29.1.16

MPL CRITICA GOVERNOS POR 'AUSÊNCIA DE DIÁLOGO'

Por BRUNO PAVAN - Via Brasil de Fato -

Movimento convidou Haddad (PT) e Alckmin (PSDB) a participarem de debate no sétimo ato contra o aumento das passagens. Nenhum deles compareceu.

Aconteceu nesta quinta-feira (28) o sétimo ato contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô em São Paulo. O Movimento Passe Livre (MPL) havia convidado o prefeito Fernando Haddad (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a debaterem o aumento dos preços do transporte junto aos manifestantes. Ambos não compareceram.

Laura Viana,  militante do MPL , explica que o convite reforça que o movimento não é intransigente e nem recusa o diálogo com o poder público.

"Na verdade, quem se recusa a dialogar de forma clara são os governantes. A única reunião que nos ofereceram até agora foi com a Secretaria de Segurança Públcia, e isso deixa bem claro que, para o Estado, manifestação tem que ser combatida como problema de segurança pública, e não como a insatisfação legítima da população", afirmou.
Também ativista do movimento, Letícia Oliveira defendeu a proposta de debate realizado na rua: "a gente acredita que o diálogo se pauta nas ruas, ouvindo as pessoas. A ideia é ser algo bem tranquilo. A gente pretende dar um momento de fala pra eles e, se eles não vierem, a gente vai falar sobre o aumento, a população vai falar o que ela quer falar".
O frei Agostino, membro da Missão Eucarística Voz dos Pobres e também presente na manifestação, criticou a postura da Polícia Militar em relação aos protestos de rua e afirmou a importância de apoiar as mobilizações nesse momento. "Estar nas decisões politicas é uma necessidade, hoje. Se faz necessário estar sempre em luta".
Protesto
A concentração da manifestação ocorreu no Largo do Payssandu, centro da capital paulista, e o encerramento, após um curto trajeto,  aconteceu em frente À prefeitura de São Paulo, onde um debate público ocorreu. 

Logo após o ato da ultima terça-feira (26) o movimento convidou publicamente o prefeito da capital Fernando Haddad e o governador do estado Geraldo Alckmin para um diálogo com os manifestantes.

"A ausência é triste, mas já era esperado. A gente não esperava que eles estivessem dispostos ao diálogo. Eles deixaram muito claro a postura que eles têm desde sempre, que é não negociar com a população", afirmou Laura.
O debate que se seguiu contou com a participação de Lúcio Gregori,  ex-secretário de Transportes da gestão Luíza Erundina (1989-1993). De acordo com ele, o subsídio dos governos para o transporte público no Brasil é muito baixo. 
Gregori afirmou que, em São Paulo, o cidadão precisa trabalhar 13 minutos para pagar a tarifa de R$ 3,80. Comparativametne, "em Buenos Aires você precisa trabalhar dois minutos e meio. Isso equivaleria a uma tarifa de R$ 0,85. É preciso ter uma política robusta de financiamento", disse.
Representantes dos estudantes secundaristas, cuja mobilização culminou na suspensão da reorganização escolar proposta pelo governador Geraldo Alckmin no fim de 2015, falaram na parte final do ato. "Me perguntam porque eu estou aqui, já que eu tenho passe livre, mas quando eu for um trabalhador eu vou ter que pagar a tarifa também. Por isso é essencial estarmos aqui", disse um deles, que não se identificou.
O ato não teve indicentes de violência e contou com cerca de mil pessoas presentes, segundo a organização. Contatados pelo Brasil de Fato, tanto o governo municipal, quanto o estadual, não retornaram repostas aos questionamentos da reportagem.
O próximo protesto convocado pelo MPL está marcado para o dia 25 de fevereiro.