14.3.16

LAVA-JATO MANIPULA OPINIÃO PÚBLICA COM CONTABILIDADE DO PETROLÃO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Os operadores da Lava Jato estão enganando a opinião pública brasileira com sua contabilidade espúria a respeito dos prejuízos causados pelos diretores bandidos da Petrobrás e os dirigentes de construtoras relacionados com os escândalos da Petrobrás. Estão dizendo que os recursos recuperados até aqui ascendem a R$ 7 bilhões, mas fazem um esclarecimento de pé de página segundo o qual o valor real é dez vezes menor, pois multas sem precedentes são aplicadas acima do valor efetivo do suposto prejuízo, totalizando os R$ 7 bilhões.

Assim, os prejuízos efetivos são de R$ 700 milhões, não R$ 7 bilhões. Mas no afã de anunciar grandes prejuízos recuperados, que não houve, e a fim de impressionar a sociedade talvez com o intuito de justificar o formidável aparato montado em Curitiba em sua investigação-espetáculo, os promotores e o juiz Moro fizeram contas truncadas estipulando multas que, no caso de empresas que não fizeram delação premiada, ascendem, como mencionado, a dez vezes o prejuízo apurado. É uma forma truculenta de abalar a situação econômica de empresas e, portanto, a economia brasileira, a Petrobrás e o emprego.

Trata-se de um procedimento asqueroso, que o grande astro das ruas de São Paulo deve contabilizar no arquivo de agressões às grandes construtoras do país. Já escrevi aqui várias vezes, defendendo acordos de leniência, que os processos da Lava Jato, se feitos com sabedoria e isenção, deveriam separar empresários acusados de irregularidades de suas empresas. Não existe nenhuma razão pela qual os trabalhadores nessas empresas, de todos os escalões, devam pagar com desemprego os desvios praticados por seus patrões.

As multas extravagantes arbitradas por Moro contornam de maneira abusiva a lei de leniência recentemente editada pelo Governo para salvar empresas de sua sanha. O propósito é esgotá-las financeiramente. A quem isso interessa? Sabemos muito bem. Os procedimentos de Moro, um juiz doutrinado pelo Departamento de Estado norte-americano, significam em última instância quebrar financeira e economicamente as grandes empresas brasileiras a fim de abrir espaço para as empresas estrangeiras, sobretudo norte-americanas. E que a geração interna de empregos vá às favas!

*Economista, doutor pela Coppe-UFRJ.