6.1.16

A "GUERRA DO RIO" E O CRIME DESORGANIZADO PROMOVEM MATANÇA GENERALIZADA; ROCINHA TENTA INVADIR TABAJARAS

ALCYR CAVALCANTI -

"Existe um crime organizado, alguns são presos e outros não. O Estado tem interesse em organizar o crime. Não é o crime que se organizou a si mesmo" (Padre André Hombrados)


Muito se fala em "crime organizado", mas no Rio de Janeiro em uma abordagem mais ampla quando analisamos a sua face mais visível o narcotráfico, o que parece acontecer é uma grande desorganização no chamado mundo do crime. É um salve-se quem puder, visando somente as altas taxas de lucro resultantes da venda de drogas. Passam a acontecer disputas, invasões sangrentas que se estendem a todo o Estado do Rio, formam então uma série de situações que causam terror entre os cidadãos que só querem viver em paz e harmonia. A "Guerra do Rio" tem aterrorizado moradores indefesos em todos os bairros não só da cidade mas em todo o Estado. Redes criminais desorganizadas e desorientadas atacam territórios localizados nas favelas de todo o estado para disputa de ponto de venda de drogas, a varejo.

A politica de segurança do Estado do Rio de Janeiro tendo como carro chefe as Unidades Pacificadoras as UPPS, em um primeiro momento e com apoio total da mídia  parecia que iria transformar não só o Rio de Janeiro, mas todo o país em um paraíso tropical. Ao que parece seria a aplicação da velha tática (nem sempre bem sucedida) de dividir para reinar, no caso para aniquilar o inimigo. Na prática a primeira tentativa foi aniquilar a rede criminal mais bem sucedida, o Comando Vermelho, que em seu início era coesa e com um bom nível de organização, requisitos necessários para conseguir sobreviver frente às condições sub-humanas dos presídios. A consequência esperada foi o fortalecimento da Amigos dos Amigos-ADA, o ressurgimento com força total do Terceiro Comando-TC e o surgimento talvez mais perigoso das Milícias, grupos paramilitares formados por ex-policiais, bombeiros e mesmo alguns policiais ainda no serviço ativo.

Invasões acontecem diariamente em todo o estado, intensificadas na Zona Oeste da cidade, estendidas a Niterói e Baixada e agora aterrorizam a Zona Sul, como a série de conflitos entre a ADA e o CV em várias localidades, e desde o inicio do ano na Ladeira dos Tabajaras em Copacabana, um dos locais mais cobiçados pelos turistas de todo o mundo que estão chegando aos milhares para as festas de Carnaval. Na disputa de territórios entre as facções ninguém lucra, mas todo mundo perde, principalmente aqueles que são atingidos pelas balas perdidas, mas que sempre tem endereço certo, dizimando pessoas inocentes que apenas lutavam para sobreviver.