16.2.16

O ÚLTIMO ADEUS A FRANCISCO DAL PRÁ

Por ROSE MARIA - Via Força Sindical -


Centenas de lideranças sindicais, do Rio de Janeiro e do país, parlamentares, trabalhadores, representantes de movimentos sociais e amigos uniram-se à família e à toda Diretoria da Força Sindical do Rio de Janeiro no último adeus a Francisco Dal Prá, que aconteceu na tarde deste domingo (14), no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói. Presidente da Força Sindical RJ, da Federação dos Metalúrgicos do Estado do Rio de Janeiro e secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), Dal Prá faleceu neste sábado (13), aos 73 anos, vítima de pneumonia.

Metalúrgico do ABC paulista, Dal Prá veio para o Rio de Janeiro no final da década de 1960, onde se tornou, já nos anos 70, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Gonçalo e, em 1977, presidente da Federação dos Metalúrgicos do Estado do Rio de Janeiro, função que exercia até sua morte. Foi juiz classista em 1990, representando os trabalhadores no TRT 1ª Região e sua trajetória no movimento sindical se identifica com a luta intransigente em defesa dos direitos dos trabalhadores e dos direitos civis.

Estiveram no velório, que começou ainda no dia 13, os deputados federais Paulo Pereira da Silva (Solidariedade-SP), presidente da Força Sindical, e Áureo, presidente do Solidariedade no Rio de Janeiro, além do presidente da CNTM, Miguel Torres, e do ex-superintendente regional do Ministério do Trabalho e Emprego no estado, Antônio Albuquerque, entre outros.

“É uma perda muito grande para todos nós. Sabíamos das dificuldades de saúde dele nos últimos anos, sem dúvida. Mas sua garra e a vontade de estar ao lado do trabalhador e de suas causas era oxigênio para ele. Podia ter se aposentado, por sua luta e por sua história, mas se doou cada vez mais. Perco não só um grande líder sindical, mas também um grande amigo”, desabafou Miguel Torres.

Mônica Veloso, vice-presidente da CNTM e secretária geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco (SP), disse que Dal Prá marcou a história do sindicalismo, mas também a história pessoal de muitos dirigentes sindicais, como a dela própria. “Fui presidente da CNTM por um ano e ele foi minha base de apoio, de aprendizado, de solidariedade. Dal Prá foi espetacular, não só como companheiro de trabalho, mas como ser humano. Seu exemplo de vida e de caráter é seu legado para as próximas gerações. Hoje, sem dúvida, é um dia muito triste”, afirmou Mônica Veloso, sem conseguir conter as lágrimas.

Antônio Albuquerque também ressaltou que sentia profundamente a perda de Dal Prá, não só pela pessoa humana que era, mas também pelo líder sindical que foi. “Ele não fugia à luta. Não existem pessoas insubstituíveis, mas ele, com certeza, fará muita falta”, assinalou.

Para o coordenador geral do Sindicato Nacional dos Aposentados no Rio de Janeiro, Rafael Zibelli Neto, não só o Rio de Janeiro mas o país perdeu um grande líder sindical. “Fico até sem palavras. É só a dor. Vai fazer muita falta para todos nós. Perdi um amigo justamente quando me preparava para ficar mais perto dele, porque já no próximo dia 15 (nesta segunda-feira) volta a funcionar a subsede do Sindnapi em Niterói, nos fundos da Federação dos Metalúrgicos. O prédio ficou três anos fechado. Pretendia fazer uma inauguração, mas agora nem sei mais”, confidenciou.

Fotos: Rose Maria. Assessoria de imprensa da Força Sindical RJ.
Centrais sindicais

Representantes das demais centrais sindicais também marcaram presença na despedida, marcada pela emoção. O diretor da CUT, Jadir Baptista de Araújo, disse que Dal Prá era o ponto de equilíbrio, não só da Força RJ, mas de todas as centrais e do movimento sindical. “Nesses 35 anos de convivência, aprendi a ter respeito e admiração por ele. Dal Prá será sempre referência para o movimento sindical do Rio e do país”.

Segundo Manoel Martins Meireles, diretor da UGT, Dal Prá tinha o poder de harmonizar, de reunir e dialogar com os adversários. “Foi o maior líder do movimento sindical do Rio de Janeiro e referência para todos nós. Fica um vazio. Vai demorar para termos outra liderança como ele”, admitiu.

Para Ronaldo Leite, presidente da CTB-RJ, o movimento sindical se despede de um guerreiro, que lutava pela própria vida e em defesa dos trabalhadores. “Ele não deixou que as limitações de saúde lhe impedissem de lutar pelos direitos trabalhistas. Perde o movimento sindical e os trabalhadores também”, ressaltou.

E Bartolomeu França, representante da CSB, disse que Dal Prá não morreu. “Tudo que aprendi com ele nesses 40 anos de convivência, vou guardar para sempre dentro de mim. Então, ele vive, por tudo que me ensinou. Era um conciliador, sempre presente nas principais lutas pelos direitos da classe trabalhadora”.

Trabalho continua

O vice-presidente da Federação dos Metalúrgicos do RJ, Sérgio Barbosa Claudino, afirmou que o momento era de despedida e o mais importante, depois, é dar continuidade ao trabalho. “Perdi um amigo, um mestre. Não tenho o que dizer. Hoje (14) é um dia difícil. Não queria ter que passar por este dia. E nossa responsabilidade será, juntos, continuar o trabalho que ele com tanta sabedoria conduzia à frente da classe metalúrgica do estado”.

Já o vice-presidente da Força RJ, Carlos Alberto Pascoal Fidalgo, disse que todos estavam órfãos. “Perdemos nosso líder. Se buscarmos palavras junto a cada sindicato filiado, junto a Federação (dos Metalúrgicos RJ) ou a CNTM, elas serão uma só: o sentimento de dor e imensa perda. Nos resta, agora, a cada um de nós, aplicar só um pouquinho do muito que aprendemos com ele. Sua humildade, sua compreensão, sua honestidade, seu espírito agregador. Ele era uma referência junto até às demais centrais. Organizou o movimento sindical no estado do Rio de Janeiro. E a Força RJ não vai regredir uma vírgula. Suas diretrizes serão seguidas. A tarefa é árdua. Mas, em conjunto, Sindicatos e Diretoria, vamos honrar sua memória”, garantiu Carlos Fidalgo.

A urna onde seu corpo jazia foi envolta nas bandeiras das três entidades que presidia e dirigia. Em discurso emocionado, o advogado João Campanário pediu uma salva de palmas para o líder sindical antes da saída do cortejo e foi prontamente atendido. Ao descer ao túmulo, depois de mais um discurso espontâneo de um trabalhador da Cedae, nova salva de palmas.

A Diretoria Executiva da Força RJ decretou luto por 7 dias. A central no Rio de Janeiro volta a funcionar dia 22, com reunião extraordinária de sua Diretoria Executiva, na parte da manhã.

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