23.1.16

SINDICATO DOS PETROLEIROS DO RIO DE JANEIRO E FEDERAÇÃO NACIONAL DOS PETROLEIROS SABIAM DA CORRUPÇÃO

EMANUEL CANCELLA -

O Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) sabiam da corrupção na Petrobrás, muito antes de ter sido denunciada pela Operação Lava Jato.

Não sabiam com a minúcia de detalhes a que pode chegar só uma investigação criteriosa feita por profissionais da Polícia Federal. Mas tinham fortes suspeitas. Chegaram a reunir evidências, inclusive muito antes dos governos de Lula e de Dilma. Desde o período FHC. Reuniram e divulgaram evidências, dentre outras fotos, depoimentos, relatórios.

Como não têm poder de polícia e muito menos os supra poderes do Judiciário, o que fizeram então com essas graves suspeitas os sindicalistas? Diga-se de passagem boa parte deles oriunda do PT, embora nem todos.

Usaram as armas próprias dos trabalhadores. Atos públicos, enterremos simbólicos e “escrachos” de diretores e gerentes suspeitos de corrupção. Fizeram denúncias junto à Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho, insistente e reiteradas vezes. Desde a época de FHC, passando por Lula e Dilma. Fizeram, ainda, inúmeros releases à imprensa.

No entanto, as denúncias foram engavetadas, os releases ignorados e rasgados. Muitas dessas ações resultaram não na apuração dos fatos, mas na punição e condenação de seus autores, via de regra por “danos morais”.

Ou seja, transformaram-se os corruptos em vítimas e os denunciantes e suas entidades em réus, obrigados a pagar multas e, em alguns casos, até a prestar serviços comunitários – como aconteceu, na época de FHC, com um ex-presidente do Sindipetro-Caxias – por ter chamado de “corrupto” um ex-diretor da Petrobrás hoje, finalmente, condenado por corrupção.

No governo FHC, a empresa Marítima ganhava uma licitação atrás da outra para a construção de plataformas, apesar das persistentes denúncias contra ela, encaminhadas pelos sindicatos de petroleiros. Ainda hoje há fortes suspeitas de que o afundamento da P-33, na Bacia de Campos, foi um ato criminoso. Junto à plataforma, afundaram-se também todas as evidências de fraudes e desvios que poderiam incriminar a Marítima e muita gente graúda, inclusive daquele governo.

O então genro de FHC, David Zylbersztajn, nomeador pelo ex-presidente primeiro diretor Geral da Agência Nacional de Petroleiro, nada fez para apurar as suspeitíssimas causas do afundamento da plataforma que causou a morte de 11 trabalhadores petroleiros. A plataforma estava avaliada na época em 350 milhões de dólares, fora a carga que também se perdeu.

Já em seus discurso de posse o genro de FHC já deixava claro a que interesses servia, quando anunciou diante da imprensa nacional, internacional e de representantes das multionacionais: “Senhores, o petróleo é vosso!”

Num rasgo de sinceridade o ex-presidente da República, em seu livro autobiográfico “Diários da Presidência”  admite que havia corrupção na Petrobrás, desde quando governou.

O mais intrigante é que os sindicalistas petroleiros que sempre denunciaram a corrupção foram ignorados, perseguidos e/ou punidos. Ninguém virou celebridade. O juiz Sérgio Moro, no entanto, chefe da Operação Lava à Jato, foi premiado pelas Organizações Globo e pelo governo dos Estados Unidos.

Em contrapartida, recentemente, o Sindipetro-RJ foi proibido pela Justiça de citar publicamente ou no jornal que é distribuído aos trabalhadores os nomes de alguns dos gestores da Petrobrás. Em caso de desobediência, fomos alertados de que estaríamos sujeitos a pagar multas vultosas e até a prisão.

São essas contradições e disparidades no tratamento dispensado àqueles que denunciam a corrupção levam a várias perguntas. Uma delas é por que não se investiga com igual rigor o caso Zelotes e as empresas da área de Comunicação envolvidas com lavagem de dinheiro, no escândalo das contas do HSBC, na Suíça.

Os sindicalistas sabiam e denunciaram o que sabiam sobre a corrupção na Petrobrás. O circo montado em torno da Lava à Jato leva a crer que a principal motivação do espetáculo armado é facilitar a venda de ativos da Petrobrás, fatiá-la para facilitar a venda aos gringos e entregar as petrolíferas estrangeiras o nosso pré-sal.. De nossa parte, vamos resistir.

*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros.