30.1.16

ROCINHA TEME EPIDEMIA DE ZIKA, SANEAMENTO E URBANIZAÇÃO PROMETIDOS NÃO FORAM FEITOS

ALCYR CAVALCANTI -

Os mais de 120 mil moradores da Rocinha temem uma epidemia de consequências funestas, devido à proliferação de focos do mosquito Aedes Aegypti transmissor da dengue, zika vírus e várias outras doenças, que podem ser mortais. Vários focos de reprodução do mosquito podem ser encontrados na imensa favela. A coleta de lixo é insuficiente devido à dificuldade de acesso em alguns sub bairros pela falta de urbanização prometida pelos sucessivos Programas de Aceleração de Crescimento-PAC.

Coleta de lixo insuficiente.
As construções irregulares, feitas muitas vezes de maneira precária, permitem acúmulo de agua das chuvas em cima de lajes, em muitas casas podem ser encontradas poças de agua, ambiente ideal para a proliferação do mosquito. A Policia Federal está apurando possíveis irregularidades em obras do PAC nas favelas Rocinha, Manguinhos e Alemão. O delegado federal Hélcio Assenheimer solicitou informações sobre as obras do PAC efetuadas pelas empresas Andrade Gutierrez, Queirós Galvão e Odebrecht. Somente a Rocinha recebeu R$175 milhões e quase nada foi feito. A falta de urbanização e a dificuldade de acesso aos agentes de saúde favorecem a uma possível epidemia das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti. A localidade conhecida como Valão, uma das vias de acesso para a parte alta da Rocinha pelas Ruas Um e Dois possui um canal que concentra o esgoto da favela, e vai desembocar na Praia de São Conrado.

O saneamento prometido ainda não foi feito, em dias de chuva a poluição é intensa em uma praia de grande beleza, a única área de lazer não só dos moradores da localidade, mas também dos moradores de São Conrado e do hotel cinco estrelas na beira da praia. Zileide de 35 anos moradora da Vila Verde foi infectada, e teve de ficar três dias em casa sem poder trabalhar. Ela é empregada doméstica em residência no Leblon e quase perdeu o sustento da casa. Ela é separada e mãe de quatro filhos, todos em idade escolar. Um deles o mais novo contraiu dengue, e teme que os outros também fiquem doentes.  Há meses atrás um torneio internacional de surfe foi proibido em São Conrado, devido aos altos índices de poluição. Teve de ser transferido às pressas para o Recreio dos Bandeirantes. Com os cortes de verbas que vão ser feitos pelo governo federal os problemas devem aumentar, e a epidemia das doenças transmitidas pelo mosquito assustam os moradores da "maior favela da América do Sul" que não tem a quem recorrer, visto que o Posto de Saúde e o Hospital mais próximo, o Miguel Couto, vivem superlotados, com atendimento insuficiente. Apesar das dificuldades que atravessa a cidade, o número de turistas que percorrem a localidade tem aumentado com a proximidade do Carnaval, o que possibilita a transmissão do vírus de pessoas infectadas para outras regiões.