29.3.16

JORNALISTAS CONTRA O GOLPE: JOSÉ LOUZEIRO, EMIR SADER E TEREZA CRUVINEL

Por JOSÉ LOUZEIRO

Um grupo de jornalistas, associados ou não da ABI, se posiciona na defesa da legalidade democrática e contra a tentativa de golpe midiático, judicial e parlamentar em andamento no Brasil.


"A ABI NÃO PODE SE CURVAR DIANTE DOS DONOS DO PODER"

A Associação Brasileira de Imprensa Não é de um dono. A ABI é uma instituição de tradição no jornalismo brasileiro. Quando se fala em jornalismo, está incluída ABI. A ABI não é de um dono. É uma instituição cultural e plural.

Houve um tempo em que a ABI atuava fortemente no jornalismo brasileiro e por isso ela tinha marca, expressão. Era um tempo em que o Rio de Janeiro tinha grandes jornais, um deles, o Correio da Manhã, sob o comando da Guiomar Moniz Sodré, uma mulher valente. É por isso que, pela primeira vez, a ABI deve se expressar assumindo o seu papel: o papel da imprensa livre na defesa da nossa Constituição e da soberania nacional.

A ABI tem que participar ativamente em defesa dos jornalistas que lutam contra o golpe, restabelecendo o papel de Barbosa Lima Sobrinho e de Maurício Azêdo, que sempre foram sérios defensores da imprensa. É preciso que acima de tudo a ABI e os jornalistas estejam compromissados com os ditames da verdade.

Felizmente sempre aparecem mulheres valentes, dignas do maior respeito, uma delas agora, é a Presidenta Dilma Rousseff, que pela valentia, está causando incômodo entre os velhos oligarcas. Dilma é uma mulher digna de admiração e respeito. O projeto de governo da Dilma, especial como é, causa incômodo entre os reacionários. A ABI é uma instituição democrática que não pode se curvar diante dos donos do poder.

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EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Por Emir Sader

O que está em jogo neste momento no Brasil não são apenas as conquistas dos anos recentes, mas também a continuidade e aprofundamento da democracia ou o retrocesso para processos conservadores do ponto de vista econômico e repressivo do ponto de vista social.

A direita quer criar um consenso artificial a favor do impeachment e da exclusão do Lula da vida política. Cabe aos democratas construir o consenso popular pela democracia, em que a ABI sempre teve papel de vanguarda.

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É PRECISO DETER O GOLPE
Por Tereza Cruvinel

A ofensiva política para derrubar a presidenta reeleita em 2014 e deslegitimar o maior líder popular brasileiro culminou nos últimos dias em graves violações das garantias constitucionais.

A pretexto de combater a corrupção, assim como os militares e seus aliados se ancoravam na ideologia da segurança nacional, uma poderosa aliança movida por interesses políticos está levando o Brasil ao limiar da ruptura na ordem democrática erigida pelos que resistiram e derrotaram a ditadura civil-militar.

É inequívoco o papel dos meios de comunicação  nesta ofensiva, ao lado de setores do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e de partidos derrotados em 2014, o que exige da Associação Brasileira de Imprensa a reiteração de seu compromisso com a democracia, a liberdade e o Estado de Direito.

Os jornalistas comprometidos com a verdade e a honestidade na tarefa de informar esperam da ABI um claro posicionamento sobre os acontecimentos em curso e especialmente sobre o desvirtuamento do papel dos grandes veículos, privados ou explorados sob regime de concessão.