2.3.16

MATEMÁTICA

MIRANDA SÁ -

“A matemática vista corretamente, possui não apenas verdade,mas também suprema beleza – uma beleza fria e austera” (Bertrand Russell)


Na década de 1950, quando dei baixa do Exército (no meu tempo a gente tinha orgulho de servir ao País) ganhei uma viagem à Europa dos meus pais. Fui à França, quase uma obrigatoriedade para os jovens da época, e encontrei em Paris um colega que lecionava na República Democrática Alemã.

Com o famoso “jeitinho” brasileiro levou-me com ele para Leipzig e conseguiu-me uma hospedagem na famosa Universidade de lá, uma das mais antigas da Europa. Dali, com o pouco dinheiro que tinha fui para a outra Alemanha, à Áustria, à Holanda, à Bélgica e de novo à França para regressar ao Brasil.

De uma família de professores, preocupei-me em ver escolas e constatei, no ensino médio, a importância que davam às matemáticas, coisa que no Brasil assustava a garotada como um monstro.

Passado o tempo, e já atuando na imprensa, tomei conhecimento que uma das maiores batalhas da “Guerra Fria” se desenrolava nas escolas… Americanos, ingleses e soviéticos davam às suas crianças e jovens um ensino da melhor qualidade.

E depois assisti o grande salto desenvolvimentista dos chamados “Tigres Asiáticos” convencendo-me que o desenvolvimento deles devia-se à Educação, principalmente ao estudo científico, acompanhando métodos usados na China que graças à formação de gerações se tornou a segunda potência econômica do planeta.

Arrastando essas memórias através dos anos, envergonho-me do que ocorre com a educação no Brasil, atrasada mais de meio século do resto do mundo. Os números que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico divulga sobre o nosso País são indignos, odiosos.

Ficamos em 60º lugar no ranking mundial de Educação da OCDE, e como previ, os “Tigres” ocuparam as primeiras colocações, Singapura no primeiro lugar, seguido por Hong-Kong, Coréia e Japão.

A maior desonra é ver-se que na América Latina ficamos atrás do Chile, Costa Rica, México e Uruguai; e o pior de tudo é que as autoridades do PT-governo ficaram eufóricas pela melhora em 10 anos de 0,68 no desempenho em matemática…

A maioria das crianças brasileiras até 11 anos não fazem contas aritméticas de somar, diminuir, dividir e multiplicar; isto, num País aonde a presidente Dilma, conduzida pelo marketing lançou um slogan, “Pátria Educadora”, mostrando uma incrível falta de escrúpulos…

Acredito que o analfabetismo, no idioma e nas matemáticas, é uma meta do narco-populismo travestido de “socialismo”. Para dominar o povo, os pelegos no poder impedem que a juventude se dedique ao estudo libertador da mente e do espírito.

Recentemente, o jornalista, escritor e pesquisador Ruy Castro escreveu sobre a reforma dos currículos escolares imposta de cima para baixo pelo MEC. Entre os absurdos do PT-governo, os luminares da literatura brasileira e portuguesa já não comporão a grade do ensino médio.

Lembro que o bando cretino do ‘politicamente correto’ já tentou – audaciosamente – tirar os livros de Monteiro Lobato das estantes; agora o poder invisível da ignorância “tornará milhões de livros obsoletos” como diz Ruy Castro.

Impedindo o acesso à linguagem, os zumbis do governo moribundo que vagabundeiam na administração pública, insistem em degenerar o povo pelo desvirtuamento da própria língua, como lembrou Rui Barbosa; e, coibindo o ingresso ao mundo das matemáticas, roubam-nos o futuro.

O culto da ciência alegrou-se nestes dias ao se comprovar, 100 anos depois, a teoria sobre a existência das ondas gravitacionais que Albert Einstein enunciou na Lei da Relatividade… Este sábio tem uma frase antológica que vale a pena inserir neste texto: “A Matemática não mente. Mente quem faz mau uso dela.”