22.2.16

PRIMEIRO FLA-FLU, PELO 'CARIOCÃO', FORA DO RIO, FOI RUBRO-NEGRO. 'PAULISTÃO': TIMÃO EMPATOU EM ARARAQUARA E SEGUE INVICTO

Por JUCA KFOURI - Via blog do autor -


Jamais havia acontecido um Fla-Flu pelo Campeonato Carioca fora do Rio de Janeiro.

Alguém disse que foi o primeiro Fla-Flu na capital federal.

Mas não é verdade.

Foi, sim, o primeiro em Brasília.

Porque o clássico, disputado desde 1912, até 1961, quando Brasília passou a ser a capital do Brasil, sempre foi disputado na capital federal, exatamente a cidade do Rio de Janeiro.

O primeiro Fla-Flu, vencido pelo Tricolor por 3 a 2, no estádio da rua Guanabara, foi visto por 800 torcedores.

O de ontem, no Mané Garrincha, teve 32 mil torcedores e foi rubro-negro, por 2 a 1, gols de Willian Arão e Guerrero para o Flamengo, que fez 2 a 0, e Gustavo Scarpa para o Flu.

Houve três expulsões, duas de jogadores do Fla, que jogou melhor e mereceu amplamente a vitória.

Só que, na verdade verdadeira, o primeiro Fla-Flu foi disputado 40 minutos antes do nada, como escreveu o imortal Nelson Rodrigues.

E o de ontem foi mais um para manter acesa a mística do clássico mais charmoso do país.

Afe! Os 100%  ficaram em Araraquara. Que jogo!

Ferroviária e Corinthians se enfrentam desde 1956 e desde 1996 não duelavam em Araraquara.

Pois uma  rivalidade de 60 anos e há 20 sem se dar atraiu apenas 9 mil torcedores à bela Fonte Luminosa que alguém de mau gosto quer chamar de Arena da Fonte e que tem capacidade para 20 mil pessoas.

De fato, o torcedor interiorano adora o Paulistinha.

Gramado perfeito e jogo animado, o goleiro Rodolfo fez três milagres e a trave mais um para evitar que Uendel, Wilson e Maycon abrissem o placar para o Corinthians.

Ao fazer valer a velha máxima “quem não faz, toma”, a Ferroviária, em seu primeiro chute ao gol, e para coroar uma boa atuação, fez 1 a 0, aos 29, com Juninho.

Três minutos depois os anfitriões só não ampliaram porque Fagner evitou quase na linha fatal, depois que a Ferroviária tomou conta da partida.

Os dois times com as melhores campanhas no Paulistinha faziam o melhor jogo do campeonato até agora e com lealdade, quase sem faltas.

E o Corinthians foi para o intervalo perdendo os 100% e a invencibilidade sob os gritos de “AFE,AFE,AFE”, menção ao nome da Associação Ferroviária de Esportes, clube que encantou o futebol paulista em fins dos anos 1950, começo dos 60.

Logo aos 5 do segundo tempo, quando a Ferroviária seguia superior, foi marcado um desses pênaltis de mão na bola que não convence e Lucca empatou: 1 a 1.

Sim, o zagueiro estava com os braços abertos, mas claramente a bola bateu no braço, sem a menor intenção…

O jogo seguiu agradável.

A invencibilidade estava recuperada. Tratava-se de buscar a manutenção dos 100%.

Aos 13, a invencibilidade voltou a ir para cucuia, num chute forte, de fora da área, de Juninho, que Cássio ainda tocou, mas em vão.

Tite, então, mexeu, aos 18, ao trocar Danilo por Giovanni Augusto, e, aos 24, ao tirar Maycon e botar Marlone.

Não era a Ferroviária de antigamente, do goleiro Rosan, Dirceu, de Dudu, Bazani, Faustino, Baiano, mas era um time muito bem montado e de bola no pé, além de marcação bem feita.

Aos 30, saiu Romero, entrou André.

Fisicamente era clara a superioridade araraquarense.

Mas o Corinthians não desistia, embora Marlone tenha se machucado em seu primeiro lance e apenas fazia número em campo.

Aos 38, o reconhecimento ao esforço veio em bola que bateu em Giovanni Augusto, cruzada por Fagner e furada por um zagueiro adversário: 2 a 2!

Aos 40, Cássio socou mal a bola em cobrança de escanteio e  Yago salvou o terceiro gol da Ferroviária.

Aos 42 foi a vez da trave salvar o Corinthians. Uma loucura!

Aos 46, Cássio salvou a lavoura. E, aos 46 e meio, Rodolfo a salvou.

O empate ficou de ótimo tamanho para o Timão, não mais 100%, mas ainda invicto, assim como a Ferroviária manteve a sua  invencibilidade em casa, há 23 jogos.