30.1.16

VALE SOFRE GOLPE

Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via blog do autor -

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou hoje a nota de crédito da Vale para “BBB-“, nota que antes era “BBB”. Também manteve a perspectiva negativa da mineradora brasileira, em função da queda dos preços de metais e porque a ex-estatal fez investimentos pesados numa conjuntura desfavorável, o que deve piorar os seus indicadores de crédito neste ano e no próximo.

A S&P informou que pode rebaixar novamente a companhia, fazendo-a perder o grau de investimento, se, dentre outros fatores, a relação entre a dívida e o Ebitda (lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) permanecer acima de cinco vezes nos próximos dois anos, como se encontra agora.

A agência diz que essa hipótese se concretizará se os preços do minério recuarem abaixo de 40 dólares por tonelada ou se a Vale tiver dificuldades para vender ativos não essenciais.

Essa iniciativa é um golpe na estratégia da Vale de aumentar a produção de minério de ferro em Carajás e representa uma ameaça ainda maior se a previsão negativa da agência internacional de risco se confirmar, com a perda do grau de investimento, que acarretará o agravamento ainda maior da enorme dívida da empresa. Com o rebaixamento, terá que pagar mais caro pelos empréstimos que tomou.

Esse endividamento foi necessário para ampliar a produção de Carajás, agregando-lhe a nova mina, de S11D, que entrará em atividade neste ano, com custo equivalente a 16 bilhões de dólares (60 bilhões de reais). Como esse minério é ainda mais puro, seu custo de extração é menor e a rentabilidade mais alta.

Substituindo por ele o minério mais pobre, a Vale aumentaria sua competitividade para suportar a queda no preço unitário e no consumo global, provocado principalmente pela retração da China. O custo de extração do S11D, ou Serra Sul, fica entre 10/11 dólares por tonelada, enquanto o preço do minério, mesmo com sua desvalorização, ainda gira ao redor de US$ 40.

A S&P suspeita que a estratégia não dará certo, pesando mais a ampliação do endividamento do que o aumento da competitividade da Vale. Mas pode estar torcendo contra para favorecer algum concorrente, devem pensar os que, na mineradora, acham que o caminho, mesmo perigoso, é o melhor.