3.12.15

UM ANO DAS PRISÕES POLÍTICAS NO RIO: RESISTIR, MAIS DO QUE NUNCA, É PRECISO!

COMITÊ EM DEFESA DOS PRESOS/AS E PERSEGUIDOS/AS POLÍTICOS/AS -


Há um ano atrás, no dia 03 de dezembro, por decisão do fascista juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, era preso o companheiro Igor Mendes, e entravam na clandestinidade as companheiras Elisa Quadros e Karlayne Moraes. Alegando quebra de medida cautelar, no caso, a que proibia aos ativistas participar de manifestações públicas, o Tribunal do Rio manteve as prisões por longos sete meses, até que o Superior Tribunal de Justiça revogou-as, decisão recentemente ratificada, por unanimidade, pelos ministros.

Nesse período de encarceramento manteve nosso companheiro posição firme e coerente, à altura da juventude que tomou as ruas nas jornadas de junho. Igualmente as companheiras, a despeito de terem suas fotos divulgadas pelo “Disque-Denúncia”, exatamente como fez o regime militar contra os militantes engajados no seu combate. O fato do companheiro ter mantido a cabeça erguida, e das companheiras não terem se entregue, frustrando a perseguição policial –ilegal, ilegítima e imoral –significou grande vitória do movimento popular e, complementarmente, grande derrota de toda a reação.

NÃO NOS QUEBRARAM DESSA VEZ, NUNCA NOS QUEBRARÃO!

O que se ataca no processo dos 23, realmente, não é um punhado de indivíduos, mas organizações políticas efetivamente de esquerda, que defendem um programa classista e combativo, independente do velho Estado. É atacada a Frente Independente Popular (FIP), surgida no curso das jornadas de junho, acusada de ser uma “quadrilha armada”. O que se ataca, finalmente, no processo dos 23, é o próprio direito de manifestação, num contexto em que os governos de Dilma/Pezão/Paes ampliam sua política de encarceramento e extermínio da juventude pobre, remoções e militarização das comunidades, retirada de direitos trabalhistas e sociais e corrupção. O fato de, 30 anos após o término do regime militar, pessoas estarem impedidas de manifestar-se publicamente, sob ameaça de prisão, apenas revela que no Brasil, infelizmente, apenas é uma farsa o dito “Estado democrático de direito”.

É sabido que as jornadas de junho de 2013, e o movimento “Não vai ter Copa!”, longe de terem sido “criados” por algum grupo, foram manifestações espontâneas e heterogêneas de descontentamento com a atual situação vivida pelo País. Assim, são também diversas as interpretações a seu respeito, como são diversas as avaliações e atitudes adotadas diante da repressão desde então desatada. Nosso Comitê não tem a pretensão de representar os 23 no conjunto, nem tampouco todos os processados/as políticos/as do País (são milhares, na cidade e no campo), mas sim busca somar-se como uma voz de resistência a toda essa situação. Buscamos ser a voz dos que afirmaram e seguem afirmando que o Fascismo não passará!, dos que se negam a qualquer acordo e/ou compromissos com esse Estado reacionário, dos que entendem que a repressão demonstra o desespero e o temor das classes dominantes com o crescimento da consciência e protesto populares. Essa causa, essa luta, que
em última instância é a luta por manter erguidas as bandeiras de Junho, isso é o que temos defendido, dentro e fora dos Tribunais, e é o que seguiremos defendendo doravante.

Chamamos todos/as a somarem-se à campanha contra as perseguições políticas, que tem feito inúmeras atividades de agitação e propaganda junto à população, colagem de cartazes, panfletagens, debates e atos. A qualquer momento sairá a sentença proferida pelo torpe Itabaiana, policial de toga, inimigo declarado do nosso povo, de modo que devemos manter nossa mobilização para a nova fase que certamente se abrirá. Venha o que vier, nenhum passo daremos atrás!

Lutar não em crime!
Abaixo os processos de perseguição política!
Liberdade aos presos políticos da cidade e do campo!