12.2.16

A MÍDIA TENTA VENDER O SUPER BOWL

Por JOÃO SUCATA - Via Jornal GGN -


Tudo que é grandioso nos EUA repercute na colonizada mídia brasileira, às vezes até eventos menores, tacanhos, ganham espaços por virem da matriz. O Super Bowl, disputa do campeonato de futebol americano, em dias da mais exuberante festa mundial, o  carnaval brasileiro, recebeu muitas páginas de jornais e espaço de TV.

Como o jogo é chato, simplório, desinteressante, grosseiro, está mais para desforços físicos, os jornalistas se ocupam  dos números: quanto custa o ingresso, quando custa uma propaganda no intervalo, quantos aparelhos de TV estarão ligados no jogo e outras curiosidades tão a gosto da superficialidade e do rei-mercado.

Acontece que até isso é irrelevante, tendo em vista a popularidade do futebol disputado com o pé, que depois de tomar a América Latina e a Europa, agora se espalha pela Ásia, África e Oceania. Foi sim, inventado por ingleses, mas tomado pela plebe, milhões de jogadores que os praticam em campos de várzea em todos os continentes. Entre os profissionais, vários jogos de nosso tão querido esporte enchem  estádios com mais de oitenta mil pessoas e são vistos por milhões de pessoas em todo o mundo, semanalmente. Real Madri x Barcelona, Manchester United x Chelsea, Milan x Juventus, já tem mais espectadores pelo mundo que o tal Super Bowl.

Os americanos foram competentes para encher os demais países  com seus filmes de terceira qualidade e suas músicas padronizadas (preparadas em um único local, para serem impostas por marketing e repetição em centenas de países, propiciando gordos lucros). Nos esportes que mais gostam, o futebol jogado com a mão e o beisebol, chatérrimo, que mais parece o jogo de taco da crianças brasileiras, os EUA fracassaram.

Além dos motivos acima, ambos são reservados para rapazes bem alimentados, de físico privilegiado, bons de porrada, que no futebol, é característica dos perna de pau, gente detestável.  Artistas como Garrincha, com seu corpo quadrado e pernas tornas, o mirrado Pelé de 1958, o também mirrado Neymar, o baixinho Romário, jamais teriam chance nesses jogos. Nosso futebol é muito mais sofisticado, artístico, complexo, pensado, vibrante. Não venham com tentativas de aumentarem o processo de colonização.  Chega o que já temos, chega ver na TV todo dia a mesma bandeira em todo tipo de cenário, a mesma língua, os mesmos valores, a mesma mediocridade, ou essa mesma língua  e barulho estridente  de guitarras elétricas ao ligar o rádio (João Gilberto, Milton Nascimento, Vinicius,  Chico Buarque foram banidos?)..

É bom não baixar a guarda. São inúmeros os canais que mesmo fora da data do Super Bowl, tem tentado nos viciar em futebol americano. Resistamos.