22.2.16

NO LIMITE. GREVE DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO TERÁ INÍCIO DIA 02 DE MARÇO

DANIELA ABREU -


Escolas sem mobiliário, sem ar-condicionado, com merenda seca, com limpeza dia sim, dia não, sem porteiro, salas lotadas, salários atrasados, 13% parcelado, dia do pagamento alterado, fim das bonificações, nenhum aumento e agora passar para 14% o desconto previdenciário, chegou no limite. Esta sensação paira na maioria das Escolas Estaduais no seu retorno. Muitos profissionais afirmam nunca terem se sentido tão humilhados, uns enganados e desrespeitados.

Nos últimos seis anos as escolas estaduais impuseram a política privatista e meritocrática alinhada com as deliberações do Banco Mundial sobre a educação nos países da América Latina. O curioso é que embora o projeto seja uma série de ações articuladas, estas não necessitam de uma sequência e apresentam-se em pontos diferenciados em variados municípios e estados.

Em Goiás a gestão escolar das escolas é realizada por OS, organizações sociais. Desaparece assim o diretor, muitas vezes eleito e profissional concursado da unidade escolar, os conselhos escolares, e a possibilidade de uma participação horizontal da comunidade escolar. A principal preocupação das os é escoar a verba pública para a empresa contratada. Este é um dos mecanismos de privatização e desmonte de uma educação comprometida com a formação de cidadãos críticos. Além de atacar diretamente a democracia e autonomia das escolas. Este ataque é mais forte ainda com as escolas públicas militarizadas.

Em 2015 o projeto neoliberal ganha volume em todo país, e o número de escolas dirigidas por OS e pela Polícia Militar aumentam consideravelmente. Pela PM chegou a 26 em Goiás que lidera o ranking nacional e 22 em Mato Grosso.

Este ano no estado do Rio de janeiro além de todas as mazelas vividas durante as férias escolares e principalmente no retorno a aula, hoje a secretaria de educação não está autorizando a abertura de mais turmas, mesmo com a grande procura por matricula. Professores denunciam salas lotadas e principalmente o alto índice de uma evasão forçada, muitos não estão conseguindo se matricular.

Faltam verbas para tudo, até aquelas utilizadas para cooptar os profissionais da educação, que são as bonificações por metas alcançadas.

A política de metas produz a cultura da disputa entre escolas, profissionais, professores, pais e alunos. Todos perdem, esta compromete uma educação de qualidade;

Neste sábado dia 20 profissionais da educação de todo estado do Rio de janeiro lotaram a assembleia da categoria no Clube Municipal da Tijuca. Com aproximadamente 1000 profissionais, a greve foi deflagrada para o dia dois de Março.

Acredita-se que as outras categorias da educação entraram de greve até o dia dois também, profissionais da FAETEC e da UERJ. O ano findou mostrando uma universidade estadual a bancarrota, fedendo a lixo, funcionários terceirizados ficaram sem receber em vários períodos. Da mesma maneira os demais setores do Estado falido do Senhor Pezão. Saúde, Justiça, Bombeiros entre outros veem construindo junto com a educação plenárias, atos e possibilidade de greve geral no Estado. Para os profissionais de educação do Estado parece que chegou o limite, momento que ninguém acredita nas mentiras e programas e projetos inovadores, a clareza que tudo tem por objetivo destruir o caráter público da escola.

A educação deu um grito, as escolas estão por um fio, profissionais a flor da pele.

Pezão deu muita munição agora prepare, pois vem luta por ai, muita luta e ainda não é nem o começo.