílio-alimentação perpétuos podem aprender com uma mãe pobre que se dispõe a devolver aquilo que não precisa mais, porque arranjou um emprego ou descobriu um jeito de se virar sem o socorro do governo.

A personagem de um ano de crise braba não é uma, são as milhares de mães que entregaram o cartão do Bolsa Família em 2015, sem que ninguém lhes pedisse.

Os outros agarrados a benefícios mais graúdos, que ainda se lambuzam em privilégios que eu, você e todos nós pagamos, deveriam conversar com essas mães. Mas é difícil. Eles preferem continuar viciados em bolsas fartas que também as mães do Bolsa Família ajudam a sustentar.”

COMPERJ

Comperj vai abrir 5,5 mil vagas. Em Itaboraí. “Editais para retomada de obras em duas unidades do complexo serão lançados em 2016” Jornal O Dia, 29/12/15.

Extrema pobreza

Ipea: Situação de extrema pobreza teve redução de 63% nos últimos 10 anos. Jornal do Brasil 30/12/15.

Salário Mínimo

Novo mínimo: rombo ou economia mais aquecida? “O Dieese destaca que o reajuste de 11,67% deve injetar R$ 57 bilhões em renda na economia no ano que vem; segundo estudo do órgão, são 48,3 milhões de brasileiros com rendimento referenciado ao salário mínimo; com o reajuste desta terça, o salário mínimo nacional terá alcançado um ganho real de 77,3% acima da inflação acumulada desde 2002; e passará a ter, ainda, o maior poder de compra desde 1979 em relação à cesta básica” . GGN, 30/12/15.

Turistas no Rio

TURISTAS DEVEM GASTAR MAIS DE R$ 2,5 BILHÕES NO RÉVEILLON DO RIO

“Estimativa da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (Abih) mostra que a cidade do Rio de Janeiro hospedará nesta quinta-feira, 31, em sua famosa festa de virada do ano, um recorde de 857 mil turistas; juntos, eles gastarão mais de R$ 2,5 bilhões na cidade; taxa de ocupação teve aumento de 12% em relação ao ano passado e em muitos lugares já está em 100%” . BLOG BRASIL, 247
Lava Jato.

“A pessoa está me cobrando estes R$ 300 mil”. “Que pessoa?” “Aécio Neves” (blog Tijolaço, 30/12/15).

*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).