11.1.16

"NESTE 2016, A INFLAÇÃO VOTARÁ PARA O CENTRO DA META"

HELIO FERNANDES -


Quem seria capaz de fazer uma afirmação alucinada como essa? Lógico, Dona Dilma. O centro da meta é de 4,5 por cento. Mesmo que tivesse se confundido com o teto da meta, esta é de 6,5 muito longe. No dia 30 de dezembro, ela falou que a inflação fechara o ano em 10,21. Mal começou 2016, a informação oficial: "A inflação é de 10,67".

A de 2016, não expectativa mas realidade, já está em 7,6 por cento. Isso apenas decorridos 11 dias desse "promissor" 2016. Não existe um índice ou um numero que seja favorável aos cálculos da presidente. E ela não é ajudada por ninguém dentro do governo, da "base aliada" ou até dos oposicionistas complacentes.

Quem parece estar sempre contra ela, é o presidente do Banco Central. No meio de 2014, a Taxa Selic estava em 7 por cento cravado e a inflação ligeiramente acima. Doutor Tombini resolveu então escrever um roteiro tipo Woody Allen: sem limite para os juros, limitando a inflação. Resultado: os juros estão em 14,25 por cento e a indomável inflação, quase em 12 por cento.

Mas achou que ainda havia espaço para aumento dos juros, deu entrevista á televisão. Textual: "Vou aumentar os juros para derrubar a inflação”. Logo depois do carnaval aumentará 0,50. E diz que "não tem medo de passar dos 15 cento".

Dona Dilma, na fase faladeira ou falastrona, não se limitou á inflação. Confessou: meu grande equivoca foi não ter percebido, em 2014, que a economia desacelerara. Alem de toda a incompetência, Dona Dilma é completamente desaparelhada. Precisava na época e continua precisando agora, de um calendário. A economia desacelerou em 2012, praticamente 1 ano depois da posse. Só foi perceber 2 anos depois, é uma "genia" completa.

Com ou sem impeachment, mesmo que o Ministro Toffoli não esteja certo na avaliação, seu futuro é o mais negativo possível. Não se conta pelo tempo ou espaço e sim pela capacidade de resistência. Era pouquíssima em 20l0 , quando foi eleita, desapareceu a partir de 2011 quando tomou posse.

A favorecida montadora automobilística

A partir de l940, em plena guerra, os americanos constataram: era mais lucrativo montar os carros, do que exporta-los prontos. Acertaram em cheio. Não podiam exportar para a Europa. Quase todos os países tinham indústria automobilística prospera e compradores poderosos. Exploraram então a África, Ásia, America do Sul.

O Brasil foi o mais explorado. Vieram sem capital, arranjaram tudo aqui. Ganharam fortunas, remeteram lucros fabulosos. Foram obtendo mais favores do governo, apesar de venderem os carros mais caros do mundo. Nos últimos 3 anos produziram menos 30 por cento.

Dos 10 milhões de desempregados, 25 por cento foram despedidos das montadoras, 400 mil das revendedoras que fecharam no Brasil inteiro. Os ricaços das montadoras , cada vez mais ricos, não mudaram de vida , os trabalhadores ,desesperados, não sabem o que fazer.

A lama de Mariana, não chegou á Bahia.
A lama da Lava Jato está chegando.

Do Paraná surgem a cada dia mais noticias espantosas. Nem digo surpreendentes, afinal Brasília tem uma capacidade incrível de multiplicar os Eduardos Cunhas. Mas ninguém esperava que Jaques Wagner se transformasse tão rapidamente nessa manchete negativa e ruidosa. O que foi revelado sobre o Chefe da Casa Civil, pode não ser verdade, mas está bem perto da realidade.

As denuncias começam em 2006, quando se elegeu governador. Continuam em 2010 com a reeleição. E sempre ao seu lado, José Sergio Gabrieli, presidente da Petrobras. Num acesso habitual de mau humor, Dilma demitiu Gabrieli. Para onde foi? Secretario do governador da Bahia, e candidatissimo a sucessor de Wagner.

Mas em 2012, os rumores sobre os escândalos do petrolão, afastaram o nome de Gabrieli. Ruim para Wagner, deu um jeito, elegeu um desconhecido. Com isso seu prestigio em Brasília decolou. Não no PT e sim no Planalto-Alvorada. Ministro da Defesa, quando reclamaram que haviam colocado um comunista para comandar generais.

Quando ficou impossível manter Mercadante no centro dos acontecimentos, a "solução" foi devolvê-lo á "pátria educadora". E colocar Wagner na Casa Civil, com a "missão" de amansar Michel Temer.

Agora o que Dona Dilma fará? Espera a elucidação da Lava jato, ou toma providencias por sua conta e risco?

A manifestação contra a inflação

Os "especialistas", que erram sempre, desacertaram mais uma. Consideraram que a revolta e o protesto era contra o aumento das passagens de ônibus, trens, metro, não perceberam que atingia, tudo, englobado. Começou com o aviltante aumento no indispensável preço das passagens, invadiu outros setores.

O trabalhador gasta 4 horas diárias, (ida e volta) para ir e voltar para casa. E não pode nem se alimentar, a comida ficou 13 por cento mais cara. Remédios subiram astronomicamente. Os salários desaparecem antes de comprarem o essencial. (Sem falar nos 10 milhões de  desempregados, numero que vai aumentando  desabaladamente.

Isso não pode acabar bem em 2019. Os que travaram e continuarão a travar a guerra suja de 2016, 17 e 18, estarão no cenário em 2019, não para construir e sim para destruir o pouco que sobrou.

Que já está aumentando neste 2016 que tem tudo para ser pior do que 2015. A revolta é contra o governo, banqueiros, oposição, concessionários, não perdem nada. A possível perda com a inflação é logo reposta.

O trabalhador paga essa reposição, e tem que pagar diariamente a sangria que foi devolvida aos exploradores.

È evidente que isso não terminará bem. Seja em 2016, 2017, 2018. E em 2019, haja o que a houver, a tragédia será pior. Os personagens que travam a guerra suja de agora, querem o poder em 2019, não para reconstruir o resto que sobrou.