23.3.16

4 ANOS DE FRACASSO, 1 ANO DE IMPEACHMENT, TEMOS QUE SALVAR DILMA PARA QUE A CHAPA SEJA CASSADA PELO TSE

HELIO FERNANDES -


Só existe um fato indiscutível na realidade: a crise é a maior da historia do Brasil. E também a mais duradoura. Não começou com a posse de Dilma no segundo mandato. E o rompimento Lula - Dilma, por causa do "volta, Lula", que ela vetou estrepitosamente. Ficaram desligados, Dilma desorientada, omissa, isolada, sem apoio do "seu" partido, o PT, e dos outros da base. Deixou de governar, rompeu coletivamente.

Surgiu, patrocinada pelos supostos oposicionistas a idéia do impeachment. Não prosperou, foi se esvaindo, até desaparecer de vez. O "herdeiro" Michel Temer, usou dois artifícios, tentava mais um cargo sem voto, sem povo e sem urna1- Deu entrevista, afirmando que o Brasil precisava de um líder para “reunificar” o país. Não colou, foi ridicularizado. 2-Veio então com a carta (escrita por Moreira Franco), se queixando e se lamentando de ser um "vice decorativo". Mais ridículo.

Os fatos sumiram, o impeachment saiu do noticiário. O "jovem presidenciável” Aécio Neves, se concentrou no Tribunal Eleitoral, sua grande esperança: a cassação da chapa Dilma. -Temer e ele assumir. Com a desregrada atuação da dupla Dilma-Lula, ora junta ora separada, o despenhadeiro ficou visível. O impeachment ressurgiu, praticaram o suicídio duplo, concretizando a idéia de Lula Ministro. Aí, o impeachment voltou ás manchetes.

Quem mandou parar as maquinas foi o corrupto Eduardo Cunha. E colocou nas primeiras, a Comissão para julgar Dona Dilma. A motivação: crime de Responsabilidade, por causa das "pedaladas". Considerada muito fraca, na segunda sessão da Comissão, determinou o que chamou de "aditamento". Ou seja: juntar como motivo e justificação, a "delação” de Delcídio, que não estava no processo. Nem existia na época.Protestos gerais, se insistirem, o Supremo , mais uma vez terá que dar a ultima palavra. (Essa "delação" inclui Temer, FHC, Aécio).

Agora surgem divisões entre advogados que apóiam o impeachment e os que não apóiam. Marcelo Lavanere, no primeiro time a favor do impeachment de Collor, agora está contra. A OAB garante:"Temos apoio quase unânime do Conselho  Nacional". Lavanere rebate: "Apoio para abrir o processo, mas não para votar a favor".  Confusão e tumulto de opinião, contradição sobre o resultado da votação. Imprevisível qualquer analise ou avaliação.

Ontem exatamente ao meio dia, o presidente da Comissão, numa decisão sabia mas obvia, informou: "A delação do senador Delcídio não tem nada a ver com o nosso trabalho.Esta comissão só pode debater, discutir e decidir o que está na pauta, nada podendo ser acrescentado". Nenhum aplauso ou comentário, todos concordavam.

Traduzindo o que coloquei no titulo principal da matéria

Tudo suposição ou analise, a questão está dificílima de ser resolvida. Não na Comissão, meramente simbólica. 1-Se na decisão final, depois da Câmara e do Senado, publicado o resultado, ninguém pode interferir, ele é definitivo, irrefutável e irrevogável. 2 - Se o impeachment for derrotado, o TSE pode continuar o processo, mantendo a decisão do Congresso, ou modificando-a. 3 - São 7 Ministros. Em maio troca o presidente, assume Gilmar Mendes. (Sempre ele, sempre ele). Sai o Ministro Fux, entra Rosa Weber.

4- Tenho feito muitos levantamentos e pesquisas, encontro sempre 3 a 3. A minha conclusão: 4 a 3 contra ou a favor da cassação da chapa. Mas como falta algum tempo, ministros mudam muito de voto, é permitido. 5- Não sou contra nem a favor. Defendo a cassação da chapa, e eleição direta dentro de 90 dias. 6- Considero que essa seria a melhor solução, entregar a definição ao povo das ruas.

A corruptissima Odebrecht

Entre todas as empreiteiras envolvidas na roubalheira da Petrobras, nenhuma se organizou no nível e no volume dessa poderosa empresa. 1-Tinha um departamento especializado para o pagamento de propinas. 2-Total liberdade de fixar o preço, mesmo sem identificar o recebedor. 3 - Só prestavam contas a três executivos, sendo um deles o Presidente e maior acionista. 4- Podiam fazer os pagamentos de forma simples, ou sofisticada, passando por vários bancos do exterior.

Ainda não foi publicado o depoimento da mulher e sócia do marqueteiro João Santana. Mas me dizem que é sensacional, e altamente relevante. Não explicam a demora na divulgação.

Os números da votação do impeachment na Câmara

Falam muito dos números necessários para a aprovação ou desaprovação da medida: 342 para um lado, l72 para o outro. (Na televisão repetem muito 171, mas com isso podem perder. Com 172 não perdem de jeito algum. È preciso prestar atenção na abstenção. São dois terços de 513. E se comparecerem só 500? Fica mais difícil.

Se os que defendem o impeachment, não chegarem a 342 votos, digamos que fiquem em 340 ou 341, não precisam nem olhar para o placar adversário. Os que não querem o impeachment ganham de qualquer maneira.

Terrorismo na Bélgica "Je suis Bruxelles"

Horrível. Horroroso. Horripilante. Assustador. Indefensável. Combater esses monstros que não se incomodam de preservar alguma coisa, nem a própria vida? Com que meios. Alem dessas vidas perdidas, a tranqüilidade roubada, o susto no dia a dia. Felizmente a Bélgica não se atemorizou. As autoridades recomendaram que não saíssem de casa, muitas homenagens aos mortos, com grande comparecimento. Ninguém esperava que esse movimento de represália ao mais importante articulador do atentado de novembro em Paris, acontecesse tão rápido. E a expectativa tenebrosa é que continue.

PS- A ministra Rosa Weber votou contra o pedido de Luiz Inácio Lula da Silva. Singela e rapidamente, no mesmo sentido do voto de Gilmar Mendes. Mas como tenho dito, é uma opinião, não uma revogação.

PS2- No Supremo o voto de um Ministro pode ser igual ou diferente do outro, mas não o modifica. Só que ha um aspecto que precisa ser analisado e lembrado.

PS3- Gilmar, Teori, Rosa, votaram contra a posse de Lula, e a manutenção do processo sobre ele, em Curitiba. Se confirmarem a tendência, já serão 3 votos no dia 30.

PS4-Com isso, nesse dia 30, o processo estará com o juiz Sergio Moro. No dia primeiro de abril, Lula poderá ter determinada a prisão preventiva. 52 anos depois do golpe de 64.