13.3.16

A GUERRA DAS ROSAS

CARLOS CHAGAS -


Tem gente supondo o pior. Um ministro do Supremo imagina um cadáver. Senadores temem mais de três. Sindicalistas ampliam o número. Tudo como resultado de suposto entrevero entre defensores da prisão do Lula e partidários do impeachment de Madame. A motivação poderá ampliar-se: haverá quem sustente a imediata dissolução do PT e quem imagine lançar os tucanos na fogueira. Carnívoros contra herbívoros.

Ontem, as previsões eram trágicas. No país inteiro prenunciava-se a guerra civil. Não apenas em São Paulo, mas na maioria das capitais, o clima era de intolerância. Ninguém aceitava a argumentação oposta. Palavras como entendimento, cautela e boa vontade pareciam banidas do dicionário e até partidos afins digladiavam-se retoricamente ou, mesmo, interna corporis.

Prevalece a máxima de que “razão, tenho mesmo eu”. Companheiros não admitem erros na diretrizes da presidente Dilma enquanto o PSDB supõe ser ela a causa de todos os males. O PT duela com o PT ao tempo em que o PMDB até encontrou rótulos para suas duas alas: o seis e o meia dúzia, que nem se falam. No palácio do Planalto a briga é de foice em quarto escuro. No Congresso, dividem-se como num galinheiro sem galo e pleno de raposas. Aguarda-se o caos para hoje, mesmo sendo domingo.

Situação e oposição reivindicam para o adversário o rótulo de Capeta ou de Satanás, imaginando a impossibilidade de o país voltar a unir-se e as instituições a funcionar. A confusão é geral quando se exige prisão para o Lula e afastamento para Dilma, quando nenhuma das duas hipóteses conduzirá a lugar algum.

FLAGELAÇÃO PREVENTIVA

Em vez de prisão preventiva, por que não flagelação preventiva? Ficaria mais fácil reunir na Avenida Paulista, de cada lado da pista, montes de partidários da cadeia para o Lula e de mais poder para Dilma. Solução não há, quem sabe os dois grupos se equivalessem em número e ímpeto e cada um levasse ramos de rosas na mão, supondo travar com elas o confronto final? A um sinal do governador Geraldo Alckmin, lançar-se-iam a vergastar os adversários, claro que figuradamente, proibidos de verter sangue e de tirar lágrimas do contendor. À esquerda,  promotores e procuradores. À direita, dirigentes sindicais. Equilibrados em número e em vigor. Seria um belo espetáculo, digno de ser encenado sob os aplausos da multidão aglomerada na calçadas. No fim, o asfalto estaria coalhado de pétalas, sem que se pudesse apontar um vencedor. Fora daí , não sobra nada.