29.3.16

Lula: "Só preciso de 6 meses de paz e tranqüilidade para salvar o governo Dilma, e o Brasil, devolver ao povo, a satisfação e alegria que merece".

HELIO FERNANDES -


Essa constatação reivindicação, mostra o desespero, desequilíbrio e desatualização de quem esteve 8 anos no poder, e não aprendeu nada. E deixa bem visível o desapreço de Lula por ele mesmo, implorando, quase de joelhos, que lhe entreguem o poder pelo menos por algum tempo. Quem lhe daria esses 6 meses para “salvar Dilma e o Brasil?". A oposição que alem de não ter capacidade de nomeação, quer o governo para derrubar Dilma e o próprio Lula. E se recebesse essa "dádiva" de 6 meses, o que faria Lula nesse tempo?A suposta oposição não quer apenas 6 meses e sim 5 vezes mais, 2 anos e meio.

Sem falar na possibilidade de reeleição de Temer em 2018. O atual vice garante aos parceiros: "Não disputarei de maneira alguma a permanência no poder por mais 4 anos". Quem confia nele, apesar de já ter se considerado e confessado "decorativo?". Mas a chave para conquistar os votos, aprovar o impeachment e ser promovido de vice a titular é esta, repetida muitas vezes: "Meu objetivo é a modificação total do Brasil, que farei até 2018, começando agora em 2016".

Lula passou a semana inteira tentando um encontro com o vice. Não obteve o sim,  não recebeu nem mesmo uma desculpa por interpostas pessoas, ou áulicos intermediários. Os telefonemas e mensagens serviam apenas de chacota. Perguntavam a Temer: “O Lula ainda não fez contato hoje?". Ou então a iniciativa surgia do próprio Temer: "Meio dia e o Lula só ligou quatro vezes". E riam todos, vitoriosos.

Como não conseguiu nada com esses "herdeiros” do impeachment, Lula ganhou ainda menos com Dona Dilma, que por enquanto ainda mantém o poder de nomear, embora sejam raros os que aceitam ou aceitariam uma nomeação. Sabem que sua manutenção é periclitante, a promoção de Temer é quase uma realidade, seriam retaliados por ele. E que cargos Dilma poderia colocar em leilão? Nessa mais do que presumida operação-salvação, não basta 1 voto por 1 cargo, a vantagem tem que ser para o Planalto. Que se desespera com a contagem comandada pelos números: 342 de um lado, 172 do outro.

O "troca-troca" é uma necessidade obrigatória, em duas vertentes. 1- O extravagante, estranho e esdrúxulo "presidencialismo-pluripartidario", que aprisiona o Executivo aos votos do Legislativo. Nem sempre obtidos em negociações éticas ou morais. 2-Se a dificuldade e a concessão têm esse padrão em épocas digamos normais, como rotulá-las em tempos de crises imemoriais, como as de agora? No momento o PMDB se contorce nas dores do parto eleitoral. Ainda não se decidiu pela "cesariana", simbólica, ou pela cirúrgica, mais violenta, mas imediata. Não podem esperar muito. Os 55 votos do PMDB (tem 69 no total) decidem o desembarque, mas não garantem o numero chave para a derrubada. Precisam do efeito dominó, que pelo menos 3 partidos da base, sigam a "ética" do partido. Se isso acontecer, o impeachment estará decidido. Temos que esperar.

Lula precisa mudar de discurso, provar que não precisa ser Ministro

O que está no título principal, inteiramente ultrapassado, mesmo que Lula tenha ficado na esperança, no sonho e na expectativa. Sem ter recebido o titulo, apesar do massacre sofrido só com o anuncio da irrealidade que não se consumou. Hoje, terça, esperando para amanhã, quarta, a sessão do Supremo que pode não se realizar, Lula deveria vir a publico. Ofereço um rascunho ou imagem do que poderia comunicar á opinião publica: "Não quero nem preciso ser Ministro, para ajudar o Brasil. Não aceitarei de maneira alguma um ministério. Mas continuarei lutando assim mesmo”. Não adiantaria nada. Mas ninguém poderia acusar Lula, de estar querendo a liberdade em troca de ser Ministro.

O Brasil super endividado

Em dezembro de 2015 fiz analise do ano que terminava, e de 2016 que começava. Todos os meus cálculos levavam á conclusão: o que está surgindo será tenebroso e inacreditável. Dei ênfase á crise econômica, e á divida publica, que já foi divida externa. Terminava 2015 em 2 trilhões e 600 bilhões de reais. Ontem foi publicado o valor no fim deste março: 2 trilhões e 800 bilhões. Em nada disparatado, meu levantamento, de que poderia ou poderá terminar este ano em 3 trilhões. Recessão interna pelo terceiro ano seguido. E divida publica impagável.

Surpresas nas previas dos EUA

Os republicanos estão com o enorme problema chamado Donald Trump. Está dizimando e desprezando o alto comando do partido. Não admitem a vitoria dele, mas não encontram solução. Agora, surpresa entre os democratas. O senador Sanders não ameaça Hillary, mas vem ganhando onde ninguém esperava. No fim de semana, três previas, três vitorias dele. Dois estados pequenos, com poucos delegados. Mas um grande, Washington, (não a capital) com 101 representantes.

O segundo pedido de impeachment, recusado por Eduardo Cunha, sem ler

A partir das 4 da tarde até ás 5,30, mais de 100 advogados contra e a favor, tumultuaram o salão verde da Câmara. A confusão foi total, houve até tentativa de agressão física, Os que pretendiam tirar Dilma eram chamados de "parceiros de Eduardo Cunha". Os outros eram "pró democracia", recusados até com insultos. No salão verde, com capacidade para 200 pessoas, estavam pelo menos 500. (Mais ou menos 100, eram jornalistas, cinegrafistas, radialistas, fotógrafos).

Não conseguiram chegar até onde estava Cunha, que mandou dizer, "não receberei nenhum pedido". Por mais surpreendente, é uma faculdade do presidente da Casa. (Já existem 16 pedidos recusados por ele. Sem contar com esse, de advogados contra ou a favor). Enquanto isso, dona Dilma se reunia com uma porção de gente, incluindo Ministros que não querem perder os cargos. Mas também não querem perder o partido, todos do PMDB.

Um Ministro do PMDB deixa o cargo

O dia de ontem foi tão movimentas do quanto se esperava, dos dois lados. Às 8 da manhã já tomavam café coletivo. E á meia noite ainda negociavam. Às 6 da tarde, Henrique Eduardo Alves, Ministro do Turismo, mandava carta de demissão ao Planalto. Textual: "Pertenço ao PMDB ha 46 anos, junto com meu amigo Michel Temer". È um mágico, o PMDB só tem 34 anos. Antes era o MDB. E Temer não tem tanta idade para estar ha 46 anos num partido.

De qualquer maneira, o ex-presidente da Câmara foi corajoso. Envolvido na lava jato, perdeu o foro privilegiado.

Hoje terça, o PMDB sem mistério

Está praticamente tudo resolvido. ÀS 3 da tarde se reúnem. E sem surpresa para ninguém, Michel Temer comunicou que não estará presente. Tomem nota: o Planalto perdeu a Câmara e está perdendo o senado. Basta verificar a "fraternização" de Temer com Renan, Eunício,Romero Jucá.

O Supremo, amanhã, deve decidir as questões pendentes, com Gilmar Mendes ou sem ele. Muita satisfação com o farto material enviado por Sergio Moro. Havia tensão, que se dissipou. Lula pode se salvar, afirmando publicamente que não ha possibilidade de ser Ministro. Mas tem que ser ates da reunião de quarta.