7.1.16

DILMA E LULA TENTAM ESPANTAR FANTASMA DA DIVISÃO NO PT

Via Correio do Brasil -
A presidenta Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, reuniram-se na noite de terça feira com um único objetivo: afastar o fantasma de um cisma entre o PT e o governo, em um momento delicado do mandato que o partido conseguiu, nas últimas eleições presidenciais. Dilma e Lula, segundo interlocutores, conversaram sobre as medidas necessárias para reduzir o impacto da crise externa na economia nacional. Participaram do encontro o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e o presidente nacional do PT, Rui Falcão. O chefe de gabinete da Presidência, Giles Azevedo, foi chamado e participou da reunião por alguns minutos.
O diálogo ocorreu após fatos que mostraram fraturas na legenda. Wagner, no fim de semana, disse que o PT “se lambuzou” no poder ao reproduzir práticas da velha política, como o financiamento privado de campanhas eleitorais. Aliados têm dito à presidenta que o ex-presidente sabe – e até estimularia – que o PT amplie as cobranças ao governo, principalmente por mudanças na política econômica, considerada por ele fundamentais para a recuperação da popularidade de Dilma.
Mas Lula também prega que as discussões ocorram em nível interno, e não pela mídia conservadora que, nesse momento, reúne forças para tentar um novo golpe de Estado no país. Ao contrário do que o líder petista deseja, porém, setores do partido não economizam munição para atacar o governo. Na véspera, o presidente da comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, senador Paulo Paim (PT-RS), emitiu nota para defender que “a sociedade civil se mobilize contra esta barbárie”, como ele classifica a reforma trabalhista e previdenciária que o governo pretende realizar ainda este ano.
“As centrais sindicais, confederações, federações, sindicatos de base, associações de classe e congressistas comprometidos com os trabalhadores, aposentados e pensionistas demonstraram publicamente a indignação com o anúncio de um pacote do governo federal de reformas trabalhista e previdenciária.
“Na verdade, trata-se da retirada de conquistas da nossa gente, o que é inaceitável. Propor a idade mínima de 65 anos para efeito de aposentadoria para homens e mulheres, desvincular o salário mínimo dos benefícios previdenciários, querer aprovar projetos como o da “terceirização”, que não respeita a atividade-fim, e, ainda o famigerado ‘negociado sobre o legislado’, que permite que a negociação prevaleça, desrespeitando a lei, nem a ditadura e os liberais do passado o fizeram.

‘Guinada à esquerda’

Na primeira semana de fevereiro, com o fim do recesso, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) chamará uma audiência pública para que a sociedade civil se mobilize contra esta barbárie”, diz a nota. O tom não agradou ao Planalto
No encontro com Dilma, Lula discutiu as possíveis mudanças na política econômica do governo que, segundo tem afirmado, precisam contar com a baixa dos juros para estimular a linha de crédito para investimentos e priorizar a construção civil, para geração de empregos.
Lula aplaudiu, internamente, a substituição do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, a quem responsabilizava por fazer apenas acenos ao mercado. O ex-presidente chegou a indicar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o lugar de Levy, mas concordou com a nomeação de Nelson Barbosa, que ocupava o Ministério do Planejamento.
A cúpula do PT acredita que a solução para a economia brasileira passa por uma “guinada à esquerda”, embora tenha constatado que a presidenta resista em seguir por esse caminho. Os petistas preveem que Dilma continuará com a sua política de aceno aos investidores e, a exemplo do senador Paim, criticam a reforma da Previdência proposta por Barbosa e defendida pelo governo.