4.3.16

ÀS 7 DA MANHÃ, ASSOMBROSAMENTE ENTRAVAM NO APARTAMENTO DE LULA; LEVADO PARA DEPOR. "DEPOIS DE ELEITO PRESIDENTE, EDUARDO CUNHA TRANSFORMOU A CÂMARA NUM BALCÃO DE NOGÓCIOS"

HELIO FERNANDES - atualizado às 11h57 -

Esta sexta feira, começou muito mais tenebrosa e perigosa do que terminou a quinta, ontem foi um dia dominado pela suposta e quase verdadeira delação de Delcídio. Era ou parecia um fato inédito.

O que aconteceu e continua acontecendo, espantoso mesmo 200 policiais devassam o apartamento de Lula, Atibaia, o triplex, o apartamento do filho de Lula, das noras dele e de Dona Marisa. Sem esquecer as diversas sedes da Odebrecht e da OAS.

De Curitiba me dizem: "Essa operação não tem como base a denuncia do senador Delcídio, não havia nem tempo para deflagrá-la de ontem, quinta, para a quase madrugada de hoje, sexta. Já estava programada ha tempos, com base no comportamento do próprio Lula". Faz sentido mas não deixa de surpreender e emocionar os que acordam e ligam a TV.

Antes das 9 horas vários jornais (sites) do mundo inteiro colocavam a noticia e garantiam cobertura para o desenvolvimento. Afinal, haja o que houver, contra ou a favor, Lula é o político brasileiro mais conhecido no exterior. A repercussão do que está acontecendo será estrondosa. E talvez influencie os acontecimentos.

Assim que invadiram apartamento de Lula, e fizeram o "convite" para acompanhá-lo, os policiais informavam: "O ex-presidente não vai pegar nenhum avião, (Curitiba) será levado para o aeroporto, onde a Policia Federal tem uma sede". Mas ás 9, os mesmos desmentiam: "Lula não está na Policia. Só que continuava depondo, fosse onde fosse.

Desde cedo, os advogados de Lula tentavam libertá-lo, só que não sabiam onde entrar com o recurso. Concordaram que o melhor seria um Habeas-Corpus no Supremo, mas demoraria muito, embora ganhassem na certa.  Em São Paulo, mais perto e mais rápido, poderiam perder. Às 10 em ponto, de Curitiba me falam: "Está sendo decidido se Procuradores embarquem para São Paulo. O avião está pronto, falta à decisão".

Termino estas notas ás 10,15, convencido de que é dos fatos mais inacreditáveis da minha longa carreira jornalística.  Lula foi irresponsável, arrogante, prepotente, acreditou que podia tudo. Não podia viver maravilhosa e confortavelmente, com os milhões que tem, e o que Constituição, justamente destinados ex-presidentes.
Precisava provocar e enfrentar todo esse constrangimento, que não se sabe como e quando terminará?

Em frente ao apartamento de Lula, em São Bernardo, verdadeira multidão. Contra e a favor do Lula, discordando ou até brigando violentamente. E a policia assistindo, impassível.

PS- Na quinta, ontem, muito tarde, Sergio Moro atendeu o Ministério Publico e aceitou o pedido de prisão preventiva para o casal Santana.  Era inevitável. Quando houve a prisão temporária, 5 dias prorrogáveis por mais 5, analisei aqui: "Não serão libertados tão cedo". Conclusão obvia. Considerei que até aquele momento, e mais do que para um fato de notável importância, conseqüências mais do que previsíveis.

PS1 - Falta a Odebrecht. Confessou que gastou quase 30 milhões para financiar campanhas em Angola e Panamá.

Às 7 da manhã, assombrosamente entravam no apartamento de Lula; levado para depor

Essa é uma frase do voto do Ministro Celso de Mello, completando a sessão histórica da qual o presidente da Câmara saiu como RÉU por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Na quarta feira a primeira parte foi interrompida com Cunha perdendo de 6 a 0. Marcada a final para ontem, quinta, antecipei: "Faltam votar 5 ministros, a decisão será tomada por 11 a zero, UNANIMIDADE". Aconteceu, exclusividade do repórter.

Eduardo Cunha devia renunciar ou então como um todo, o Congresso retira-lo. A questão não é apenas de uma parte e sim dos 594 parlamentares. O que não pode é continuar a desmoralização geral, e a revolta das ruas, que se manifesta através de pesquisas. Mas assim que acabou a sessão do Supremo, o presidente da Câmara deu entrevista vergonhosa e acintosa.

Parece que não é com ele. Conversando com amigos, perdão, apaniguados, garantiu: "Antes do fim do ano ninguém me tira do cargo ou cassa meu mandato”. Textual e rigorosamente verdadeiro.

Quinta tumultuada, perturbada, complicada

Começou cedo. Por volta das 9 da manhã, circulou: "Delcídio do Amaral fez "delação premiada". (No seu voto magistral, o Ministro Teori não usou a palavra, sempre identificava como "colaborador". Dois Ministros registraram o fato). Sem muita noticia, comentaristas ocuparam rádios e televisões, sem nenhum fato concreto. Por volta das 10 horas, apareceu um exemplar da revista "IstoÈ", com longa entrevista do senador. Aí, todos se desdisseram, surgiram mais exemplares.

Delcídio desvendava participações e mais participações de Dilma e Lula. Passeava pelos caminhos da presidentA e do ex-presidente vindo desde Pasadena. E não parava mais. O primeiro a se manifestar foi o Ministro da Justiça demitido, perdão, destituído. Defendeu ardorosamente Dilma, esqueceu de Lula, protagonista da sua saída. Fez questão de registrar: "Ainda não li a entrevista".

Mas não parou de falar. Por volta das três da tarde deu longa entrevista na televisão. As estações que transmitiam a sessão do Supremo, mudaram para o ex-ministro, se perderam. (Este repórter que acompanhava pela TV-Justiça, continuou).

Dilma se defende e ataca na posse do Ministro que veio da Bahia

Desarvorada, acreditando, como está no texto que Delcídio mandou para 80 senadores, que não faria "delação", não sabia o que dizer ou fazer. Tentou desequilibrar  seu amigo intimo, e líder do governo, mas não obteve sucesso.

Nesse quesito, Eduardo Cardoso foi mais eficiente pois usou termos violentos, se mostrou implacável. O dia terminou, veio à noite, mas nenhuma conclusão. A não ser o desmentido do próprio senador: "Não fiz delação, dei APENAS uma entrevista".

Não existe serenidade para ninguém. Principalmente na cúpula do Legislativo e do Executivo, e também dos marqueteiros, marido e mulher, que mentiram desabridamente. O Instituto Lula, silencioso, triturado por muito lados, avalia a situação. Delcídio insiste que não fez delação.

Perguntinha ingênua, inocente, inútil, inócua: o que é pior para os citados, aceitando que ele não fez delação, mas deu a entrevista? E o Ministério Publico de Curitiba, pode desenvolver o que Delcídio disse á IstoÈ?