4.3.16

MITOMANIA

MIRANDA SÁ -

“Há indivíduos que não hesitam em prejudicar semelhantes com a mentira, o engano e a calúnia, contanto que o possam fazê-lo impunemente” (Sigmund Freud)

Li e ouvi certa vez que o filósofo Zenão de Eléia, famoso por enunciar paradoxos, apresentou um deles que é um verdadeiro jogo de palavras: “Se dizes que mentes e estás falando a verdade, mentes; se dizes que mentes e mentes de fato, estás mentindo.”

Curioso, encontrei esse representante da Escola Eleática que viveu quase meio século antes de Cristo. Foi discípulo de Parmênides, e usou seus conhecimentos da Lógica criando argumentos para desacreditar os críticos do seu mestre. Herdamos restos dos seus escritos e o que temos de concreto sobre eles, devemos a Aristóteles nos seus estudos sobre Física.

Os paradoxos mais famosos de Zenão buscam demonstrar a inexistência do movimento, conhecidos como “Método de Zenão”, em que ele assume como verdades as hipóteses das teses dos adversários e esmiuçando-as derruba-as com conclusões contraditórias e inaceitáveis.

Esses ardis do raciocínio, para enganação doutrinária dos sentidos, impõem, porém, o hábito da mentira, a compulsão em mentir, mais tarde estudada na psicanálise como “mitomania”.

A mitomania é uma patologia considerada pelos estudiosos como o mentir compulsivamente, seja no infantilismo de expressar fantasias, seja como reflexo do desejo inconsciente de se expor seja utilitária na busca de compensações.

Esta busca de compensações é a cara da Era Lulo-Petista. Para Dilma, por exemplo, a mentira tornou-se um vício incontrolável, fantasiando um “País das Maravilhas” em marcha para o socialismo bolivariano…

Dilma mente até quando está falando a verdade. Há vários sites nas redes sociais listando as dezenas de vezes em que ela mentiu. Curioso é que ao contrário do que expõe a doutrina psicanalítica Dilma sabe que está mentindo. O seu criador, Lula da Silva, também sabia que estava mentindo quando criou a fraude da “gerentona”, enganando os eleitores incautos para elegê-la.

Foi Lula, um grande manipulador da mentira, quem inventou a síndrome do “nãosabiismo”, uma fuga ao conhecimento dos crimes cometidos à sua volta e por si mesmo.  O “nãosabiismo” é uma manifestação nacional da mitomania; os mitomaníacos mentem para se exibir, os “nãosabiistas” mentem para se esconder e fugir às responsabilidades.

Vivemos uma explosão política com as contundentes denúncias da delação do senador petista Delcídio do Amaral. Até ontem, Delcídio era líder do PT-governo no Senado Federal. Passeava a sós nos jardins do Alvorada com a Presidente, conchavando ações políticas. Visitava Lula semanalmente provocando ciúmes entre velhos pelegos. Enfim, era de confiança.

Por interferir criminosamente nas investigações da Lava Jato o parlamentar mato-grossense foi preso. O PT falou em expulsá-lo, mas ficou na suspensão; solto, seus parceiros se mobilizaram e, arranjaram até um sabujo do PDT para evitar a cassação na Comissão de Ética.

Agora descobriram por uma reportagem da revista IstoÉ, que Delcídio aderiu à delação premiada, envolvendo Dilma nas maracutaias de Pasadena e em confabulações para soltar empresários corruptos; e revelando que foi Lula quem planejou a trama da fuga de Cerveró.

Pelos acontecimentos que se desdobram e pelos “fragmentos delinquenciais”, sabemos que Lula, Dilma e seguidores não hesitam em usar a mentira crendo na impunidade, como alertou Freud.