10.1.16

“MÃOS AO ALTO, 3 E 80 É UM ASSALTO”: A VOLTA DO MPL ÀS RUAS

Por MAURO DONATO - Via DCM -


A CPTM apresentou 331 panes durante 2015, ou seja, praticamente todos os dias os trens causaram transtornos aos passageiros. Já o monotrilho que era para estar pronto para a Copa do Mundo de 2014 está paralisado, abandonado e sem previsão.
Ontem, pouco antes do início do ato contra o aumento da tarifa convocado pelo Movimento Passe Livre, Geraldo Alckmin anunciou a suspensão das obras para extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos por pelo menos mais 12 meses. Assim já são quatro as linhas suspensas pelo governo estadual desde a reeleição de Alckmin, em 2014.
É por isso que a tarifa que vigorava até ontem já era cara: não se chega a todas as pontas da cidade se não for através de vários intermodais e todos eles caros, lentos e de má qualidade.
No quesito ônibus alguns progressos ocorreram, mas wifi, ar condicionado e corredores exclusivos estão concentrados nas áreas centrais e mais nobres. Na periferia continua a mesma porcaria. Portanto R$ 3,80 não dá. Pouco importa se está abaixo da inflação. O serviço prestado não justifica o valor e muito menos comporta um aumento uma vez que o barões dos ônibus e os cartéis de empresas que atuam no metrô permanecem insaciáveis e inimputáveis.
“O metrô de São Paulo é um dos menores do mundo. São mais de 20 anos de PSDB que não deu prioridade ao transporte e por isso hoje a cidade é um caos. Estamos aqui contra o desmonte no sistema de transporte que é um atitude contra a população mais pobre”, disse Altino Prazeres, presidente do sindicato dos metroviários, presente na manifestação.
Ele tem razão, um estudo do IPEA de 2011 revela que a cada aumento da tarifa uma quantidade proporcional de passageiros abandona o transporte público. Vai então para o carro, para o helicóptero? Claro que não, passa a andar a pé, de bicicleta, vassoura mágica, qualquer coisa mais barata pois o bolso não é elástico.
São necessários 13,5 minutos de salário médio em São Paulo ou Rio de Janeiro (estudo realizado por economistas da FGV) para se pagar apenas uma tarifa. Em Nova Yorque são 5,8 minutos. Paris ou Pequim exigem 4,5 minutos.
Há isenções para muitas categorias (estudantes, idosos, deficientes, desempregados) e uma parcela deve mesmo pagar por isso, mas não tendo que se dedicar mais que o dobro do que em outros países que possuem uma malha dezenas ou centenas de vezes mais abrangente e de melhor qualidade.
Aqui o transporte é ruim, lotado e cada vez mais caro. “As políticas públicas de mobilidade de nada adiantam se as pessoas não podem pagar por essa mobilidade, se não temos os 3,80 para pagar o transporte”, afirmou Luíse Tavares do Movimento Passe Livre.
É por todo esse quadro que ontem o dia já começou quente com o MPL trancando a saída do Terminal Lapa antes mesmo das 6 da manhã. Doze horas depois iniciava uma caminhada com mais de 5 mil pessoas que partiu do Teatro Municipal e terminou logo depois em grande repressão da polícia que havia recebido carta branca do Secretário da Segurança de Alckmin.
O segundo ato está agendado para a próxima terça-feira. Vejamos se a polícia irá mais uma vez atuar contra a população em uma causa legítima.