24.1.16

DESONESTIDADE

MIRANDA SÁ -

“Ajuntar tesouros com língua falsa é uma vaidade fugitiva; aqueles que os buscam, buscam a morte.” (Provérbios 21:6)


Está na formação e no caráter das pessoas a escolha entre ser honesto, não mentir, roubar, enganar ou trapacear, ou então escolher o lado oposto, ser desonesto, mentiroso, ímprobo, iníquo, desleal.

Ser honesto significa adotar um comportamento de respeito aos bens alheios, principalmente quando se trata do patrimônio público. Agindo dessa maneira, não precisa de jeito algum alardear honestidade.

Vem de longe, do século XVIII a.C, leis compiladas no famoso Código de Hamurabi trazendo punições para a desonestidade. Também os ensinamentos de Buda trazem condenações para os desonestos, explicitando que “mentir para se justificar e se proteger não é ‘ser honesto’.

A tradição religiosa judaico-cristã também combate o desonesto. No Novo Testamento, o evangelista Lucas, ensina a virtude através de contos populares, como o “Filho Pródigo” e o “Bom samaritano”, explicitando: “Quem é fiel nas coisas pequenas também será nas grandes; e quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes.”

Apesar dessas lições, escarnecendo do povo que acompanha a sua trajetória política e pessoal, o fanfarrão Lula da Silva num café da manhã com blogueiros partidários apossou-se do monopólio da honestidade dizendo “Não tem uma viva alma mais honesta do que eu”.

A imprensa divulgou que esta bazófia arrancou gargalhada da platéia. E não foi por acaso: com a frase encerra duas grandes mentiras. Mostrou desonestidade usando auditório de mercenários pagos com dinheiro público e falou de “alma viva” sabendo-se que as almas são dos mortos…

Para Lula, não custa dinheiro do seu bolso nem esforço nenhum vangloriar-se diante de comparsas que mamam nas tetas do Erário ou comem os restos do banquete das propinas. Felizmente fica impossível que a sua fala fique presa intramuros, e o povo brasileiro tomando conhecimento delas fica indignado.

O sentimento de repulsa é ter a noção, quase certeza, da trajetória corrupta, do ex-presidente desde a vida sindical. Poucos, de sã consciência, desconhecem o trabalho anticorrupção da Operação Lava Jato, executada pela Polícia Federal, Ministério Público e o juiz Sérgio Moro.

Não bastassem as investigações que envolvem o Pelegão, bastam as suas companhias por si só para envolvê-lo nas teias da corrupção na Petrobras, empresas estatais e fundos de pensão. Seus parceiros, hierarcas do PT estão presos ou sob buscas policiais e jurídicas; e quanto aos aliados, basta citar alguns nomes como Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Collor, Gedel Vieira, Sarney, Lobão e Maluf…

Na verdade, o nome de Lula ainda não apareceu como deveria, pois é suspeito de ser o mentor e chefe da organização criminosa que assaltou o Brasil; mas já é alvo de várias delações de réus envolvidos em criminosas transações com seus companheiros José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

Sagaz, com doutorado na escola dos pelegos sindicais, Lula sabe que é muito mais fácil corromper do que persuadir; mas não tendo estudo não aprendeu com Sócrates que “Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade”.