20.12.15

SAI LEVY, ENTRA BARBOSA E NA TROCA-TROCA DE MINISTROS NADA VAI MUDAR

ALCYR CAVALCANTI -

Para que tudo mude, é necessário que tudo permaneça como está.
(Tommaso di Lampedusa)


A noticia bombástica da troca de ministros da pasta da fazenda, no fundo é apenas uma cortina de fumaça para não estragar de vez o Natal e as festividades de final do ano. A crise que assola o Planalto parece não ter fim, vai ter apenas uma pequena trégua durante o não merecido recesso dos governantes e parlamentares do final de 2015 e inicio de 2016.

Com a imensa crise onde cada um cuida de si , como na velha "Lei de Muricy" a nação caminha para um poço sem fundo, onde todos vão pagar a cota de sofrimento, onde alguns poucos vão gozar as delicias dos paraísos fiscais, com dinheiro rapinado do bolso de seus eleitores.  A política econômica da fragilizada republica brasileira é imposta pelos organismos internacionais, em especial o Fundo Monetário Internacional-FMI, quem dita as regras, ao contrário do que disse Jacques Wagner, que afirmou (mas ninguém acreditou) que é a presidente Dilma quem manda na economia. Um falso debate tem sido proposto pelos colunistas amestrados, um ministro é monetarista um "Chicago Boy", o outro que vem para consertar é desenvolvimentista formado pela "Escola de New York". Ledo engano, o vetusto FMI continua a ditar as regras nos tristes trópicos e dizem nos bares de Brasília que  alguns mandatários  abanam o rabinho, qual cachorrinhos amestrados. Desemprego em massa, inflação bem acima dos 10% maquiados pelo governo, comércio aposta no Natal para exalar seu último suspiro para ainda não fechar as portas, estados à beira da falência sem dinheiro para a saúde, educação e funcionalismo. Enquanto isso um pouco de circo para a população sofrida em um brinde de Natal: a presidente, o prefeito e o governador falido inauguram o Museu do Amanhã enquanto futurólogos fazem prospecções para daqui a cinquenta anos, sim 50, para acalmar os que querem soluções para ontem, as portas da doença e da morte batem em suas portas. Uma cena rápida deixou a impressão de um teatrinho, mas se fizermos uma leitura aprofundada a coisa é séria, o prefeito Paes emocionado beijou a mão do Pezão. Seria trágico se não fosse cômico.

Fica uma pergunta de final de 2105: "Cadê o dinheiro, o Gato comeu?". Só que desta vez não foi nenhum gato mestre, mas ratazanas eleitas pelo voto democrático (às vezes útil) que devoram com sofreguidão o queijo suíço em que se tornou a República do Brasil.