21.3.16

NÃO POSSO TER SIMPATIA PELO MINISTRO GILMAR MENDES!

GERALDO PEREIRA -


Infelizmente não tenho simpatia pelo mato-grossense Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal do meu país. Como homem de fé, temente a Deus, recorro sempre a Ele, pedindo como sempre faço, todas as vezes que a duvida se aproxima da minha consciência – orientação. Afinal de contas, nunca vi pessoalmente o citado ministro, ele, pessoalmente nunca me fez mal, muito embora constate há muito tempo, o mal que ele tem cometido contra o direito e a verdade.

Mestre Heráclito Fontoura Sobral Pinto, meu saudoso amigo, sempre por mim lembrado, dizia-me com a sua profunda fé em Deus, e respeito pelo seu semelhante, que, o homem foi o único animal a quem Deus concedeu o direito de percepção. Percepção para que, me perguntava e respondia ao mesmo tempo, com seus olhos fixos nos meus. “Percepção, Geraldo, para distinguir a verdade da mentira”, fazia uma pausa longa. “O certo do errado”, outra pausa mais longa, “o bem do mau”, com uma impostação de voz incisiva.

O papo proveitoso, as lições do Mestre, que tantas e tão boas influencias exerceram e ainda exercem na minha quase longa vida, na formação definitiva do meu caráter, estão vivas e presentes no meu dia-a-dia. E Sobral Pinto voltava ao assunto, me afirmando dessa vez com veemência que, se o homem tivesse essa percepção, não haveria guerras. O mundo viveria em paz, todos seguindo os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo: “Amai-vos, uns ao outros, assim como vos amei”.

Volto ao ministro. Porque alimento essa falta de simpatia por ele? Será por seu jeitão de estar sempre com aquele semblante de quem comeu e não gostou? Será pelos dois habeas-corpus que libertou o banqueiro Daniel Dantas, após ser preso e algemado pela policia federal durante a Operação Satiagraha, comandada pelo corajoso delegado Protógenes Queiroz, sendo condenado ha dez anos de reclusão e a multa de 13 milhões e 200 mil reais em dezembro de 2008, pelo juiz Fausto De Sancdis? Será pelo o que me informou o colega Rubens Valente através do seu excelente livro “Operação Banqueiro” com, um longo subtítulo: “uma trama brasileira sobre poder, chantagem, crime e corrupção. A incrível história de como o banqueiro Daniel Dantas escapou da prisão com apoio do STF e virou o jogo, passando de acusado a acusador”.

São 462 paginas que nos deixam ainda mais pobres e envergonhados com a Justiça brasileira. Na contra capa dessa obra, leitura indispensável para aqueles brasileiros que pensam o Brasil, a editora Geração nos diz: “A história de como o banqueiro Daniel Dantas foi preso e libertado, acusando seus acusadores. Um acontecimento inusitado assombrou o Brasil em 2008: o poderoso e enigmático banqueiro Daniel Dantas foi preso pelo delegado Protógenes Queiroz, por ordem do juiz Fausto De Sancdis, e conduzido algemado para uma cela comum, acusado de vários crimes. Mas logo depois foi libertado, por ordem do então presidente do Supremo Tribunal Federal – STF, Gilmar Mendes. As provas da investigação foram anuladas. O delegado foi afastado de seu trabalho e elegeu-se deputado. O juiz deixou sua Vara e assumiu cargo de Desembargador no Tribunal Regional Federal, mas em áreas sem relação com crimes financeiros, sua especialidade. O que teria acontecido? Nesse livro que se lê como thriller policial, o repórter investigativo Rubens Valente, da Folha de S.Paulo desvenda toda a história com a revelação de aspectos inéditos, documentos e segredos”.

Pela segunda vez volto ao ministro Gilmar Mendes. Peso permissão ao jornalista Bernardo Mello Franco, e também a Folha de S.Paulo como seu assinante ha longos anos, para levar ao conhecimento dos leitores do site da TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE, alguns trechos do seu atualíssimo artigo publicado ontem (20) focalizando o ministro “Gilmar, o despreocupado”. Nele é lembrada a advertência dessa admirável reserva moral do direito brasileiro, professor Dalmo Dalari, jurista sério, comprometido com o bom Direito, numa frase de um artigo seu publicado na Folha de S.Paulo quando Gilmar Mendes foi indicado pelo então presidente FHC para o Supremo. O famoso jurista, afirmou: Se essa indicação vier a ser aprovada, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”.

Nos fala o autor do artigo, da “presença” constante na mídia, a agressividade em declarações contra o Governo e a proximidade com políticos do PSDB lhe renderam o apelido de “líder da oposição” no STF. “Gilmar não parece preocupado com isso. Desde que a crise politica se agravou ele usa todas as oportunidades para atacar Dilma e o PT. (...) espera-se de um ministro do supremo que não tome lado na luta politica e atue com imparcialidade”.

O articulista Bernardo Mello Franco sempre muito bem informado, escreve que “em um julho passado, ele foi à casa de Eduardo Cunha discutir o impeachment. O deputado já era investigado na Lava-Jato por suspeita de corrupção”, e nos lembra também que “em setembro, o ministro estrelou evento na sede da FIESP (...) aproveitou o palanque para repetir ataques ao PT”. O que nos causa surpresa é que na “ultima quarta, Gilmar almoçou com o tucano José Serra, segundo o jornal “O Globo”. Após a sobremesa, voltou ao STF e discursou contra a nomeação de Lula para a Casa Civil, que não estava em debate”. Diz-nos ainda o Bernardo Mello Franco que “dois dias depois, o ministro atendeu pedido do PSDB e anulou a posse do ex-presidente”. Tudo indica que ele deveria se dizer suspeito por falta de isenção para julgar o assunto, muito menos sozinho. Mas Gilmar não parece preocupado com isso.

Desculpe-me os leitores, mas definitivamente não posso ter simpatia pelo ministro Gilmar Mendes!