12.1.16

POETAS E POESIAS DE ONTEM E HOJE

CELLY ADELINA -

Eu li, agora não sei precisar onde, 'podeis chorar, apenas por três dias os seus mortos'.

Estou nesses três dias.


Bandeiras 
Levo minha bandeira,
Minhas mãos gemem por liberdade.
Quebro minhas fronteiras:
Compreendo.

Levo minha história,
Pés que choram o cansaço.
Rumo por esse sonho,
Busco-o como realidade.

Peles, tantas raças e bandeiras.
Entendo, então, suas palavras.
Amo em silêncio suas bandeiras.
Tantas são as necessidades.  
Certeza de muitas omissões,
Em suas paixões.

Guardo minha certeza,
Nas tantas oscilações
Busco o brilho no breu
Nos olhos do mundo
Que encontro
Nas quedas de minhas bandeiras.

Canto de mesa
Uma mesa, uma toalha branca,
Um copo cheio,
Transborda de solidão.
Um enorme relógio,
Observado segundo a segundo,
Uma lágrima retida,
Afoga toda ‘alma
Não se espera nada,
Não se busca mais.

Falar o que?
Somos estrangeiros de sentimento;
Somos imigrantes de consciência.
Uma linguagem sem tradução.

Um coração congelado,
Uma total desconexão social.

Todos falam, todos riem.
Do que falam, do que riem?

Sente-se, apenas, uma dor cravada.
Solitária e indecifrável condição de vida.
Uma recepção, cordialmente fria.
Um canto, reservado ao pranto.

O silêncio,
Afronta a multidão.
E ai não se observa mais o relógio.
É se observado por ele.
Gentilmente, pede:
“Que se retire o homem”,
que no canto da sala,
incomoda a sociedade
Com seu olhar de indignação.