31.1.16

LAVANDO A JATO E PASSANDO A LIMPO

EMANUEL CANCELLA -

Vox Populi: “Lava Jato cansou...”


Os petroleiros ficaram tranquilos com a investigação na Petrobrás, inclusive, de forma sintomática, durante a operação, melhoraram todos os indicadores da companhia: aumentaram a capacidade de refino; na produção de óleo, levaram a Petrobras ao primeiro lugar no mundo, ultrapassando a petroleira americana Exxon Mobil e ainda ganhamos, da OCT, pela terceira vez, o “Oscar” da indústria do petróleo. E o pré-sal, que os críticos diziam que estava dormindo no fundo mar, já produz um milhão de barris por dia, o suficiente para abastecer juntos todos os países do Mercosul.

Os petroleiros, os primeiros responsáveis pela Petrobrás, têm que repetir isso várias vezes, pois para divulgar o prêmio da OCT, a Petrobrás teve que comprar, a peso de ouro, duas páginas de o Globo. Entretanto, de graça, a mídia fala mal toda hora da Petrobrás.

“Se a Petrobrás melhorou todos os indicadores, a Lava Jato vem ladeira abaixo na credibilidade com os brasileiros. Segundo o Viomundo, 29/1: “Em pesquisa do Instituto Vox Populi de dezembro de 2015, apenas 24% dos entrevistados disseram manter o mesmo elevado interesse do início da Lava Jato, taxa idêntica àquela dos que “não têm qualquer interesse pelo assunto e nunca tiveram”. Outros 18% afirmaram que “tinham muito, mas agora a acompanham sem interesse”, enquanto 10% responderam que “tinham muito, mas perderam completamente o interesse”. Entre os restantes, 21% “nunca tiveram grande interesse e assim permanecem” e 3% “nunca ouviram falar” no assunto.“

Até dá para entender os baixos índices de aprovação do governo Dilma, porque a mídia fala mal dela, o tempo todo.  Mas a Lava Jato está ladeira abaixo, segundo opinião pública, mesmo com apoio irrestrito da mídia, inclusive recebeu até prêmios da Globo e, muito estranhamente, até do governo dos EUA.

Como, segundo os procuradores, a Lava Jato vai durar pelos próximos 3 anos, por coincidência o tempo que resta do mandato da presidente Dilma, há algumas sugestões a serem feitas,à própria Lava Jato, para buscar resgatar a credibilidade da Operação junto a sociedade: saber quanto ganha a mulher do juiz Sérgio Moro, como advogada contratada do PSDB do Paraná. Pode ser que ela trabalhe de graça para os tucanos! Justamente o PSDB, o principal partido de oposição, e que tentou privatizar a Petrobrás, quando foi governo. Seria só coincidência a Lava Jato investigar a Petrobrás e ser chefiada pelo marido da advogada do PSDB?

Depois queremos saber quanto o banqueiro do BTG, André Esteves, pagou, em dinheiro, para ter acesso à delação vazada do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Ceveró. O banqueiro teve acesso à delação de Ceveró, antes do STF, o que torna a denúncia mais grave ainda, segundo o Globo de 30/1. Não podemos esquecer que o delegado da PF, Protogenes de Queiroz, foi expulso da polícia e condenado em processo porque vazou detalhes do processo do banqueiro que mandou prender, Daniel Dantas, aliás, o delegado foi expulso mas o banqueiro conseguiu dois habeas corpus, do ministro Gilmar Mendes em menos de 24 horas e foi solto.

Vazamento de processo da justiça é  coisa grave, que o diga o delegado Protogenes. Mas a Lava Jato, de forma seletiva, vaza toda semana, e não acontece nada, aliás, acontece sim, pois segundo o resultado da pesquisa do Vox Populi, cada vez mais a lava Jato entra no descrédito com a sociedade!

Para melhorar o desempenho da Lava Jato eles poderiam contratar um marqueteiro ou um ambusdman para buscar uma sintonia com o sentimento popular.

Blindar os parlamentares do PSDB, como Antonio Anastasia e Aécio Neves, esse duas vezes citado na operação, não investigar a corrupção do governo de FHC, na Petrobras, mesmo ele confessando em seu livro, isso parece um tiro no pé! Ao invés disso, a operação prioriza a investigação de supostos envolvimentos da nora, do filho, do amigo, do apartamento e o sitio que não é de Lula, e o barco sem motor de dona Marisa, esposa de Lula. Assim a Lava Jato não dura três anos!

*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).