23.3.16

JORNALISTAS CONTRA O GOLPE

Por TEREZA CRUVINEL - Via blog Brasil247 -

Historicamente a Associação Brasileira de Imprensa – ABI sempre esteve ao lado das lutas democráticas do povo brasileiro. Entretanto, até agora, a entidade não se posicionou contra a tentativa em curso de golpear o Estado de Direito com o impeachment legalmente infundado da presidente eleita e reeleita e com violações gritantes às garantias constitucionais, como a de que tem sido vítima o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros atores políticos do campo progressista. Um grupo de jornalistas, filiados ou não à ABI, lança manifesto, aberto a adesões, cobrando o posicionamento coerente da entidade. Segue o texto do manifesto para adesões.
Adesões pelo e-mail  ajakobskind@gmail.com

Mário Jakobskind, Daniel Mazola, Professor Pinaud, André Moreau, entre outros valorosos colegas e cidadãos de bem... estão contra o golpe. Foto: arquivo do Mazola.
Jornalistas Contra a Tentativa de Golpe Midiático, Judicial e Parlamentar

Nós jornalistas, associados da ABI ou não, vimos, através desta, manifestar publicamente nosso repúdio às tentativas em curso de eclosão de um golpe midiático, judicial e parlamentar, que levará o Brasil à quebra da ordem constitucional com a derrubada da Presidenta constitucional Dilma Rousseff.

O que nos move também é evitar que aconteça com a nossa entidade secular o mesmo que ocorreu em 1 de abril de 1964, quando a diretoria da ABI em um primeiro momento apoiou a quebra da ordem constitucional que resultou na derrubada do Presidente da República, João Goulart e 21 anos de uma ditadura empresarial militar que torturou, assassinou e prendeu quem se insurgia contra o regime de exceção, além de longos anos de censura à imprensa.

Cumpre ressaltar que perdemos entre outros membros da Casa dos Jornalista, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony que precisava de um documento assinado por um dirigente de classe, comprovando que ele não era terrorista, isto para não ser preso, o que foi negado pela diretoria da ABI e posteriormente pelo Sindicato dos Jornalistas, que inclusive o expulsou de seu quadro de associados.

Nos dias atuais, em pleno Terceiro Milênio, lamentavelmente, a grande mídia brasileira se posiciona de forma antijornalística, comportando-se na prática como partido político defensor de valores antidemocráticos, como aconteceu em outros momentos históricos de crise política em nosso país, entre os quais em agosto de 1954, que culminou com a morte do Presidente Getúlio Vargas, as tentativas de derrubar o então Presidente eleito Juscelino Kubitschek e ainda o golpe de 1 de abril de 1964.

Não podemos esquecer que durante a ditadura empresarial/militar Juscelino Kubitschek foi levado várias vezes às dependências da Polícia Federal para prestar depoimento sobre a "compra de um imóvel", utilizando-se então o mesmo modus/operandi  atual contra o ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva.

A única diferença é que hoje a conspiração ocorre em escala continental/ocidental. A informação é uniformizada de forma estratégica visando alienar num primeiro momento, seguindo a linha de Joseph Goebels, o responsável pelo departamento de propaganda do III Reich nazista, para posteriormente manipular, criando fatos, como, por exemplo, juízes heróis dispostos a trabalhar na promoção de espetáculos de justiçamento em nome do povo, mas que em verdade, só atendem interesses dos blocos de empresas de comunicação e de acionistas que faturam com a quebra da Petrobrás.

Hoje, a omissão de fatos importantes e destaque desproporcional na cobertura dos acontecimentos é visível  e objetivam fazer cabeças, ou seja, influenciar no posicionalmente da opinião pública em favor de um dos lados. Como exemplo concreto, vale destacar editoriais da imprensa ofensivos à Presidente da República , como o do jornal The New York Times e o silêncio sobre o pedido do Presidente do Uruguai, Tabaré Vasquez no sentido da Unasur (União das Nações Sul Americanas)  se posicionar em defesa da ordem constitucional ameaçada no Brasil pela campanha contra a Presidenta Dilma Rousseff.

Repudiamos também a tentativa de golpe na área do judiciário quando juízes acionam dispositivos, ilegais de fato e de direito, que estão levando o país ao acirramento de ânimos que poderão conduzir até uma convulsão social.

Para completar o quadro, no Parlamento brasileiro, onde alguns representantes não têm estatura moral para falar em nome do povo brasileiro, até por já serem réus acusados de corrupção, conduzem a toque de caixa, sem base legal,  processo de impeachment contra a Presidenta da  República.

Enquanto jornalistas  não podemos aceitar em silêncio tal fato.

Defendemos sim, a punição de responsáveis por corrupção em qualquer esfera,  mas não podemos silenciar diante do quadro atual em que, vale sempre repetir, setores da mídia, do judiciário e do Parlamento conduzem suas ações para um golpe de estado semelhante ao ocorrido em outros países da América Latina como o Paraguai e Honduras.

Defendemos, não partidos políticos, mas sim a democracia ameaçada neste momento grave que atravessa a nação brasileira.

Diante da urgência que o caso requer e da omissão da atual diretoria da ABI e do presidente Domingos Meirelles diante do atual momento, propomos divulgar esta nota imediatamente, já que consideramos o espaço vago e a ABI precisa ocupá-lo com posição que defenda a legalidade democrática e todos os jornalistas.

Continuação: Depoimentos de jornalistas...