12.12.15

VINGANÇA FAZ PARAR O BRASIL

Por MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND - Via Direto da Redação -


É lamentável que o Brasil fique refém de um presidente da Câmara dos Deputados que esconde contas em Banco suíço e é acusado de receber propinas em negócios escusos de propinas da Petrobras. Eduardo Cunha, chantagista e psicopata, na opinião do opositor ao governo federal, Jarbas Vasconcelos, já deveria ter sido excluído do mundo político há tempos.

Não é de hoje que se sabe que Cunha é trapaceiro e vive de expedientes espúrios, tendo inclusive sido acusado de corrupção há tempos. Ao se valer de advogados com estratégias para evitar sua condenação, como aconteceu no escândalo de corrupção da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (CEHAB-RJ), cujo processo acabou sendo anulado por decurso de prazo, Cunha tem conseguido prosseguir sua vida política, que pode estar nos estertores.

Agora está na bola sete na Comissão de Ética da Câmara, onde se tudo correr sem pressões dos aliados de Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados vai ter o mandato abreviado. Será uma medida de limpeza, porque a Câmara não resiste mais às investidas vingativas do parlamentar.

Mentiroso contumaz, ao se na vingar do governo, porque o PT decidiu não livrar a cara do meliante na Comissão de Ética, Cunha decidiu aceitar levar adiante o processo de impeachment, que está paralisando o país.

Cunha recebeu de pronto o apoio de figuras políticas como o Senador Aécio Neves e outros do gênero. Na mídia de mercado, logo depois do anúncio da aceitação do andamento do impeachment, alguns espaços midiáticos procuraram de todas as formas justificar a ação do presidente da Câmara dos Deputados.

Vale aqui citar a Globo News, que convocou seus analistas de plantão, entre os quais o imortal Merval Pereira, que não escondiam a vibração pela iniciativa aventada pela direita pelo menos desde o início do ano.

Aécio Neves e os seus correligionários, como se sabe, até hoje não engoliram a derrota eleitoral no segundo turno presidencial do ano passado. Até bem pouco tempo, a patota do PSDB e do DEM, para não falar do PPS e outros menos votados andavam de braços dados com o meliante.

Como as denúncias contra o presidente da Câmara se avolumaram, de repente, não mais do que de repente, a patota oposicionista inconformada com a derrota eleitoral resolveu se desvencilhar do parlamentar que agora é sinônimo de sujeira.

O procedimento da oposição de direita segue tão somente a tradição histórica do golpismo. É tão clara a estratégia que nem vale a pena insistir no tema.  Têm fortes aliados na mídia de mercado, que tenta enganar corações e mentes manipulando a informação.

Pode-se não concordar com o governo Dilma Rousseff, é um direito que assiste a qualquer um, mas o que não se pode aceitar é que um meliante como Eduardo Cunha procede da forma que procedeu.

Não tem sentido tentar afastar um Presidente por não concordar com aspectos de sua política. O tal radical Merval Pereira em suas análises, junto com outros do esquema Globo, dá a entender que a não concordância pode derivar em impeachment.

Esta gente repete 54 e 64, quando da tentativa de golpe contra Getúlio Vargas, abortado devido à resposta do Presidente a 24 de agosto, e a derrubada do Presidente constitucional Jango Goulart, basicamente por ele tentar incrementar as reformas de base que fariam com que o Brasil desse um salto adiante e não privilegiasse o capital, como passou a acontecer com a vitória dos golpistas de 64 apoiados pelo Departamento de Estado norte-americano.

Vale mencionar que parlamentares como Chico Alencar, do PSOL, por exemplo, opositor – pela esquerda – ao governo Dilma foi um dos primeiros a se pronunciar contra o impeachment levado adiante por Cunha, por entender claramente que o meliante só fez isso por vingança.

O mais lamentável ainda é, vale sempre repetir, que por uma ação de vingança de um meliante o país pare. O Brasil merecia coisa melhor e não cair em armadilhas de um desclassificado como Eduardo Cunha.