29.2.16

SANTANA: COM A TEMORÁRIA PRORROGADA, QUINTA-FEIRA DEVE ESTAR NA PREVENTIVA

HELIO FERNANDES -


Sexta-feira escrevi: hoje mesmo ou amanhã, sábado, Sergio Moro irá atender a Policia Federal e o Ministério Publico e conceder mais 5 dias para continuar a ouvi-lo. Foram atendidos. No mesmo dia da prisão dele falei que tendo feito estratégia para tanta gente, agora apresentaria a própria, identificada como "estratégia da confissão-salvação".

Traduzindo: confessaria o que pudesse ser entendido pelos investigadores e colocado no relatório para Sergio Moro decidir. Ele resolveu de forma mediata, quarta ou quinta, nova decisão inequívoca e nada surpreendente.

Impressionante a abundancia de provas, contradições, rascunhos, escritos, fornecidos por Santana contra Santana. (Deixemos a mulher para depois, foi presa como coadjuvante, o próprio marido tenta transformá-la em protagonista, com a complacência e a cumplicidade dela. È o que Santana identifica como o "mal menor". Mas ela sabe muito). Saiu tudo errado, mentiu desastradamente, perdão, despudoradamente.

Falseou sobre a formação, gostos, hábitos, participações nos trabalhos como marqueteiro. Mentiu para os investigadores e para os próprios advogados. O primeiro repetiu para os jornalistas, o que Santana havia dito no depoimento: "Não sei o que acontece administrativamente. Não tenho o menor gosto por contas, pagamentos, movimentação bancaria". Ultrapassou todos os limites da verdade ou da inverdade, chegou ao insensato. Os investigadores, assombrados mas satisfeitos com a confissão.

Sabia-se que na juventude sua vida era totalmente diferente. Gastava, se exibia com dinheiro, na Faculdade foi apelidado de “tio patinhas". (Royalties para o jornalista Merval Pereira). Recebia a identificação com a maior satisfação, agora não sabe o que se passa na empresa, que  tem negócios nos mais variados países. Quem fecha ou fechou contratos na Argentina, Panamá, Angola, Republica Dominicana, Brasil. Quem estabelecia os preços, assinava, recebia.

Não tenho a menor idéia da origem dos recursos que eram depositados na minha conta. O valor dos contratos sempre de dezenas de milhões, como ele mesmo confessou. Quer dizer que recebia até 90 milhões, e não tinha nem a curiosidade de saber quem depositava ou pagava? Depoimento confirmado pelo advogado. E não tinha interesse de saber de onde vinham? Sergio Moro mandou bloquear 25 milhões de reais, o dinheiro "estava lá”, foi bloqueado.

O segundo advogado confessou: "Santana escondia as coisas até de mim. Só muito mais tarde vim a saber que tinha conta no exterior, depois dessa confissão, tentou salvar o marqueteiro, impossível”.

Esperemos os próximos depoimentos a partir de hoje. A situação de Santana é desesperada. Tenta fazer acordo, até com base no que aconteceu com Duda Mendonça, que abandonou a profissão, se aposentou. Aceita isso, "delação premiada de jeito algum". Mas, e por que a Odebrecht pagaria quase 30 milhões, para trabalhos no exterior? Como desfazer a ligação com a poderosa e comprometidíssima empresa a não ser com a colaboração dela?

Mesmo "colaborando", como a Odebrecht explicará o financiamento e o desperdício de dinheiro em Angola, Panamá e outros. Existem "provas-provadas”, do casamento publicitário no Brasil, de Santana-Odebrecht, em plena campanha da reeleição. "Fiz de graça", afirma.

Tudo isso avoluma e assusta a ação do TSE. O PSDB não tem o menor interesse no impeachment, e entregar o poder a Michel Temer e o PMDB. Quantos "acarajés" serão necessários para satisfazer a fome geral? E uma única incógnita: quanto vale um "acarajé"? Alguns se satisfaziam com 1ou 2, vários famintos pediam logo 50.

FHC e a "doação" da Vale

A empresa publicou anteontem, seu balanço de 2015. Prejuízo confessado de 44 bilhões. Nenhum lamento nem explicações. E aí não estão incluídos, lógico, os bilhões que terão que indenizar pela catástrofe de Mariana.

Recordando com profunda tristeza, mas sabendo que ninguém será culpado ou responsabilizado. A Comissão de Desestatização, criada por FHC, entregou a Vale por 3 bilhões. E mais: seu governo recebeu em "moeda podre", que valia um quinto do preço nominal. Não peço uma CPI, já se foi o tempo (com a capital no Rio), quando eram importantes. Depois de meses, encerraram a do BNDES, sem indiciar ninguém.

Mesmo sabendo que um economista incorruptível, no cargo, avisou ao então presidente Lula: "O BNDES empresta a 4 por cento, que logo depois é reemprestado a 8 , no outro lado da rua" (Petrobras). Pouco depois de 1 mês foi demitido.

A FIFA tem "novo" presidente

As aspas são pela incerteza do que passará a acontecer na mais poderosa e até o ano passado, intocável empresa esportiva. Não significa desapreço nem desesperança, apenas cautela. Gianni Infantino (que pelo sobrenome não se perca) promete uma "nova Era" para a FIFA e para o futebol. Não é bem o "novo", tem 45 anos e desde 2000 vive o futebol profissional. Durante os últimos 10 anos foi Secretario Executivo da UEFA, com Platini de presidente sem consultar ninguém. Foi chamado sempre de "braço direito" do antigo jogador. Tinha que saber de tudo.

Durante a campanha, foi "hábil": prometeu dinheiro alto para todas as 207 federações ou Confederações do mundo. Outra coisa: garantiu que realizará Copa do Mundo com 40 países, absurdo. 32 são o suficiente, as eliminatórias são disputadas por todas.

Afirmação textual: "Vou revelar o salário do presidente da FIFA", o dele. Isso se chama de "necessário" para ocupar o cargo. Tem que revelar o que gastam "por fora", mesmo que seja a partir de agora. Assim que tomou posse eleito em 1998, Blatter fez um Plano de Saúde. Maravilhoso.  Custou 300 mil dólares á vista, sem mensalidade. Para toda a vida, cobrindo o mundo inteiro. Não podem tirar isso do pobre ex-presidente, é pessoal e já foi pago ha 18 anos.

Um jatinho sempre á disposição. Morava e mora na Suíça, gostava de almoçar em Paris, Londres, Roma, com amigos, incluindo Platini. Voltava no mesmo dia. Infantino sabe das coisas, a duvida é o relacionamento com os que perderam. Jamais praticou qualquer esporte, a não ser a auto-exaltação. Com ele sempre vencedor, como agora. Esperemos.