3.3.16

ATO DOS SERVIDORES LOTA CENTRO DO RIO DE JANEIRO E REPUDIA OS ABUSOS DO ESTADO

ROGER MCNAUGHT -


A tarde da quarta-feira dia 2 de março foi marcada no centro do Rio de Janeiro pela luta dos servidores estaduais e estudantes da rede estadual de ensino. Com faixas, cartazes e um imenso carro de som, milhares de manifestantes lotaram o centro da cidade exigindo o fim dos desmandos do governo do estado para com o serviço público, seus servidores e usuários.

Na concentração da manifestação já era perceptível o caráter heterogêneo dos presentes.  Em meio a bandeiras dos mais diversos grupos partidários, sindicais e ideológicos, estudantes circulavam prestando apoio aos professores grevistas e reivindicando melhores condições de ensino, enquanto manifestantes combativos acendiam uma fogueira onde fora queimada uma bandeira do Brasil.

A manifestação percorreu diversas ruas do centro até seu ponto de encerramento na Cinelândia, onde mais uma vez seu caráter heterogêneo se tornou evidente.  Do alto do carro de som, uma das organizações presentes propôs o canto do Hino Nacional, recebendo de imediato vaias e gestos de desaprovação por parte de inúmeros manifestantes de vários grupos diferentes.  O fato mais curioso foi a forma com a qual o orador que estava ao microfone escolheu para tentar impor sua vontade:  o mesmo alegou que por estarmos em uma democracia, quem não concordava bastaria permanecer “ calado”.  Tal afirmação, acompanhado de olhares de seguranças que estavam ao redor do carro de som foram o bastante para que os manifestantes vaiassem ainda mais e em coro cantassem palavras de ordem para abafar o Hino Nacional.

Ao fim da manifestação, que ocorreu de forma tranquila e pacífica, ficou clara a necessidade do movimento de repensar a forma de interagir com a população, sem impor hinos ou silenciamentos enquanto se preparam para seu próximo ato ainda este mês.