12.2.16

PREÇO DO PETRÓLEO ASSUSTA O MUNDO, COMPRADORES E VENDEDORES NÃO SE ENTENDEM

HELIO FERNANDES -


Tem havido muito mais reunião do que o noticiado. É que agora o controle não está mais com a riquíssima e luxuosa OPEP. Cada um briga pelos seus próprios interesses. Realidade que ninguém consegue superar. Ha 3 anos um barril era vendido (ou comprado) entre 150 e 180 dólares. Ontem os negócios não saíam da faixa de 26 a 27 dólares.

Num calculo rápido, 5 vezes menos. Excelente para os compradores, péssimo para os vendedores.

China e Índia, os maiores compradores, gastam com petróleo 5 vezes menos, podem investir em outros setores. Estão satisfeitíssimos. Arábia Saudita, o maior produtor e exportador, acumula dividas de mais de 1 trillhão. Querem que reduza a exportação, tem medo de perder o mercado. Rússia, o segundo (juntando petróleo e gás) está em situação desesperada. Não sabe o que fazer, inflação de 12 por cento, dividas colossais.

Países da África perdem dinheiro, mas não entram em desespero. Um exemplo: a Nigéria. Como seu petróleo está praticamente "á flor da terra", o custo de extração é baixíssimo. Por enquanto está "empatando".

É evidente que "adoraria” o preço antigo

Provavelmente o país mais prejudicado é o Brasil. Fator principal: era o único que tinha produção localizada, e pelo que a própria Petrobras divulgava, volume tão grande que duraria até "o fim do mundo". Só que estava a 7 mil metros de profundidade, 2 mil metros de água, 5 mil de obstáculos. Com o preço antigo, era um país de sonho. Por isso é chamado de pré-sal, apesar do custo de extração por volta de 45 dólares. Com o preço de agora, pesadelo inacreditável.

Reuniões e mais reuniões, o Brasil não comparece a nenhuma, compreensível, toda a preocupação vai para a espantosa corrupção. No dia 4, reunião importantíssima, nos EUA. Por que lá, depois que aparentemente se tornaram independentes, com a descoberta do xisto? È que levaram 2 anos para constatar: a energia do xisto só é comercial com o barril a 45 dólares. Começaram então as especulações, o aumento dos encontros, as estimativas do preço de agora até o fim deste nada agradável 2016.

Especialistas garantem: no fim do ano, o barril estará a 60 dólares, alguns avançam a números mais promissores. Para os vendedores. Nem discordo. Não ratifico. Mas aí entra a indiscutível lei da oferta e da procura. Está marcada nova reunião para o dia 25, lá mesmo, nos EUA.

O PMDB se contorce entre a realidade,  e o malabarismo e a ambição de Temer

Ha mais ou menos 6 meses, o vice deu entrevista confirmando, "o PMDB terá candidato próprio em 2018, sou um dos nomes". Nenhuma surpresa, pouco antes, sentindo a fragilidade de Dona Dilma deu entrevista. Textual: "Precisamos de alguém para reunificar o pais". Depois veio a carta. Grande repercussão negativa, por causa do conteúdo.

Agora, deixando 2018 para o calendário eleitoral da época, se concentra em vários objetivos, todos bem mais perto. Quer ser presidente do partido. Com apoio irrestrito do companheiro Eduardo Cunha. Considera importante eleger o líder do PMDB na Câmara. Principalmente pelo fato de Hugo Motta ter sido lançado e apoiado pelo companheiro Eduardo Cunha.

Apesar de o impeachment estar ha muito em maré de baixa, continua apostando nele. Por dois motivos. Será beneficiado imediatamente pela promoção de vice a presidente. E por ser uma batalha comandada pelo companheiro de sempre, o intimissimo Eduardo Cunha. Só que agora um problema assustador, e não pode contar com o apoio e a colaboração do eterno amigo Eduardo Cunha.

Trata-se do TSE. Intimado a se defender, terminou o prazo, entregou o que foi redigido pelos advogados. Fragilidade extrema. Tentou se defender, atacando os adversários. (No caso o PSDB). Como de habito, abandonou a presidente Dilma. Se tiver ganho de causa e Dona Dilma for cassada, assume sem demora. Sua tese: "a chapa é única, mas o financiamento é individual".

Totalmente desinformado. Existe um fato não contestado. A tendência do TSE é julgar a chapa como um todo. Cassa os dois, ou absolve os dois. A defesa de Michel Temer teve péssima repercussão. E uma coisa é certa: ele não tem bala na agulha, para tantas batalhas simultâneas.

O combate ao mosquito

O governo anuncia para amanhã, sábado, mobilização gigantesca contra o vírus da Zika. 350 municípios serão visitados. Altas autoridades, Ministros, quase 200 mil militares, mostrarão ao povo, que nesse setor o governo não está omisso. È uma boa idéia, embora não seja tão gigantesca. O Brasil tem 5 mil e 500 municípios, 350 representam 6 por cento.

A própria Dilma participará, escolheu o Rio de Janeiro. Não fosse a causa nobre, sua impopularidade seria um risco, aí sim, gigantesco.