12.3.16

A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE

CARLOS CHAGAS -

Reuniram-se lá no céu o Padre Eterno, Jeová, Alah, Tupã, Júpiter,Zeus, Zoroastro, Buda, Isis, Osíris e quantas divindades a mais, maiores e menores. Precisavam enfrentar a fome, a miséria, a doença, o desemprego, os terremotos, os ciclones, a alta do custo de vida, os impostos e, antes de tudo, a grande questão que assola a Humanidade: depois deles e de nós, virá o quê?

Solução não encontraram. Um sugeriu de novo o dilúvio. Outro optou pela espada. Aquele propôs a fuga para um planeta desconhecido, este lembrou a importância de um guerra ampla, geral e irrestrita, inclusive entre ELES. Houve até um partidário do nada absoluto.

Enquanto isso, continuaram as agruras, mais DELES do que nossas, aliás, pois o resultado foi o desânimo pleno. Se lá em cima o clima era de catástrofe, imagine-se aqui em baixo.

Foi quando se ouviu uma vozinha pálida e tímida, sem personalidade, daquelas que ninguém presta atenção, vinda do mais profundo dos buracos: “Por que não recomeçar outra vez?”

Animaram-se todos. Podia ser a solução. Primeiro, tornou-se necessário saber de quem e de onde vinha o conselho. Os potentados voltaram-se para o abismo profundo e perceberam que de lá emergia a palavra mágica em condições de salvar a Raça Humana e tudo o que a circundava. Inclusive ELES.

Por singular coincidência, faltava-lhe o dedo mindinho numa das mãos. Os cabelos começavam a rarear. Vieram as lições: “Primeiro, matriculem-se todos num curso para torneiro-mecânico”. “Depois, fundem um sindicato”. “Em seguida, transformem-no num partido político”. “Mais tarde, disputem eleições, em nome dos pobres e dos miseráveis”. “Vitoriosos, através de polpudas ofertas de negócios, propinas, sinecuras e similares, tomem conta de seus países e, depois, do planeta. Em seguida o Universo será de vocês. E nosso também…”

Em poucos minutos todas as divindades estavam vestidas com longas túnicas vermelhas, seguidas por multidões e entoando loas guerreiras… conquistem empresários, especialmente empreiteiros e banqueiros.