28.2.16

A VINGANÇA DA FLORESTA

SEBASTIÃO NERY -

Gilberto Amado, deputado federal de Sergipe de 1915 a 1917 e de 1921 a 1926, senador de 1927 a 1930 , em 1934 queria ser governador. Já escritor famoso, honra e glória de sua gente, decidiu governá-la. A eleição era indireta, pela Assembleia, comandada pelo Catete. Foi a Getúlio:
– Presidente, quero ser governador de Sergipe.
– Por que, Gilberto?
– Porque quero. É a hora.
– Mas, Gilberto, você um homem tão grande, ser governador de um Estado tão pequeno?
– Quero dirigir minha tribo. Isto é fundamental para minha vida.
– Ora, Gilberto, conheço você muito bem. Esta não é a verdadeira razão. Não pode ser. Governar por governar, isso não existe para um homem de seu tamanho, da sua grandeza.
Gilberto Amado sentiu que era preciso apelar. Apelou:
– Pois o senhor quer que eu diga mesmo? Quero ser governador para roubar, roubar, roubar, do primeiro ao último dia. Roubar desesperadamente
Getúlio ficou perplexo, deu uma gargalhada. Gilberto já estava de pé, andando de um lado para o outro, as mãos para o alto,os olhos incendiados:
– Isto mesmo, Presidente. Roubar, roubar, roubar!
Gilberto Amado não ganhou Sergipe. Mas Getúlio ficou tão encantado que o nomeou embaixador no Chile e Roma até 1942,
depois representante permanente do Brasil na ONU. Tudo que ele queria.

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